
O Governo do Distrito Federal (GDF) estruturou um modelo integrado de cuidado para pessoas em situação de rua que necessitam de atendimento em saúde mental ou enfrentam problemas relacionados à dependência química. A proposta estabelece um fluxo que começa na abordagem nas ruas e pode chegar à internação involuntária em casos considerados graves, com posterior acompanhamento pela rede de saúde e de assistência social.
O modelo é dividido em quatro etapas: pré-triagem, triagem, intervenção e remoção e, por fim, decisão e continuidade do cuidado. A proposta envolve órgãos como as secretarias de Saúde (SES-DF), Desenvolvimento Social (Sedes) e Justiça e Cidadania (Sejus), além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Abordagem
A primeira etapa é a pré-triagem, realizada a partir da abordagem de pessoas em situação de rua. Participam desse trabalho equipes da Sedes, da SES-DF, por meio do Consultório na Rua, e da Sejus, com o programa AcolheDF.
A atuação busca identificar as necessidades de cada pessoa e facilitar o acesso a programas socioassistenciais, serviços de saúde e à Rede de Atenção Psicossocial (Raps). O atendimento prioriza a adesão voluntária ao tratamento.
Durante a abordagem, as equipes também devem observar possíveis sinais que indiquem a necessidade de uma avaliação mais aprofundada e, eventualmente, de internação involuntária.
Na segunda etapa, a triagem é feita por uma equipe especializada da Secretaria de Saúde, formada por psicólogo, assistente social e enfermeiro. O objetivo é avaliar a situação da pessoa e identificar se há elementos que indiquem a necessidade de uma intervenção involuntária.
Entre os sinais de alerta definidos pelo modelo estão risco à vida, situações de violência e negligência extrema com os cuidados básicos de si próprio.
A identificação desses sinais não significa, necessariamente, internação imediata. O caso segue para avaliação e definição da conduta adequada dentro do fluxo assistencial.
A terceira etapa envolve a intervenção e a remoção da pessoa, quando necessárias. Nessa fase, o atendimento pode contar com o Núcleo de Saúde Mental (Nusam), do Samu.
A destinação depende da condição clínica identificada pelas equipes. Em situações de risco de morte iminente, a pessoa deve ser encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou hospital geral.
Quando há estabilidade clínica, o atendimento pode ocorrer em uma UPA, onde será feita a avaliação e definida a continuidade da assistência.
Internação
Na quarta etapa, a equipe define o encaminhamento do paciente. Quando indicada a internação em uma unidade de saúde, é elaborado um Plano Terapêutico, com previsão de permanência de até 90 dias.
A proposta, porém, não termina com a alta. O modelo estabelece que o paciente seja encaminhado para continuidade do tratamento na Rede de Atenção Psicossocial, especialmente no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de referência para sua residência.
O modelo do GDF prevê que o atendimento não se limite à crise de saúde mental ou ao uso problemático de álcool e outras drogas. A etapa posterior à internação inclui medidas para auxiliar a pessoa na construção de uma saída qualificada da situação de rua.

Cidades DF
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