O candidato José Roberto Arruda (PSD) participou, na manhã desta quarta-feira (16/9), de uma sabatina promovida pela CBN, jornal O Globo e Valor. Na agenda, ele comentou suas condenações por improbidade administrativa, criticou a atual situação da capital federal e apresentou as propostas de governo caso seja eleito. “O meu governo teve a marca do trabalho. Fiz 2.300 obras em três anos.”
Sobre as condenações por corrupção, Arruda voltou a apresentar sua versão sobre o caso. “Quando veio a denúncia, foi um desastre. Eu demorei 16 anos para explicar que eu recebi o dinheiro dois anos antes de eu ser governador, dinheiro este declarado no TRE. Eu fui condenado pelas minhas virtudes. Se eu tivesse deixado ter roubalheira no meu governo, não teriam feito nada contra mim”, afirmou.
O candidato ressaltou que cumpriu a pena determinada pela Justiça e afirmou estar apto a disputar as eleições. “Se eu tivesse matado alguém, eu já estava livre. Eu só quero ter o direito de ser julgado nas urnas. Eu vou até o fim. Brasília vive o pior momento de sua história, não vai ser fácil resgatar essa cidade. Eu não desisto de Brasília”, destacou.
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Questionado sobre a possibilidade de substituir o nome na chapa, Arruda afirmou que recebeu sugestões nesse sentido, mas decidiu manter a candidatura após consultar apoiadores e advogados. “Eu não sou de correr da briga. Se eu tivesse saído, teria sido um ato de traição com as pessoas que me apoiam. Os advogados me garantem que registrei a minha candidatura de acordo com a lei vigente. Eu vou até o fim. No dia 4 de outubro, a minha careca vai estar na urna”, declarou.
Críticas
Ao comentar a gestão do GDF, Arruda elogiou o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e criticou a atual governadora Celina Leão (PP). “O primeiro governo dele (Ibaneis) foi bom, inclusive eu o apoiei na reeleição. Depois do 8 de janeiro, que ele foi afastado e teve aquela confusão, ele entregou o governo para Celina, e a partir daí o governo degringolou”, afirmou. O candidato criticou a relação de Celina com o governo federal e citou a ausência dela na cerimônia de 7 de setembro. “Uma coisa é você ter pensamentos políticos diferentes. O governador da capital do país tem que ter a sua função institucional”, ressaltou.
A gestão do Banco de Brasília (BRB) também foi criticada por Arruda, que acusou Celina Leão de “empurrar com a barriga” a situação da instituição. “Eu não tenho o nome dos assaltantes, o que eu sei é que o banco foi assaltado. Um banco público, na capital do país, que prestava um serviço excelente a Brasília, quebrou”, afirmou.
Para recuperar o BRB, o candidato defendeu o fechamento de agências, o cancelamento de patrocínios e a regionalização da instituição. “Não tem salvação para o BRB se não tiver um novo aporte de recurso. Eu buscaria, em negociação com o governo federal, trazer o FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) para ser aplicado no BRB”, destacou.
Propostas
Entre as propostas apresentadas, Arruda citou iniciativas de sua gestão anterior, como a criação da Secretaria Especial de Educação Integral, o programa Ciência em Foco e a Bolsa Universitária. “Eu não estou prometendo, eu já fiz”, afirmou. O candidato também propôs um 14º salário para servidores de escolas que aumentarem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de um ano para o outro.
Na administração pública, prometeu reduzir de 37 para 18 o número de secretarias e de 27 mil para 12 mil os cargos comissionados, em um “choque de gestão” com meta de economia de R$ 5 bilhões no primeiro ano. Também defendeu ampliar o teletrabalho e digitalizar a gestão para aumentar a transparência. “O mundo mudou. Há determinadas funções dentro do serviço público que o rendimento pode ser muito maior com o teletrabalho ou o trabalho misto. Isso reduz custos e aumenta o rendimento”, afirmou.
Para o transporte, Arruda descartou a tarifa zero e propôs remunerar as empresas de ônibus pelo número de passageiros transportados, além de auditar os contratos. “Não vou prometer tarifa zero, é um erro. Eu dei tarifa zero no meu governo para estudantes e idosos. Mais que isso avacalha o sistema de transporte”, afirmou. O candidato prometeu investir R$ 1 bilhão no metrô, com obras de expansão para Águas Lindas, Gama, Santa Maria, Novo Gama e Jardim Ingá, além de um VLT entre o Aeroporto e a W3 e uma quarta ponte.
Na segurança, defendeu novas delegacias especializadas no atendimento às mulheres, monitoramento de famílias vítimas de violência e psicólogos nas escolas. Na saúde, propôs mudanças na gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) e a construção de hospitais por meio de parcerias público-privadas (PPPs). “O Iges tem que respeitar a Secretaria de Saúde, ele pode ser um braço operacional, mas obedecendo às diretrizes da Secretaria de Saúde”, afirmou.
Na cultura, Arruda prometeu reforçar o investimento de 0,3% do orçamento no Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e fortalecer eventos como o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. “Eu quero voltar a incentivar a cultura local. Brasília tem que ser a capital cultural do Brasil, e nós vamos investir nisso, e no turismo também”, declarou.
