
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, destacou, durante o CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — , o aporte de R$ 8,8 bilhões aprovado na assembleia geral extraordinária, realizada ontem. Às jornalistas Adriana Bernardes e Ana Maria Campos, o dirigente do banco ressaltou as medidas adotadas por ele para sanear e capitalizar o BRB até 29 de maio, prazo final para incorporação de recursos.
A assembleia geral aprovou o aporte de R$ 8,8 bilhões para o BRB. O que isso significa na prática? De onde virão esses recursos?
Significa mais um passo que o BRB está dando, de maneira decisiva, para ter a solidez que teve no passado. Temos várias opções para a integralização desse capital aprovado. Além do empréstimo que solicitamos e estamos em tratativas adiantadas com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), temos a Lei nº 7.845/2026, aprovada na Câmara Legislativa do DF, que disponibilizou nove imóveis. Podemos fazer um Fundo de Investimento Imobiliário, ou utilizarmos os imóveis ou ações das empresas do GDF como garantia de empréstimo, não só junto ao FGC, mas também ao consórcio de bancos. Temos outras opções, como a securitização da dívida ativa do controlador, o GDF. Além disso, podemos contar com a venda de participação de algumas subsidiárias do BRB, como a financeira BRB, a BRB Card e a BRB Seguros.
Houve uma polêmica em relação à posição da Procuradoria-Geral do DF ao empréstimo junto ao Fundo Garantidor. Quem vai captar esse empréstimo, o BRB ou o controlador (GDF)?
Quem toma o empréstimo é o controlador. Esse empréstimo, vindo do sindicato de bancos ou do FGC, é para o controlador e o controlador (GDF) faz o aporte. Com relação à Procuradoria do GDF, não houve nenhum problema, é uma interpretação de lei. A saída do Márcio Vanderlei (da Procuradoria), foi por uma questão de momento, não tem a ver (com o empréstimo do BRB). Pelo contrário, quero agradecer todo o trabalho, toda a boa vontade que ele sempre teve com o BRB até o momento em que ele ficou à frente da Procuradoria.
O GDF tem capacidade para captar esse empréstimo? Está tudo dentro da legalidade do ponto de vista da Lei de Responsabilidade Fiscal?
O BRB está no meio de uma operação que tudo começou pela falta de compliance. Uma das coisas que nós temos muito cuidado, ainda mais com a relação com o GDF, é manter as operações, seja ativa ou passiva, empréstimo, títulos imobiliários, de acordo com a legislação, seguindo a governança, analisando os riscos envolvidos e precificando naquilo que é o valor real. Não podemos abrir mão disso em hipótese nenhuma.
O senhor disse várias ações que o BRB tem adotado desde fevereiro de 2026 para fazer essa capitalização. Desse leque de opções, o que tem de concreto que o senhor pode contar 100% que estará no capital integrado até dia 29 de maio?
A prioridade é o empréstimo junto ao FGC. Nós temos como garantia algo novo, a dívida ativa do GDF, de R$ 52 bilhões, que podemos securitizar e utilizar as cotas subordinadas dessa dívida como garantia do empréstimo. Não podemos esquecer dos imóveis aprovados na Lei nº 7.845. Desses nove imóveis, tem dois ali que não interessam, por exemplo, do ponto de vista de busca por conta dos investidores qualificados, que é o caso da Serrinha e do Centrad, que estão em alguma briga judicial ou algo dessa natureza, que não está 100% resolvido. O que estamos pegando são imóveis que desonerados de qualquer coisa. Além desses imóveis, temos as ações da CEB e da Caesb, e outros ativos que podem ser usados.
Tem uma resposta do FGC da nova proposta relacionada à dívida ativa do GDF?
Não, nós temos tratativas. Tivemos várias reuniões nos roadshows que fizemos. Eu fiz sozinho com a equipe do BRB e fiz duas vezes com a governadora (Celina Leão) em São Paulo e Brasília, onde apresentamos o portfólio que temos de ativos para essa venda e servir de garantia. Nessas nossas idas, chegamos a ter posições firmes com relação a esse assunto, a ter essas garantias. Tivemos reuniões com o FGC semana passada. Ficamos bem adiantados com relação ao assunto a ser resolvido e quais as maneiras mais rápidas de aportar esses recursos.
Muito se perguntou sobre o tamanho do rombo do BRB. Podemos dizer que é R$ 8,8 bilhões?
Provisionamos o nosso balanço em R$ 8,8 bilhões. Estamos solicitando empréstimo para capitalização do banco de R$ 6,6 bilhões. A diferença de 2,2 bilhões o banco já tinha, o banco tem um patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões. A instituição é forte, tem um bom ativo, consolidado. O que nós não temos de sólido são as carteiras do Master, que totalizam R$ 21,9 bilhões. No roadshow que fizemos em Brasília e São Paulo, vendemos R$ 1,9 bilhão para alguns investidores que se interessaram. Dos R$ 20 bilhões restantes, estamos repassando R$ 15 bilhões a uma gestora de ativos, a Quadra, quando ela fará um Fundo de Investimento de Direito Creditório (FIDiC). Desse valor, R$ 4 bilhões são de cotas sênior, que se transformarão imediatamente em liquidez para o BRB, e R$ 11 bilhões de cotas subordinadas. As cotas subordinadas vão ser recebidas com a Quadra, que tem eficiência e expertise para cobrança de ativos problemáticos. Fizemos questão de segregar tudo que veio do Master para não misturar com a coisa boa que tem dentro do conglomerado BRB. Fica um deságio, a princípio, de R$ 5 bilhões. O que seria prejuízo são aqueles R$ 2,6 bilhões da Tirreno, porque não tem lastro, não tem título, não tem nada.
O que o contrato com a Quadra Capital prevê? Qual a garantia que o BRB vai ter de receber os R$ 11 bilhões restantes?
Os R$ 15 bilhões acordados estão entrando em um FIDiC, quem vai gerir é a Quadra, porém esses ativos continuam sendo do BRB. Nós assinamos o contrato, porém o ativo é nosso. Nós vamos ter o relatório, as condições, o regulamento do fundo, lá ele vai dizer, por exemplo, que as cotas sênior, referente aos R$ 4 bilhões, terão 17 meses para quitar. Quando quitarem, vamos para as cotas subordinadas. A Quadra, gestora dos ativos, tem muita expertise. Lógico que ela vai trabalhar, se ela tiver um bom desempenho, ela vai ganhar mais, assim como nós vamos ganhar mais. Mas, em quaisquer das situações, esse ativo continua sendo do BRB.
A auditoria contratada concluiu que a compra de ativos do Master foi uma ação criminosa?
A auditoria contratada, teve três grandes blocos de análise. Um foi como sucedeu a capitalização do banco em 2024. O segundo item foi sobre as transações de compra e venda de carteiras, o ritmo e a dinâmica da compra de carteiras do Master. E o terceiro foi definir quais as pessoas contribuíram para que essas ações acontecessem. A auditoria forense foi conduzida pela Machado Meyer e a Kroll, e tivemos o cuidado de entregar todos os achados à Polícia Federal, ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à Procuradoria Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), nem para o controlador nós passamos, é totalmente sigiloso. Com relação a dizer se houve crime ou não, esse papel não cabe a mim, não cabe ao BRB.
Houve alertas dentro do BRB de que esses R$ 21,9 bilhões que foram adquiridos pelo Master ofereciam risco para o BRB?
Sim, tiveram vários alertas com relação a esse assunto e a esmagadora maioria dos empregados do BRB têm compromisso com o correto, com a governança, com o compliance. A própria auditoria chegou a esse veredicto, de maneira contundente, que tiveram vários alertas e que não foram seguidos, não foi seguida a tramitação do que cabe uma boa governança.
As operações com o Master tiveram início em 2024. Como ela aparece no último balanço do BRB? Isso foi colocado de forma fraudulenta para mascarar o balanço?
No início, vinha sendo feito tudo correto. De um determinado momento, começou a vir título que não era mais de origem Master, era de origem de terceiros e entrando como uma originação que fosse do Master. A partir daí, em algum momento, descobriram que os títulos ou não existiam, como é o caso da Tirreno, ou eram frágeis. Isso ocasionou nos R$ 12,2 bilhões descobertos inicialmente, quando foi comunicado ao Banco Central. Começaram a troca de títulos para poder recompor as carteiras que tivessem lastro. Quando houve a Operação Compliance Zero, boa parte não tinha sido ainda permutada. A auditoria forense não buscou essa análise, mas existem outras auditorias independentes que olham todas as demonstrações financeiras, e eles precisam dar o "ok" antes da publicação, já que o banco é uma empresa referenciada em Bolsa. Por isso que estamos com o balanço atrasado, o último publicado foi em 30 de junho de 2025. A partir daí, tudo começou, exatamente no segundo semestre de 2025. Em 2024, o balanço de junho tinha (problema), porém, não detectado. Em 2025 foi que se alastrou realmente, e o volume cresceu em progressão geométrica.
O balanço será publicado em 30 de maio?
Esperamos que sim, que tenhamos cada vez um banco mais forte. Quero dizer mais uma vez, uma coisa que me trouxe a esse banco, primeiro acreditar na equipe que lá está, é trabalhadora e são pessoas que entregam e que são responsáveis. E dizer que o BRB continuará sendo a empresa ícone do povo de Brasília e este banco não irá quebrar. Quem estiver apostando ou reservando seus recursos para comprar o BRB, isso não vai acontecer, porque ele vai continuar servindo ao povo de Brasília e região.

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