
Neste domingo (4/10), 2,25 milhões de eleitores do Distrito Federal aptos a ir às urnas vão definir o futuro político da capital federal. A corrida ao Palácio do Buriti em 2026 conta com 10 candidatos — três mulheres e sete homens. Caso nenhum candidato ao GDF alcance a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, o eleitorado voltará às urnas, em 25 de outubro, para a decisão final.
Um dos episódios mais marcantes destas eleições envolveu a candidatura de José Roberto Arruda (PSD). Figurando em segundo lugar nas intenções de voto, o ex-governador teve o registro de sua campanha indeferido pela Justiça Eleitoral, alterando a dinâmica da disputa e redistribuindo o eleitorado de direita.
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Pesquisa Correio Opinião: Celina avança e se descola de Arruda na disputa pelo GDF
A seguir, confira o perfil e as principais propostas de governo dos candidatos ao GDF, organizados de acordo com a ordem das intenções de voto registradas na última Pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, publicada em 30 de setembro.
Celina Leão (PP) — 11
Celina Leão Hizim Ferreira, 49 anos, é administradora de empresas e atual governadora do DF, cargo que assumiu em março de 2026, após três anos como vice-governadora de Ibaneis Rocha (MDB). Natural de Goiânia (GO), iniciou a trajetória política em 2006, quando foi secretária da Juventude no governo de Joaquim Roriz. Em 2010, elegeu-se deputada distrital, conquista que repetiu em 2014, permitindo-a presidir a Câmara Legislativa do DF (CLDF) entre 2015 e 2016. Casada e mãe de dois filhos, Celina disputa a permanência no Palácio do Buriti pelo Progressistas (PP), tendo como candidato a vice o ex-secretário da Casa Civil Gustavo Rocha (Republicanos). A candidata declarou R$ 440,1 mil em bens à Justiça Eleitoral. Em seu plano de governo, Celina defende a expansão da infraestrutura urbana e a manutenção de obras viárias pelo DF. Suas propostas concentram-se na integração do atendimento no sistema público de saúde, na ampliação de vagas em creches públicas e no fortalecimento da segurança pública, com o Programa DF 360. A candidata prevê o incentivo a políticas voltadas à proteção e autonomia das mulheres, com a criação do Centro de Referência da Saúde da Mulher e a implementação do programa Mães por Inteiro.
Leandro Grass (PT) — 13
Leandro Antonio Grass Peixoto, 41, é sociólogo, professor na educação básica e superior, e mestre em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB). Brasiliense, iniciou sua militância social na Pastoral da Juventude e foi eleito deputado distrital em 2018. Em 2022, concorreu ao Palácio do Buriti, alcançando a segunda colocação com mais de 434 mil votos. Presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) até março deste ano. Sua candidata a vice é a professora Dora Gomes (PV). Declarou um patrimônio de R$ 285 mil. Seu programa de governo inclui o plano "Saúde Sem Espera e Perto de Casa", focado no fortalecimento da atenção primária. Na mobilidade urbana, propõe a implantação progressiva da tarifa zero nos ônibus, expansão do transporte noturno e ampliação da malha metroviária. Na educação, pretende zerar as filas nas creches, implantar o ensino em tempo integral e valorizar a carreira do magistério público. O candidato também prevê o "Pacto contra o Feminicídio", o fortalecimento do BRB, a revisão de privilégios fiscais e a ampliação de programas de habitação.
Paula Belmonte (PSDB) — 45
Paula Moreno Paro Belmonte, 53, é empresária e administradora de empresas. Reside em Brasília desde os 2 anos de idade. Mãe de seis filhos, ingressou na vida pública em 2018 ao se eleger deputada federal pelo DF. Em 2022, elegeu-se deputada distrital pelo PSDB. Em sua primeira disputa ao GDF, encabeça a chapa do mesmo partido, acompanhada pelo Juiz Everardo Ribeiro (PSDB) como candidato a vice-governador. Paula declarou R$ 10,8 milhões em bens à Justiça Eleitoral. Suas diretrizes de governo centram-se na eficiência da gestão pública, na responsabilidade fiscal e no combate ao desperdício do dinheiro público. Paula defende a proteção da infância e da família, propondo o fortalecimento de creches, escolas de tempo integral e a ampliação da assistência social nas regiões de maior vulnerabilidade. Na saúde, prevê a descentralização do atendimento, com foco na agilização de consultas especializadas. O plano contempla medidas de estímulo ao empreendedorismo feminino, apoio às micro e pequenas empresas locais, fortalecimento da segurança comunitária e garantias de transparência na administração do GDF.
Ricardo Cappelli (PSB) — 40
Ricardo Garcia Cappelli, 54, é jornalista e gestor público. Natural do Rio de Janeiro (RJ), mudou-se para Brasília há mais de duas décadas. Ocupou os cargos de secretário nacional, secretário-executivo do Ministério da Justiça, ministro interino da Justiça e Segurança Pública e presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Ganhou projeção nacional ao atuar como interventor federal na segurança pública do DF após os atos de 8 de janeiro de 2023. Disputa o Palácio do Buriti pelo PSB, tendo a advogada Sofia Carvalho (PSB) como candidata a vice na chapa. Declarou R$ 1,2 milhão em bens. Seu plano de governo prevê a integração das políticas públicas distritais com os investimentos do governo federal. Na segurança pública, propõe a política "Tolerância Zero", focada no combate ao crime organizado, à violência contra mulheres e grupos vulneráveis. Na mobilidade, defende o projeto "Até 1 Hora", que visa reestruturar as linhas de ônibus para garantir deslocamentos mais rápidos. O programa inclui ainda mutirões para reduzir as filas na saúde e um plano de regularização fundiária.
Kiko Caputo (Novo) — 30
Frederico "Kiko" Caputo, 53, é advogado, empresário e docente universitário. Morador de Brasília há mais de cinco décadas, atuou como conselheiro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e presidiu a Seccional do DF da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF). Concorrendo pela primeira vez a um cargo eletivo, apresenta-se como candidato de perfil conservador e liberal. Disputa o comando do Palácio do Buriti pelo Partido Novo, ao lado do delegado Rafael Sampaio (Novo) como vice-governador. Caputo registrou o maior patrimônio entre os concorrentes ao pleito, declarando R$ 47 milhões em bens. Seu programa de governo prega um "choque" de gestão, transparência e integridade no serviço público distrital. Defende o enxugamento da máquina administrativa, com corte de cargos comissionados e revisão de contratos públicos e incentivos fiscais. Prioriza a desburocratização para a abertura de empresas e a atração de investimentos privados com foco no fortalecimento do livre mercado. Na saúde e mobilidade, apoia modelos de parceria público-privada e concessões para melhorar a prestação de serviços.
Professora Samara Mineiro (UP) — 80
Samara Mineiro, 33, é professora de história da rede pública de ensino do DF e militante. Nascida em Ceilândia e moradora de Sobradinho, atua no Movimento de Mulheres Olga Benario e no Movimento Luta de Classes (MLC). Integra iniciativas populares em defesa de mulheres em situação de violência. Disputa sua primeira eleição representando a Unidade Popular (UP), ao lado da ativista Thaís Oliveira (UP) como candidata a vice. Samara declarou um patrimônio de R$ 69,1 mil. Seu programa de governo defende a reestatização de serviços públicos e empresas privatizadas, com o fim do IGES-DF e a administração 100% estatal da saúde, educação e saneamento básico. Propõe o passe livre irrestrito no transporte público por meio da criação de uma empresa estatal coletiva, além do congelamento e indexação de aluguéis residenciais. O plano inclui a auditoria da dívida pública, o confisco de imóveis ociosos para programas de habitação, a implementação do salário mínimo regional dobrado e a ampliação da rede de acolhimento a vítimas de violência doméstica e à população vulnerável.
Professor Robson (PSTU) — 16
Robson Raymundo, 56, é professor de história da rede pública de ensino do DF há 22 anos. Natural do Rio de Janeiro (RJ), iniciou sua trajetória política no movimento estudantil e tornou-se ativista do movimento negro e de organizações sindicais do magistério. Robson já disputou vagas ao Senado Federal, além de ter sido candidato ao Governo do DF nas eleições de 2022. Concorre novamente ao Palácio do Buriti pelo PSTU, tendo o militante Antônio Ricardo Guillen (PSTU) como candidato a vice na chapa. Declarou R$ 900 mil em bens. Seu plano de governo defende a construção de uma alternativa socialista e trabalhadora para a capital, sem alianças com empresários ou setores do capital privado. Robson propõe a estatização sob controle operário do sistema de transporte coletivo, com a garantia de tarifa zero e a revogação de concessões e privatizações, como a da CEB e da Rodoviária do Plano Piloto. O programa prevê a estatização total da saúde, a destinação de no mínimo 30% do orçamento distrital para a educação pública e a revogação da reforma da previdência distrital.
Rico Pinheiro (PRTB) — 28
Alderico da Silva Pinheiro Filho, 46, é economista e empresário, natural de Macapá (AP), onde concorreu a cargos eletivos. Disputa o GDF pelo PRTB, tendo Cristiane Barros (PRTB) como candidata a vice-governadora. O candidato declarou R$ 4,3 milhões em bens à Justiça Eleitoral. Sua candidatura enfrenta pendências jurídicas após o indeferimento do registro da chapa pelo TRE-DF por inconsistências em atas e documentações partidárias, recorrendo ao TSE e mantendo os atos de campanha sub judice enquanto aguarda o julgamento definitivo. Em seu programa de governo, Pinheiro defende a infraestrutura das áreas de desenvolvimento econômico (ADEs); propõe mutirões de telessaúde e parcerias privadas para zerar filas de exames e cirurgias, além de prever a criação de "creches para idosos". Na educação, planeja a alfabetização até o 2º ano, expansão do tempo integral e o programa "Primeiro emprego no DF" com incentivos fiscais. O plano abrange a ampliação do Metrô-DF, VLT no eixo Aeroporto-W3 e o Censo Distrital de Animais em Situação de Rua para políticas de castração e acolhimento.
Elisson Ferreira (Agir) — 36
Elisson Ferreira, 39, é jornalista, comunicador e empresário cultural. Possui trajetória profissional dedicada à produção de eventos, gestão de mídias e comunicação corporativa e pública, tendo atuado como editor, repórter e chefe de assessorias de imprensa no DF. Disputa um mandato eletivo pela primeira vez, encabeçando a chapa do partido Agir. Seu candidato a vice-governador é o subtenente da Polícia Militar do DF Sérgio Prado (Agir). Elisson declarou R$ 251,3 mil em bens à Justiça Eleitoral. Seu plano de governo propõe uma reforma na estrutura administrativa com a redução do número de secretarias para 21 pastas e o fortalecimento do planejamento de longo prazo por meio do projeto "Brasília 2060". Defende a digitalização completa de prontuários e exames, transparência nas filas de atendimento e a ampliação de hospitais regionais. O programa prioriza o aumento de vagas em creches públicas, o incentivo à eletromobilidade, o fortalecimento da segurança pública integrada por inteligência e videomonitoramento, a redução das tarifas de transporte e o fomento ao empreendedorismo nas RAs.
Expedito Mendonça (PCO) — 29
Expedito Mendonça, 65, é servidor público federal e dirigente sindical. Natural de Pirapora (MG), reside no DF há quatro décadas, onde participou da fundação e da direção do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no DF (Sindsep-DF). Membro da direção nacional do Partido da Causa Operária (PCO), possui histórico de candidaturas ao Senado e ao GDF em pleitos anteriores. Disputa a chefia do Executivo distrital ao lado de Valmir Barbosa (PCO) como candidato a vice-governador. Declarou R$ 5 mil em bens à Justiça Eleitoral. O programa de governo do PCO foca na defesa irrestrita dos direitos dos trabalhadores e dos serviços públicos. Mendonça defende a revogação de todas as reformas trabalhistas e previdenciárias, o fim do teto de gastos públicos, o cancelamento das privatizações e a extinção da Lei de Responsabilidade Fiscal. O candidato propõe o reajuste emergencial dos salários, a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais sem redução salarial, o fim da terceirização e aposentadoria, no máximo, aos 25 anos de trabalho para as mulheres e 30 anos para os homens.
Cidades DF
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