SAÚDE

Entenda como funciona o cuidado a pessoas em situação de rua no DF

Modelo prevê abordagem nas ruas, triagem especializada, atendimento de urgência e internação involuntária em casos de risco à vida, violência ou negligência extrema

Quando indicada, internação pode durar até 90 dias em uma unidade de saúde
 -  (crédito:  Minervino Júnior/CB)
Quando indicada, internação pode durar até 90 dias em uma unidade de saúde - (crédito: Minervino Júnior/CB)

O Governo do Distrito Federal (GDF) estruturou um modelo integrado de cuidado para pessoas em situação de rua que necessitam de atendimento em saúde mental ou enfrentam problemas relacionados à dependência química. A proposta estabelece um fluxo que começa na abordagem nas ruas e pode chegar à internação involuntária em casos considerados graves, com posterior acompanhamento pela rede de saúde e de assistência social.

O modelo é dividido em quatro etapas: pré-triagem, triagem, intervenção e remoção e, por fim, decisão e continuidade do cuidado. A proposta envolve órgãos como as secretarias de Saúde (SES-DF), Desenvolvimento Social (Sedes) e Justiça e Cidadania (Sejus), além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

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Abordagem

A primeira etapa é a pré-triagem, realizada a partir da abordagem de pessoas em situação de rua. Participam desse trabalho equipes da Sedes, da SES-DF, por meio do Consultório na Rua, e da Sejus, com o programa AcolheDF.

A atuação busca identificar as necessidades de cada pessoa e facilitar o acesso a programas socioassistenciais, serviços de saúde e à Rede de Atenção Psicossocial (Raps). O atendimento prioriza a adesão voluntária ao tratamento.

Durante a abordagem, as equipes também devem observar possíveis sinais que indiquem a necessidade de uma avaliação mais aprofundada e, eventualmente, de internação involuntária.

Na segunda etapa, a triagem é feita por uma equipe especializada da Secretaria de Saúde, formada por psicólogo, assistente social e enfermeiro. O objetivo é avaliar a situação da pessoa e identificar se há elementos que indiquem a necessidade de uma intervenção involuntária.

Entre os sinais de alerta definidos pelo modelo estão risco à vida, situações de violência e negligência extrema com os cuidados básicos de si próprio.

A identificação desses sinais não significa, necessariamente, internação imediata. O caso segue para avaliação e definição da conduta adequada dentro do fluxo assistencial.

A terceira etapa envolve a intervenção e a remoção da pessoa, quando necessárias. Nessa fase, o atendimento pode contar com o Núcleo de Saúde Mental (Nusam), do Samu.

A destinação depende da condição clínica identificada pelas equipes. Em situações de risco de morte iminente, a pessoa deve ser encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou hospital geral.

Quando há estabilidade clínica, o atendimento pode ocorrer em uma UPA, onde será feita a avaliação e definida a continuidade da assistência.

Internação

Na quarta etapa, a equipe define o encaminhamento do paciente. Quando indicada a internação em uma unidade de saúde, é elaborado um Plano Terapêutico, com previsão de permanência de até 90 dias.

A proposta, porém, não termina com a alta. O modelo estabelece que o paciente seja encaminhado para continuidade do tratamento na Rede de Atenção Psicossocial, especialmente no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de referência para sua residência.

O modelo do GDF prevê que o atendimento não se limite à crise de saúde mental ou ao uso problemático de álcool e outras drogas. A etapa posterior à internação inclui medidas para auxiliar a pessoa na construção de uma saída qualificada da situação de rua.

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postado em 13/08/2026 18:19
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