
A Santa Monica Studios anunciou de surpresa God of War: Sons of Sparta, novo jogo dentro do universo de God of War no último State of Play. As emoções não param por aí: o game saiu no mesmo dia. Este formato de lançamento de produto é conhecido como Shadow Drop e já foi usada por outras empresas, como a Microsoft fez para divulgar Hi-Fi Rush.
Para além do choque do lançamento, o conteúdo do God of War: Sons of Sparta tem um enredo diferente dos outros título da saga de Kratos. O gênero mudou de Hack ‘n’ Slash e para o Metroidvania - Gênero de Guacamelee, Blasphemous e Hollow Knight.
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Soldados de Esparta
God of War: Sons of Sparta conta a história de um jovem Kratos vivendo em Lacônia com o irmão Deimos. Paralelamente ao passado, uma versão adulta do guerreiro conta a jornada para a filha, Calliope. Ambas as versões do espartano se passam antes da história da trilogia grega, antes do mortal matar um deus e assumir o lugar dele como Deus da Guerra.
Nessa versão, Kratos e Deimos exploram os arredores de Esparta atrás de um guerreiro que deserdou e fugiu, Vasilis. No caminho, vão lidando com diversas criaturas mitológicas e encontrando dádivas dos deuses para transporem os desafios.
O título é desenvolvido pela Mega Cat Studios, que ganhou uma poderosa relevância no ano passado, quando lançou a versão 2D de Five Nights at Freedy’s, Into The Pit, jogo de terror e quebra-cabeças que utiliza o universo de FNAF como plano de fundo. A inspiração em Blasphemous é inegável, com muitas mecânicas sendo idênticas ao jogo do estúdio espanhol, The Game Kitchen. Aparar, rolar, escalar, todas essas mecânicas já utilizadas no título.
Como a trama retrata um jovem guerreiro em seus primeiros anos como soldado espartano, Kratos é munido apenas de duas, diferente do seu arsenal vasto que aparece em demais jogos, uma lança e um escudo.
Respectivamente, um serve para o ataque e o outro defesa, com o jogo contando com uma barra para Kratos desferir golpes especiais com a lança. Mais a frente, como mencionado anteriormente, devido à exploração dos irmãos, eles se deparam com vários templos que veneram os deuses gregos e neles encontram algum item que serve para auxiliar em sua jornada.
Fora o primeiro item oferecido pelo escultor de Esparta, Konstatinos - Que serve como um guia e mentor para o futuro Fantasma de Esparta - a cabeça de Licurgo que abre passagens e conforme o jogo avança ganha diversas funcionalidades.
Os itens são dados majoritariamente nos templos, o primeiro é uma funda que dispara pedras, encontrada no templo de Aquiles, ela serve para atingir mecanismos que ativam elevadores e portas. Tirando a cabeça de Licurgo, todos os outros itens tem essas duas funcionalidades, tanto para solucionar quebra-cabeças, quanto para atacar os inimigos.
Inimigos e Chefes
Kratos e Deimos tem que lidar com os perigos do mundo grego, inimigos esses que aparecem nos outros jogos da saga grega, em versões 2D de inimigos de todos os títulos. Górgonas, estatuas vivas, minotauros, legionários zumbis e muitos outros clássicos da franquia. O combate é bem simples, contando com uma árvore de habilidade montada no mesmo estilo da saga nórdica, com uma evolução relativamente simples para criar uma maior variedade de combos.
A maior vitória de um Metroidvania é construir chefes desafiadores e memoráveis, principalmente devido a sua limitação de estilo plataforma. God of War: Sons of Sparta apesar de não possuir inimigos tão monstruosos em escala, quanto os que Kratos é acostumado a lidar pela franquia, ainda assim, tem um charme em criar inimigos difíceis para o jogador superar, tendo que se manter alerta para a movimentação inimiga e ciente para lidar com o cenário, inimigos comuns, ou reações que o próprio chefe gera no ambiente.
O título poderia ser facilmente um jogo cooperativo, assim como Guacamelee tão poderosamente faz, colocando até 4 jogadores simultâneos para lidar contra os inimigos. Uma oportunidade perdida em Sons of Sparta, que poderia aproveita a deixa de laço entre irmãos para projetar o primeiro cooperativo da saga. O que deixa mais triste esse fato, é que Deimos participa das lutas de chefe, utilizando as habilidades que Kratos também possui no combate, mostrando que em algum nível não seria tão difícil para colocar um segundo jogador no comando do personagem. Para não dizer que não existe um modo cooperativo, apenas ao finalizar a história, o modo desafio é liberado, que libera o multiplayer local do jogo. Mas apenas isso.
David Jaffe e o Kratos “Raiz”
Um dos criadores e diretor do primeiro jogo de God of War, David Jaffe disse que o título é “muito genérico” e não tem nada a ver com a saga. Várias vezes o diretor disse que os caminhos tomados pela Santa Monica para amadurecer o personagem, não condiz em nada com a ideia de um ser violento e brutal que ele estabeleceu.
Jaffe disse em um vídeo publicado no seu canal do YouTube que não conseguiu jogar mais do que uma hora do novo jogo, apontando ele como raso e que não era aquilo que os fãs da saga queriam. Opinião do diretor é válida, realmente Kratos não é mais o monstro sanguinário da saga grega, mas assim como todo mundo envolvido com o jogo e os fãs, eles amadureceram.
Mas um ponto que vale sempre levantar é que God of War, acima de uma saga sobre vingança, era uma história de um pai de família querendo se livrar do fardo de saber que ele era o assassino das pessoas mais importantes em sua vida. Tanto que diversas vezes Kratos tem pesadelos com sua filha e sua mulher, a memória que consome sua alma e serve de combustível para manter a máquina de violência e raiva sempre ligada.
Na nova saga, Kratos mantém essa raiva, agora guardada sobre sete chaves, já que ele recebeu uma segunda chance de ser pai cuidando agora de Atreus, o que o torna super-protetor e violento quando sua segurança é ameaçada. O Fantasma de Esparta nunca perdeu seu maior chamariz com os fãs, a violência e a brutalidade dos combates, a única coisa que Kratos mudou foi sua personalidade, de um personagem que envelheceu e que tem muita culpa e raiva a carregar nos ombros, e agora que ele tem um filho, seu único dever tem sido ser melhor.
Mesmo Sons of Sparta faz esse recorte, mostrando que Kratos era uma pessoa completamente diferente antes de Ares interferir em sua vida, nos poucos momentos que temos do guerreiro conversando com a filha entre pontos da história, o personagem é até mais amoroso que sua versão em GOW Ragnarok.
Considerações finais
God of War: Sons of Sparta é uma tentativa da Santa Monica de sair da linha Hack’n’Slash da saga e arriscar em outro gênero, contando eventos inéditos sobre a vida do Fantasma de Esparta e sua relação com seu irmão Deimos, como ela foi cultivada e como era a união de ambos antes da intervenção dos deuses. Para fãs de Metroidvania, o jogo é um prato cheio, com vários cenários e segredos para serem descobertos, para fãs de God of War, o título é apenas recomendado caso você aceite que é uma aventura diferente das demais, no mesmo nível de diferente que o falecido God of War: Betrayal, jogo lançado para celulares, quando os dispositivos ainda tinham teclas.
No inglês, o título ainda trouxe o retorno de TC Carson, a voz original de Kratos dublando a versão mais velha do personagem, enquanto no Brasil, Ricardo Juarez retorna como o Fantasma de Esparta. O jogo é uma carta amorosa para os fãs dos jogos de PSP, principalmente o Ghost of Sparta, amadurecendo a história de Kratos e Deimos, sem nunca parecer deslocado do mesmo universo visto no PlayStation 2 e no PlayStation 3.
God of War: Sons of Sparta está disponível exclusivamente para PlayStation 5.

Diversão e Arte
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