30 anos de horror

Resident Evil 1: "Pai" dos jogos de terror completa 30 anos

Primeiro jogo de zumbis da saga da Capcom, lançado em 1996, inaugurou uma era para o gênero do terror dentro dos videogames. O Correio preparou uma matéria especial para trazer detalhes do pilar inicial da saga

O primeiro jogo da franquia mais amada de zumbis no mundo dos games completa 30 anos de lançamento, sendo um pilar crucial para a expansão e desenvolvimento do terror nos videogames. -  (crédito: Reprodução/Capcom)
O primeiro jogo da franquia mais amada de zumbis no mundo dos games completa 30 anos de lançamento, sendo um pilar crucial para a expansão e desenvolvimento do terror nos videogames. - (crédito: Reprodução/Capcom)

O primeiro jogo da franquia de zumbis da Capcom completa 30 anos de existência e deu origem a uma base de fãs gigantesca no mundo dos games. Resident Evil - originalmente chamada de Biohazard no Japão, ou Risco Biológico, traduzido em português - foi lançado em 22 de março de 1996 para PlayStation 1. Criado por Shinji Mikami e Tokuro Fujiwara, o título foi a guia para um gênero em ascensão: o survival horror. 

Até hoje a franquia reúne fãs e tem o título de saga de horror mais adorada do mundo dos games, sendo referência para muitos outros estúdios com diferentes revoluções ao longo da trilha de seus lançamentos. Mas como foi o desenvolvimento do primeiro jogo? Quem são as mentes por trás da saga Resident Evil? E como a franquia cresceu e se tornou um sucesso? Essas e outras perguntas o time de games do Correio se uniu para responder, neste especial sobre o primeiro Resident Evil. 

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O remake de Sweet Home

Sweet Home do Nintendinho, o jogo que veio a inspirar o primeiro jogo de Resident Evil.
Sweet Home do Nintendinho, o jogo que veio a inspirar o primeiro jogo de Resident Evil. (foto: Reprodução/Capcom)

Tudo começa com o jovem Shinji Mikami, que assistiu nos cinemas o filme do pai dos zumbis, George Romero, O Despertar dos Mortos (1978). Um dos títulos que foi uma revolução dentro do terror no mundo do cinema, vendo-se inspirado pela temática do filme, um pedacinho das ideias de Romero semearam frutos na cabeça de Mikami. O desenvolvedor trabalhava na Capcom há algum tempo, tendo participado de alguns jogos da Disney, o jogo do pateta, Goof Troop e Aladdin, ganhando reconhecimento dentro da empresa por conta do sucesso de ambos os títulos.

O segundo ponto principal dessa história é Tokuro Fujiwara, um designer de games da Capcom que ficou fascinado com a ideia de refazer nos novíssimos gráficos 3D do PlayStation 1, o RPG Japonês, Sweet Home. O título foi inspirado no filme de terror lançado em 1989 que foi adaptado para os games no fim de dezembro do mesmo ano, saindo para o Nintendinho. O jogo trazia cinco personagens investigando a Mansão Mamiya, resolvendo quebra-cabeças ao longo da jornada, com as portas abrindo simbolizando uma tela de carregamento e diversas animações de morte - Tantas coincidências com o produto final.

Foi numa reunião entre Fujiwara e Mikami que surgiu a ideia de produzir um jogo novo a partir dos conceitos de Sweet Home. Contudo, a Capcom queria uma nova Propriedade Intelectual, então baseado nos conceitos da adaptação de Sweet Home, surgiu o rascunho do que se tornaria Resident Evil. 

RE1

A beta mostrando uma versão bem diferente do jogo final.
A beta mostrando uma versão bem diferente do jogo final. (foto: Reprodução/Capcom)

Resident Evil teve o pontapé na sua produção oficialmente em 1993, inicialmente, Mikami trabalhava sozinho no título e conforme o projeto cresceu em escopo, ele foi adicionando pessoas à produção. Assim nasceu o “Team Horror”. Originalmente a ideia era trazer militares enfrentando robôs, mas então a ideia dos zumbis de George Romero ressoou mais alto e foi a linha guia para os inimigos e a temática principal do jogo.

Dentro da Capcom, os primórdios do que seria Resident Evil eram tratados como um jogo de médio porte, assim como os demais que a Capcom produzia naquela época. O jogo levou 27 meses em produção, sendo iniciado em 1994 e finalizado em 1996, originalmente era esperado que o projeto demorasse de 18 à 24 meses. Contudo, por conta da novidade dos 32-bits do PlayStation 1, os criadores sempre esbarravam na barreira do que era possível dentro do desenvolvimento na nova plataforma. 

O jogo ficou muito pesado para ser completamente produzido em 3D, como era a ideia inicial, então para salvar espaço no disco, o estúdio criou um método para produzir os cenários em 2D utilizando ângulos de câmera para brincar com a perspectiva para tornar o ambiente em três dimensões. É possível ver esse planejamento no desempenho, quando o jogador encontra outros personagens ao longo da campanha, geralmente os encontros são em locais vazios e sem objetos em 3D na sala.

 

Ilustrações originais de como seriam os personagens do primerio jogo.
Ilustrações originais de como seriam os personagens do primerio jogo. (foto: Reprodução/Capcom )

Com a produção avançada, a Capcom removeu a mira automática e limitou o número de tinta que o jogador poderia carregar para salvar o jogo. Havia ainda um plano de que os itens colocados em uma caixa, não fossem recuperados em outra, mas ela acabou sendo abandonada. O jogo teve pelo menos 3 versões exibidas em convenções e eventos de finalmente ser lançado, algumas delas inclusive só tinham Chris Redfield como personagem jogável.

Por fim, em 22 de março de 1996, chega ao mercado japonês, Biohazard. A meta inicial da Capcom era que o jogo vendesse 200 mil cópias, o que foi alcançado e superado por muito, apenas no PlayStation 1, Resident Evil vendeu 2 milhões de cópias. Para os cofres do estúdio japonês, o título rendeu quase 300 milhões de dólares.


História 

Os protagonistas do primeiro jogo, Chris Redfield e Jill Valentine.
Os protagonistas do primeiro jogo, Chris Redfield e Jill Valentine. (foto: Reprodução/Capcom)

A história do jogo começa em 1998, nos arredores da pequena Raccoon City, onde assassinatos brutais começam a chamar a atenção das autoridades. Para investigar o mistério, a polícia da cidade envia um time de operações especiais da polícia, a equipe Bravo da unidade de elite S.T.A.R.S. (Serviço de Táticas Especiais e de Resgate) para cuidar do caso, porém logo após entrar na área da floresta, eles perdem o contato com a base. 24 horas se passaram sem contato com Bravo, a delegacia então decide enviar a equipe Alpha, que se surpreenderam ao encontrar o helicóptero do outro time totalmente abandonado.

Em seus primeiros momentos na região, o time é atacado por cães infectados e acabam conseguindo refúgio em uma mansão que aparentava estar abandonada. Contudo, o lugar escondia segredos sombrios, os personagens descobrem que o casarão estava repleto de criaturas mutantes, como zumbis e outros monstros, resultados falhos de experimentos com o vírus T. 

Então no papel de Chris Redfield ou Jill Valentine, o jogador deve investigar o local e desvendar a verdade por trás dos experimentos e do misterioso desaparecimento do time Bravo. 

No ponto alto da história, os sobreviventes enfrentam Tyrant, a arma biológica mais forte já criada pela Umbrella. Após derrotá-lo e ativar o sistema de autodestruição do laboratório, a dupla consegue fugir da mansão antes da explosão. Mesmo com a sobrevivência de Jill, Chris e seus aliados, eles percebem que a ameaça está apenas começando.


Curiosidades

Com 30 anos de vida, o jogo original de Resident Evil também possui uma série de curiosidades sobre si, veja aqui algumas:


  • O jogo não possui um final canônico jogável! Os eventos da história são alterados de acordo com o personagem que o jogador escolhe (Jill ou Chris) e as ações tomadas durante a campanha. O final canônico que a série acompanha é uma mistura das histórias dos dois protagonistas onde todos saem vivos do laboratório.


  • Apesar de muitos acharem que é o Chris Redfield, o homem apresentado na capa original do jogo não é nenhum personagem da história, mas sim um soldado qualquer que o artista Bill Sienkiewicz achou que combinaria com a temática do jogo.

A capa do primeiro Resident Evil.
A capa do primeiro Resident Evil. (foto: Reprodução/Capcom)

  • No remake de Resident Evil, o diário do arquiteto da mansão, George Trevor, possui uma anotação do dia 31 de novembro, porém os desenvolvedores se esqueceram que novembro só tem 30 dias
  • Como o nome da franquia no Japão é diferente: Biohazard. O nome Resident Evil surgiu quando a Capcom trouxe o jogo para o ocidente e, devido à existência de uma banda punk e um jogo de computador da época, eles foram forçados a escolher um novo nome, e Resident Evil foi o selecionado.

Título original de Resident Evil no Japão.
Título original de Resident Evil no Japão. (foto: Reprodução/Capcom)

  • Originalmente, o jogo seria mais um FPS (Jogo de tiro em primeira pessoa). Porém, após entrar em contato com o jogo Alone in the Dark, o criador, Shinji Mikami, decidiu adotar os jogos de câmera fixos que se tornaram marca registrada da série.

Sequências

Em comemoração ao aniversário da saga a Capcom soltou uma arte especial com todos os protagonistas da franquia numerada.
Em comemoração ao aniversário da saga a Capcom soltou uma arte especial com todos os protagonistas da franquia numerada. (foto: Divulgação/Capcom)

E claro, após o sucesso que foi o RE1, a Capcom não perdeu tempo e desenvolveu dois jogos que marcariam para sempre os fãs da saga: Resident Evil 2 (1998) e Resident Evil 3 (1999). A sequência começa com a chegada de Claire Redfield à Raccoon City procurando seu irmão, Chris, assim como o novo recruta da polícia da cidade, Leon S. Kennedy, em 29 de setembro de 1998. Os dois se encontram em um posto de gasolina perto da entrada da cidade quando são atacados por zumbis e passam a maior parte dos eventos separados, descobrindo o trabalho sujo feito pela Umbrella Corporation, que foi responsável pelo surto na cidade e pelo caos que caiu sobre Raccoon City naquela noite. Aqui também conhecemos a mercenária Ada Wong, que ao mesmo tempo ajuda Leon a sobreviver e rouba uma amostra do vírus para o seu cliente. 

Já o terceiro game, se passa quase no mesmo período em que Leon e Claire estão sobrevivendo no inferno da delegacia, começando em 28 de setembro e terminando em 1° de outubro de 1998. Contudo, a protagonista da sequência é Jill Valentine, agente S.T.A.R, que está sendo caçada pela arma biológica Nemesis pelas ruas de Raccoon City, programada para eliminar todos os agentes. Se o Mr. X deu trabalho aos jogadores, Nemesis se mostrou ainda mais incisivo e violento. A agente S.T.A.R acaba infectada e sua jornada é encontrar uma cura, sobreviver à arma biológica enviada para lhe matar e fugir da cidade que está prestes a ser bombardeada pelo governo, a fim de controlar o surto. 

Já em Resident Evil 4 (2005) temos um local totalmente diferente, mas com um velho amigo: Leon S. Kennedy. Um dos jogos mais populares da saga - Principalmente no Brasil -  e campeão de vendas por longos anos, o RE4 marcou a comunidade pela história envolvente, mecânicas novas e muita ação. Seis anos após o inferno em Raccoon City, Leon é enviado para a Espanha para resgatar a filha do presidente norte-americano, Ashley Graham, que foi sequestrada pelo culto “Los Illuminados”. Enfrentando um vilarejo totalmente infectado pelo vírus ‘Las plagas’, lidando com a ambiguidade de Ada e mantendo Ashley viva, Leon passa por uma verdadeira provação no castelo e na vila até conseguir sair vivo com a filha do presidente ao seu lado — que diga-se de passagem, deu muita raiva nos jogadores por não ser uma NPC muito otimizada. 

O quinto jogo sequencial lançado em 2009 acompanha Chris Redfield, agora agente da BSAA que foi enviado em uma missão para a África com intuito de descobrir onde está sua parceira, Jill Valentine, que foi dada como morta. Chris se une à agente local Sheva Alomar e juntos enfrentam Albert Wesker. que está controlando Jill, com um novo vírus Uroboros. Wesker quer liberar o patogênico para forçar uma “evolução” da raça humana e os dois precisam conter os planos megalomaníacos do vilão. 

Em 2013 a Capcom lançou o sexto da franquia — que não é muito querido pelos fãs — que acompanhou quatro campanhas interligadas: Leon S. Kennedy com Helena Harper, Chris Redfield com Piers Nivans, Jake Wesker com Sherry Birkin e uma solo protagonizada por Ada Wong. Focado muito mais em ação e com mais desenvolvimento dos personagens que em outros jogos, eles enfrentam um novo horror: o altamente contagioso Vírus-C. A narrativa se desenrola entre a América do Norte, o estado devastado pela guerra na Europa Oriental, Edonia, e a cidade chinesa de Lanshiang, se passando entre dezembro de 2012 até junho de 2013. Em cada campanha há um objetivo central que acaba se cruzando com os demais em cinemáticas que apelam para a nostalgia da saga. 

Cinco anos depois, a Capcom renova a franquia com personagens totalmente novos, além de uma narrativa e cenários bem diferentes dos anteriores, retornando a trama para algo minimalista. No sétimo jogo, acompanhamos Ethan Winters procurando sua esposa, Mia, que desapareceu há três anos. Ele acaba chegando em uma mansão macabra na Louisiana, nos EUA, e passa por verdadeiros episódios de terror. Primeiro jogo da saga em primeira pessoa, Resident Evil 7: Biohazard (2017) trouxe de volta, e com força, todo o potencial do survival horror e terror que os fãs mais antigos gostavam. Na mansão, Ethan descobre que sua esposa foi sequestrada pela macabra família Baker e está sendo controlada por uma arma biológica chamada Eveline. 

Em 2021, Capcom lançou o oitavo jogo sequencial ainda com Ethan Winters como protagonista. Dessa vez, Ethan vai resgatar sua filha recém nascida, Rose, que foi levada por Chris Redfield para um vilarejo sinistro na Europa. Resident Evil: Village tem elementos que referenciam jogos antigos, como o 4 e o primeiro, misturando ação e terror durante a história. Ethan enfrenta diversos monstros horripilantes e a Mãe Miranda, que acredita que a bebê Rose pode reviver sua própria filha. É no Village que os jogadores descobrem a origem do mutamiceto e mais detalhes do passado de Ethan Winters. 

E por fim, o jogo mais recente da saga, Resident Evil: Requiem (2026), acompanha Leon S. Kennedy quase nos seus 50 anos e introduz uma nova protagonista, Grace Ashcroft, agente técnica do FBI. A história acompanha uma série de mortes causadas por um vírus que infectou sobreviventes de Raccoon City. Grace investigava o caso quando foi sequestrada e Leon entra em cena para interrogar Victor Gideon, o sequestrador e descobrir uma cura para a infecção. Contando também com a participação de Sherry Birkin, RE9 tem terror e ação para dar e vender, além de nostalgia e fan-service para todo mundo. Com um final surpreendente e chocante para os fãs, RE9 traz novos elementos para a história geral, como o novo grupo “Connections” e a menção à Chris Redfield e o time de elite da BSAA: O Wolf Squad.

Resident Evil recebeu um remake em 2002 para o Gamecube que foi portado em 2015 para novas plataformas sendo: Xbox 360, Xbox One, PlayStation 3, PlayStation 4 e para o PC. 

Até hoje o título é tido como um dos mais aclamados e importantes jogos dentro da indústria, principalmente por ser o pioneiro em explorar o horror de forma crucial na nova geração que nascia. Não só isso, mas a franquia foi pai de diversas outras revoluções que geraram várias tendências dentro da indústria. O terceiro jogo que deu origem a Devil May Cry e o quarto jogo que criou toda uma nova utilização de câmera dentro do mundo dos games.Resident Evil é um pilar muito importante dentro dos games e é algo muito louvável até hoje se manter relevante e com uma base de fãs tão apaixonada como a franquia de zumbis da Capcom.

 

  • A beta mostrando uma versão bem diferente do jogo final.
    A beta mostrando uma versão bem diferente do jogo final. Foto: Reprodução/Capcom
  • Os protagonistas do primeiro jogo, Chris Redfield e Jill Valentine.
    Os protagonistas do primeiro jogo, Chris Redfield e Jill Valentine. Foto: Reprodução/Capcom
  • A capa do primeiro Resident Evil.
    A capa do primeiro Resident Evil. Foto: Reprodução/Capcom
  • Título original de Resident Evil no Japão.
    Título original de Resident Evil no Japão. Foto: Reprodução/Capcom
  • Sweet Home do Nintendinho, o jogo que veio a inspirar o primeiro jogo de Resident Evil.
    Sweet Home do Nintendinho, o jogo que veio a inspirar o primeiro jogo de Resident Evil. Foto: Reprodução/Capcom
  • Em comemoração ao aniversário da saga a Capcom soltou uma arte especial com todos os protagonistas da franquia numerada.
    Em comemoração ao aniversário da saga a Capcom soltou uma arte especial com todos os protagonistas da franquia numerada. Foto: Divulgação/Capcom
  • Ilustrações originais de como seriam os personagens do primerio jogo.
    Ilustrações originais de como seriam os personagens do primerio jogo. Foto: Reprodução/Capcom
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postado em 22/03/2026 08:15
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