
O Museu Hypnacoteca Maravalhas — também conhecido como Museu do Urubu, no Lago Norte, é um espaço monográfico, inaugurado em 2024, que reúne exclusivamente obras de Nelson Maravalhas, artista plástico e professor aposentado de desenho, pintura e história da arte da Universidade de Brasília (UnB). Trata-se de um local dedicado à arte autoral. Aberto aos sábados e domingos, das 15h às 19h, o local é resultado de um projeto de vida construído ao longo de duas décadas de economia financeira do idealizador.
A ideia do museu nasceu após a aposentadoria do artista, quando o galpão onde morava e guardava suas produções se tornou pequeno demais para abrigar o acervo. "Não havia nenhum lugar em Brasília que eu pudesse mostrar minhas obras de forma inteira assim", afirma Maravalhas. A solução estava ao lado, no terreno onde hoje funciona o museu. Ele investiu as economias no espaço expositivo, sem imaginar, anos antes, que aquele seria o destino do dinheiro poupado.
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O nome Hypnacoteca carrega o conceito central do trabalho do artista. "É um neologismo. É uma palavra criada por mim. São dois termos gregos: Hypnos e pinacoteca. Hypnos é sono; pinacoteca é o lugar de guardar quadros. Eu juntei essas duas palavras, pois grande parte do meu trabalho é a partir de imagens mentais que eu vejo entre o sono e a vigília", explica. Segundo ele, o chamado estado hipnagógico — momento entre estar acordado e adormecer — faz parte do seu processo criativo. "Eu não anoto em lugar nenhum. Apenas guardo na memória. Se passar pelo teste da memória, valeu a pena. Significa que é algo importante e que merece viver no mundo real, ser eternizado. O primeiro passo é não esquecer".
Com uma estética que provoca impacto e até estranhamento, a sustentabilidade é um dos eixos centrais do trabalho. O artista reaproveita materiais diversos e evita desperdícios, incorporando inclusive elementos orgânicos encontrados, como animais mortos em decomposição. "Tudo aqui nasce de alguma coisa externa a mim", resume.
Atualmente, o museu abriga a exposição Experimental, que reúne cerca de 300 peças e está sem data definida para ser encerrada. A mostra propõe uma abordagem diferente da produção do artista, misturando referências da história da arte e da ciência, gestos com carvão, fotografias e borrões intencionais. "Eu invento outra pegada da imagem que está na minha cabeça. Eu produzo aleatoriamente, de forma espontânea. Na maior parte das vezes, há uma projeção mental", detalha.
Além da mostra temporária, o espaço conta com uma exposição permanente inspirada no Inferno de Dante, concebida como um "teatro mudo e parado". "Não tem nada no Brasil igual. Meu trabalho é completamente fora da casinha. Tudo isso é meio infernal. Tudo aqui tem uma história. Nada é para ficar bonito e decorar a parede".
O artista destaca, ainda, o desejo de ampliar o alcance do museu, especialmente entre estudantes. "Eu quero alcançar a população, mas, principalmente, as escolas. É a minha maior missão. Eu conclamo os professores de artes plásticas da Secretaria de Educação e os alunos que venham conhecer. O espaço está aberto para todos. Aqui a gente visa a cultura brasileira e a abertura dos horizontes do ser humano".
Para o segundo semestre deste ano, o museu prepara uma nova exposição, dedicada a desenhos espontâneos ou trabalhos sobre papel, com uma proposta mais leve dentro do universo intenso que marca a identidade de Nelson Maravalhas.
Serviço
Museu Hypnocoteca Maravalhas
Funcionamento: Sábados e domingos
Horário: 15h às 19h
Localização: Núcleo Rural Córrego Urubu, Lago Norte
Entrada Gratuita
Rede social @hypnacoteca_maravalhas

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