Artes visuais

Artista carioca concorre a prêmio em feira de arte contemporânea em Londres

Em um mercado no qual mulheres não chegam nem perto de 50% na representação de obras em galerias e na aquisição feita por museus, Maria Chrisá quebra paradigmas

Obra de Maria Chrisá,
Obra de Maria Chrisá, "Disconnection" - (crédito: Maria Chrisá )

“Não somos minoria, mas o número de obras realizadas por mulheres, infelizmente, ainda é uma minoria absurda no circuito comercial de artes global”, afirmou a artista carioca Maria Chrisá, uma das artistas destaques da Women in Art Fair (WIAF) — feira que reúne exclusivamente obras de artistas mulheres, com o objetivo de promover a equidade de gênero no circuito artístico internacional — realizada entre os dias  7 e 10 de maio na OXO Gallery, às margens do rio Tâmisa, em Londres. Sua obra Disconnection, em parceria com Paloma Chediak, já foi destaque em Londres (The Art Pavilion - 2024) e na Holanda, onde foi exibida na Rotterdam Photo (2025). A fotoperformance integra uma série de imagens e vídeoarte que investiga os efeitos da hiperconectividade na sociedade contemporânea. 

Fascinada pelas formas da imagem e pela capacidade da fotografia de capturar fragmentos da vida real, ao mesmo tempo em que funciona como uma extensão do olhar de quem cria, Chrisá teve contato com a arte logo cedo. Aos 15 anos ganhou sua primeira câmera analógica. “Era uma Zenit XP soviética com lente manual, e comecei a fotografar de forma autodidata. Mais tarde, atuei no mercado de fotografia documental e no jornalismo, até migrar para o audiovisual”, conta. 

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Em 2015, foi para a Inglaterra para cursar mestrado. Foi quando se aproximou do cinema, mas no decorrer do caminho sua trajetória a levou para diferentes formas de experimentação dentro das artes visuais. Atualmente, a prática de Chrisá se desdobra em narrativas que investigam as camadas sutis da temporalidade, os impactos desumanizantes da tecnologia sobre o humano, a era da pós-verdade e os diálogos possíveis entre imagem, memória e natureza.

Na WIAF, foi a primeira vez que a artista concorreu  a um prêmio internacional com um projeto individual. “Mas em 2024 fui uma das finalistas do Unlimited International Open Awards em um projeto de coparceria com uma britânica. Aqui no Brasil, ainda não concorri a prêmios, mas conquistei editais-prêmios que ocorreram durante a pandemia, como o Arte como Respiro, do Itaú Cultural (2020) e outros em parceria com o grupo de performance feminino que cofundei, Coletivo Ilusórias — FUNARJ e FUNARTE”, explica. 

Apesar de não ter sido premiada na WIAF, Chrisá afirma ser uma conquista enorme ter sido selecionada para concorrer. “Entrar no mercado de artes internacional não é nada fácil”, conta. A WIAF é voltada apenas a obras de artistas que se consideram mulheres e a edição deste ano contou com um ‘blind selection’ (recrutamento às cegas). “É o tipo de seleção que mais me importa, pois o júri seleciona as obras sem saber quem são as autoras. Numa época em que temos a falsa imagem de quem somos nas redes sociais, número de seguidores e a pressão pela venda, é essencial que a relevância da obra seja priorizada”, afirma Chrisá.

A artista conta que não tem garantias de novas exposições, mas vai “traçando um caminho intuitivo, de passo em passo”. 

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postado em 14/05/2026 11:09
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