
O grupo brasiliense Benzadeus lançou, no dia 7 de agosto, o álbum *BenzaElas*, projeto que reúne seis vozes femininas da música brasileira em uma celebração ao protagonismo das mulheres no pagode. Disponível nas plataformas digitais, o trabalho tem parceria com Ivete Sangalo, Marvvila, Lary, Ayla, Mannda Lym e Amanda Amado.
“Sempre existiram mulheres fundamentais no samba e no pagode, cantando, compondo, produzindo e trabalhando nos bastidores. Muitas vezes, porém, essa contribuição não recebe a mesma visibilidade. O BenzaElas nasceu da vontade de reconhecer uma presença que sempre existiu”, explica Diego Pedigree, banjista do Benzadeus.
A intenção, segundo ele, não era apenas reunir participações femininas em um álbum, mas fazer com que elas virassem o eixo central da proposta: “Queríamos que as mulheres fossem o centro do projeto e que cada encontro tivesse identidade, força e verdade. Foi quando entendemos isso que percebemos que não estávamos apenas diante de um novo DVD, mas de um trabalho capaz de deixar uma mensagem.”
Gravado em 2 de junho, nos estúdios da Som Livre, no Rio de Janeiro, o projeto chegou às plataformas pouco mais de dois meses depois. “Foi um trabalho muito intenso, porque tínhamos seis artistas com trajetórias e universos diferentes, além de toda a equipe envolvida. Ao mesmo tempo, foi um processo muito bonito, porque todos entenderam a mensagem que queríamos transmitir”, afirma o vocalista Magrão.
O repertório apresenta Choque de Realidade, com Marvvila; Zero Estresse, com Mannda Lym; Esperando, com Amanda Amado; 5 Letras, com Lary; e Enxuga o Rosto, com Ayla. O álbum também traz a inédita Gostosíssima e a faixa-título BenzaEla*, que reúne todas as convidadas.
Entre as participações, Ivete Sangalo ocupa um lugar de destaque. A aproximação com a cantora ganhou força depois de o Benzadeus dividir o palco com ela na turnê *Clareou*, em Porto Alegre. A partir daí, o nome de Ivete surgiu naturalmente nas conversas sobre o projeto.
A cantora aceitou o convite para interpretar Amar se Aprende Amando.
“Trabalhar com a Ivete foi uma aula. Ela chegou muito disponível, generosa e envolvida com a proposta”, conta Vini. Segundo o percussionista, a cantora também contribuiu para a construção da música e colocou sua personalidade na interpretação.
A escolha das músicas e das artistas aconteceu de forma conjunta. “Não queríamos simplesmente escolher uma canção e depois encaixar um nome nela. Buscamos entender qual voz, interpretação e personalidade poderiam transformar cada faixa em um encontro verdadeiro”, afirma Magrão.
Neném explica que a diversidade de trajetórias foi um dos critérios para a seleção das convidadas: “A Ivete representa uma força imensa da música brasileira e tem uma relação muito verdadeira com o samba e o pagode. A Marvvila traz a vivência de uma mulher que ocupa o gênero e vem ajudando a construir o pagode atual. Lary, Ayla, Mannda Lym e Amanda Amado chegam com personalidade, potência e identidades muito próprias, mostrando a diversidade e a renovação presentes nessa geração.”
Da capital para o país
A história do Benzadeus começou em Brasília, no fim de 2020. Pedigree (banjo e voz) e Neném (pandeiro), amigos de longa data, se reuniram com o fundador do Grupo Menos É Mais, Jorge Farias, para discutir a criação de um novo grupo de pagode. Depois, chegaram Vini (reco e voz) e Das Sortes (surdo e voz). Com a entrada de Magrão (vocalista), ex-integrante do Exaltasamba, a formação foi rematada.
O primeiro show foi em Brasília e acabou se tornando um momento decisivo para a banda. A trajetória ganhou novos capítulos com a assinatura com a Som Livre, em 2022, e o lançamento do audiovisual Benza em Brasa, em 2023. Depois, vieram projetos como Ao Vivo no Brazólia, Energia Benzadeus, Pagode no Parque e Na Rota do Benza no Pelô, gravado em Salvador diante de mais de 10 mil pessoas.
Ao longo da carreira, participaram de apresentações ao lado de Sorriso Maroto, Ferrugem, Thiaguinho e outros grandes nomes do pagode. Em 2025, conquistaram o Prêmio Multishow 2025, representando o Centro-Oeste.
“Certamente, está entre os momentos mais emocionantes da nossa história. Foi o reconhecimento de uma caminhada iniciada em Brasília e construída com muito trabalho”, afirma Neném.
Para Vini, a identidade brasiliense permanece presente mesmo quando o grupo se apresenta longe da capital.
“Brasília não é apenas o lugar onde o grupo nasceu. É parte da nossa identidade. Quando levamos o Benzadeus para outras cidades, queremos que as pessoas sintam um pouco da energia, do acolhimento e da felicidade que encontramos aqui.”
A relação com a cidade também está no centro da label Deu Benza, criada pelo grupo para transformar os shows em experiências de encontro com o público. A escolha do Cruzeiro como endereço da primeira edição teve relação com a história do bairro com o samba e o pagode na capital.
A estreia reuniu mais de 2 mil pessoas e ajudou a consolidar a iniciativa.
“A label fortaleceu muito a nossa marca porque transformou a energia do Benzadeus em uma experiência”, explica Das Sortes. “O Deu Benza é do Benzadeus, mas também é do público e da cidade.”
Agora, com o BenzaElas, o grupo pretende ampliar essa experiência para além das plataformas digitais. Ainda não há um formato definido para uma turnê dedicada ao projeto, mas os integrantes estudam maneiras de levar o repertório aos palcos e promover novos encontros com as artistas participantes.
“O BenzaElas não termina no lançamento do álbum. Queremos prolongar essa conversa nos palcos, nos conteúdos, nos próximos lançamentos e em encontros que mantenham viva a mensagem do projeto”, garante Pedigree.
*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco*
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