
A trajetória de Bira Haway chegou ao fim neste domingo (26/1), no Rio de Janeiro. O produtor musical, nascido Ubirajara de Souza, morreu aos 74 anos, conforme comunicado publicado nas redes sociais. Referência nos bastidores do samba e do pagode, ele foi responsável por impulsionar carreiras centrais do gênero e era pai de Anderson Leonardo, vocalista do Molejo, morto em 2024.
Bira estava hospitalizado desde 21 de janeiro no Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, zona norte da cidade. A família e a equipe não divulgaram a causa da morte. Nas últimas semanas, o produtor enfrentou um quadro de saúde delicado.
Após passar por uma amputação abaixo da coxa no Hospital Miguel Couto, na zona sul, chegou a receber alta médica. Pouco tempo depois, voltou a apresentar complicações, foi atendido na UPA da Cidade de Deus e diagnosticado com insuficiência cardíaca. Diante da gravidade, acabou transferido novamente para o Hospital Carlos Chagas, onde permaneceu internado até não resistir.
A morte provocou forte comoção no meio musical. Em publicação no Instagram, o Molejo se despediu do produtor com uma mensagem carregada de afeto e reconhecimento: “Hoje o nosso coração se despedaça. Perdemos quem mais acreditava em nós: nosso paizão, nosso guia, nosso mestre, produtor e diretor. Obrigado por cada ensinamento, por cada puxão de orelha que nos fez melhor, por cada abraço que nos deu coragem.”
O cantor Belo também prestou homenagem pública e destacou a importância de Bira para toda uma geração do pagode: “Hoje meu coração amanheceu em silêncio. Perdi um produtor, um parceiro de estrada, um Paizão da música pra geração 90. Bira fez parte da minha caminhada, acreditou no meu trabalho e ajudou a construir sonhos quando tudo ainda estava começando. Seu talento, sua visão e, principalmente, seu lado humano marcaram minha vida e a de muitos artistas”.
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Antes de se consolidar como produtor, Bira construiu carreira nos palcos. Começou como percussionista na noite paulistana, período em que adotou o nome artístico inspirado no estúdio onde costumava gravar. Atuou também como cantor e intérprete de escolas de samba, chegando a liderar a Estácio de Sá no primeiro ano de Ciça como mestre de bateria.
A partir dos anos 1980, passou a se dedicar integralmente à produção musical, tornando-se peça-chave na ascensão de grupos que marcaram época, como Molejo, Exaltasamba, Soweto, Samprazer e Grupo Revelação. Seu trabalho ajudou a moldar o som do pagode que dominou rádios, palcos e trilhas afetivas de diferentes gerações.
As despedidas acontecerão em dois momentos. Nesta segunda-feira (26/1), o velório será realizado na quadra da Estácio de Sá. Já na terça-feira (27/1), haverá novo velório seguido do sepultamento no Cemitério Jardim da Saudade.

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