
O compositor, multi-instrumentista e pesquisador brasiliense Daniel Pitanga apresenta ao público, no sábado (4/7), o seu primeiro álbum autoral, Margens. O lançamento será celebrado com um show gratuito, às 20h, no Espaço Cultural Renato Russo, reunindo uma orquestra popular de câmara formada por artistas de destaque da cena musical do Distrito Federal e convidados especiais.
Formado em Arranjo pela Escola de Música de Brasília (EMB), Daniel Pitanga desenvolve atualmente doutorado no Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB), onde pesquisa a cultura popular de tradição oral e a formação de professores de música. Nos últimos anos, tem direcionado sua produção artística à viola caipira e à sanfona brasileira.
Embora já tenha atuado durante anos como arranjador, diretor musical e produtor fonográfico de diversos projetos, Daniel afirma que este trabalho marca um novo momento em sua carreira. “Este é o primeiro álbum que lanço como artista solo exclusivamente com músicas de minha autoria”, destaca. Segundo ele, o disco reúne composições escritas em diferentes momentos da vida, mas conectadas por uma mesma pesquisa estética e cultural.
O título Margens também carrega um significado pessoal. Inspirado na obra de Guimarães Rosa, especialmente no conto A terceira margem do rio, o músico explica que o nome simboliza tanto uma travessia quanto um mergulho interior. “Margens me remete ao mesmo tempo a um profundo mergulho e a uma grande travessia em busca de mim mesmo. Uma espiral com partida e chegada em um mesmo ponto, mas com diferentes camadas”, afirma.
Resultado de anos de pesquisa, aprendizado e convivência com manifestações da cultura popular brasileira, o álbum reúne sete faixas que transitam entre ritmos tradicionais, referências indígenas e afro-brasileiras e a sonoridade da viola caipira. Daniel explica que essa diversidade aparece de forma orgânica nas composições: “Não temos a pretensão de executar ou explorar essa diversidade com exatidão, como fazem os detentores desses saberes. Apenas tomamos, com muito respeito, essas influências como pontos de inspiração, por sermos brasileiros e a todo tempo atravessados por essas culturas.”
Protagonismo feminino
O repertório reúne seis composições para orquestra popular de câmara e um samba de roda inédito, criado em parceria com o Coletivo Sambadeiras de Roda especialmente para o projeto. As obras foram desenvolvidas de forma colaborativa durante encontros em sala de ensaio com as musicistas convidadas, dando ao disco um caráter coletivo.
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Responsáveis pela faixa que encerra o disco, as Sambadeiras de Roda representam, segundo Daniel, uma ligação afetiva com suas raízes familiares baianas. “Eu penso que as Sambadeiras de Roda são uma força da natureza. Antes de poder ter tido a chance de ser parceiro delas, eu sou primeiro um fã declarado do grupo”, conta. Para ele, o samba de roda que fecha o álbum funciona como uma grande celebração e um contraponto à sonoridade predominantemente instrumental das demais faixas.
No palco, Daniel é acompanhado por Thanise Silva (flauta transversal), Taís Vilar (clarineta e clarone), Maísa Arantes (rabeca), Jordana Rodrigues (violino), Paula Zimbres (contrabaixo acústico), Jéssica Carvalho e Lirys Catharina (percussão). O espetáculo tem ainda as participações de Gabriel Silveira, parceiro de Daniel no Duo Rebento, Laila Emanuely (violão de sete cordas), Lúcia Valeska (violoncelo) e do Coletivo Sambadeiras de Roda.
Além do show, o projeto promove uma oficina gratuita de Samba de Roda, às 16h do mesmo dia, conduzida pelo Coletivo Sambadeiras de Roda. Voltada para participantes a partir de 12 anos, a atividade apresenta de forma prática elementos do Samba de Roda Rural, incluindo cantos, dança e os toques básicos de instrumentos tradicionais. Não é necessário ter experiência prévia.
O lançamento de Margens também marca o encerramento do projeto Aprendendo com Elas, idealizado por Daniel para fortalecer o protagonismo feminino na música do Distrito Federal. A iniciativa promoveu rodas de conversa com artistas da cena brasiliense, criando espaços de troca de experiências e reflexões sobre equidade de gênero no mercado musical. Como desdobramento, também serão lançados um caderno de partituras com as composições do álbum e um minidocumentário que registra o processo de criação do projeto sob a perspectiva das musicistas participantes.
“O nosso projeto cultural tem como pilares principais o protagonismo, a formação e a criatividade da mulher musicista. Em todas as etapas, bem como no show, a presença e a musicalidade delas é o ponto mais importante”, ressalta.
O show tem entrada gratuita, mediante retirada antecipada de ingressos pela plataforma Sympla. A classificação indicativa é livre.
Serviço
Lançamento de “Margens”
4 de julho, às 20h, no Espaço Cultural Renato Russo. Entrada Franca, mediante retirada de ingressos na plataforma Sympla.
*Estagiária sob a supervisão de Nahima Maciel
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