
O nome de William Shakespeare atravessa séculos como sinônimo de genialidade literária. Ainda assim, a figura histórica por trás das peças e sonetos permanece envolta em questionamentos. Uma nova obra reacende essa controvérsia ao propor uma hipótese ousada: o autor consagrado do teatro inglês teria sido, na verdade, uma mulher negra e judia.
A teoria é apresentada pela pesquisadora britânica Irene Coslet no livro The Real Shakespeare: Emilia Bassano Willoughby, publicado em 30 de janeiro e baseado em análises de documentos históricos. Na obra, ela sustenta que o nome William Shakespeare teria funcionado como pseudônimo para Emilia Bassano, escritora e poetisa inglesa com ascendência mediterrânea e origem judaica.
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Bassano, que posteriormente assumiu o sobrenome Lainer ao se casar, foi contemporânea de Shakespeare durante o período elisabetano, entre 1558 e 1603, e é apontada como uma das vozes precursoras da literatura feminista. Foi uma das primeiras mulheres na Inglaterra a publicar um volume de poesia de sua própria autoria — a coleção Salve Deus Rex Judaeorum (Salve Deus, Rei dos Judeus), lançada em 1611 —, cujas palavras defendiam a igualdade das mulheres em poemas dedicados a figuras femininas influentes.
Segundo a suposição, ela integrava uma família de músicos da corte veneziana e teria produzido os textos que, posteriormente, foram atribuídos a Shakespeare. Em teses acadêmicas, ainda foi apontada como suposta amante do autor e inspiração para a personagem “Dama Negra”, embora não existam evidências documentais o suficiente para comprovar a teoria.
A publicação se soma a outras correntes que defendem que Shakespeare talvez nunca tenha existido como figura autoral única. “O debate sobre a identidade do poeta mais amado de todos os tempos e ‘pai’ do mundo anglófono ainda persiste”, afirma a descrição do livro.
“Gerações de pesquisadores tentaram desmantelar o mito do Homem de Stratford. Agora, neste livro intrigante e bem documentado, Irene Coslet demonstra conclusivamente que Shakespeare não era um homem, mas uma mulher: uma dama de pele escura, de origem judaica, nascida em uma família de músicos da corte veneziana, e a mãe do mundo anglófono. Seu nome era Emilia Bassano.”
As hipóteses alternativas costumam se apoiar na escassez de registros documentais sobre o nascimento de Shakespeare, além da possibilidade de que diferentes escritores britânicos tenham utilizado o nome William Shakespeare como assinatura literária.
Além de discutir a atribuição das obras, o livro também promete analisar o contexto social em que os textos foram produzidos, especialmente no que diz respeito ao papel feminino na Inglaterra elisabetana e jacobina. “(A autora Irene Coslet) explica que o feminismo já existia na Inglaterra elisabetana e jacobina. Revela não só que Shakespeare era uma mulher, mas também que ela defendia as mulheres. Reintegra Emilia ao contexto da época, por exemplo, explorando a relação entre Emilia e a Rainha Elizabeth I”, acrescenta a descrição.

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