
A estreia de Daphne Bozaski como Lucélia, sua primeira vilã na novela Três Graças, vai além de um novo passo na carreira da atriz. Seu papel é um sintoma claro de uma transformação profunda na forma como as novelas e séries brasileiras constroem seus antagonistas. A figura puramente má, que existia apenas para ser odiada, está dando lugar a personagens complexos, com histórias de fundo e motivações que, muitas vezes, geram empatia e até torcida do público.
Longe vão os dias em que os vilões eram apenas a personificação do mal. Personagens icônicas como Carminha, de Avenida Brasil, e Nazaré Tedesco, de Senhora do Destino, marcaram época, mas a narrativa mudou. O público busca entender as razões por trás das ações, mesmo as mais questionáveis, como visto em antagonistas mais recentes e complexos.
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Essa nova abordagem reflete uma audiência mais madura e exigente, que consome conteúdos em diversas plataformas e está acostumada com a complexidade de produções internacionais, onde o anti-herói já é uma figura consolidada. A teledramaturgia nacional, impulsionada também pela concorrência do streaming, absorveu essa tendência, percebendo que um vilão bem construído pode ser tão ou mais interessante que o próprio mocinho.
Uma nova forma de contar histórias
Esses novos antagonistas carregam traumas, injustiças passadas ou uma ambição que, em algum nível, o espectador consegue compreender. A maldade deixa de ser um traço inato de personalidade e se torna uma consequência de suas jornadas. Com isso, a linha entre o bem e o mal fica mais tênue, tornando a trama mais rica e imprevisível.
Essa complexidade gera um fenômeno interessante: a torcida pelo vilão. Nas redes sociais, não é raro encontrar debates acalorados defendendo as atitudes de um antagonista ou grupos de fãs dedicados a ele. A conexão não acontece com suas atitudes ruins, mas com sua humanidade falha, algo com que todos podem se identificar em alguma medida.
O desafio para Daphne Bozaski, conhecida por papéis carismáticos como Benê em Malhação e Lupita em Família é Tudo, torna-se ainda maior. Ao interpretar Lucélia, não basta apenas encarnar a maldade; é preciso construir um ser humano com camadas que justifiquem suas escolhas e, ao mesmo tempo, cativem a audiência. O sucesso desse tipo de personagem mostra que, na ficção como na vida, ninguém é uma coisa só.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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