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'Captain Tsubasa 2' entrega espetáculo de 'Super Campeões', mas tropeça na falta de conteúdo

RPG de futebol aposta em chutes especiais e partidas cinematográficas, mas problemas técnicos, poucos modos limitam a experiência

O segundo título que adapta o anime Super Campeões trazendo as seleções e os times originais do desenho.  -  (crédito: Reprodução/Bandai Namco)
O segundo título que adapta o anime Super Campeões trazendo as seleções e os times originais do desenho. - (crédito: Reprodução/Bandai Namco)

A franquia Captain Tsubasa, conhecida no Brasil como Super Campeões, retorna aos videogames com Captain Tsubasa 2: World Fighters, RPG de ação e futebol que adapta o arco World Youth do mangá e anime. Desenvolvido para reproduzir o exagero característico da obra, o título se distancia dos simuladores tradicionais e aposta em partidas que funcionam mais como batalhas do que como uma representação convencional do esporte.

Em vez de buscar a estrutura de jogos como EA Sports FC, o título transforma o campo em um espaço para habilidades especiais, dribles acrobáticos e chutes cinematográficos. São mais de 110 personagens jogáveis distribuídos em 22 seleções nacionais, com cada atleta tendo características próprias que ajudam a reproduzir a variedade do universo de Tsubasa.

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A principal mecânica é baseada em barras de HP. Jogadores gastam energia para executar determinadas ações, enquanto os goleiros também precisam administrar seus recursos durante as defesas. O sistema dá ao futebol uma dinâmica de combate, na qual cada disputa de bola pode representar uma oportunidade de causar dano ao adversário ou preparar uma jogada especial.

Os goleiros também ganharam uma mecânica interessante. Para defender um chute, o jogador precisa escolher uma entre seis direções em tempo real. Finalizações de longa distância oferecem mais tempo para reação e podem resultar em uma defesa perfeita, economizando energia do goleiro. Já os chutes próximos exigem reflexos mais rápidos e, em determinadas situações, uma tentativa de adivinhar a direção da bola.

Outro recurso são as Miracle Actions, ações especiais específicas de cada seleção e ativadas quando determinadas condições são cumpridas. Uma equipe pode, por exemplo, precisar executar uma sequência específica de jogadas para liberar uma oportunidade de finalização. A mecânica cria objetivos secundários durante as partidas e incentiva o jogador a conhecer as características de cada seleção.

O problema é que essas ideias nem sempre conseguem sustentar a experiência por muito tempo. A profundidade mecânica é limitada e, depois das primeiras horas, a estrutura pode se tornar repetitiva. As animações chamativas e os golpes especiais são responsáveis por boa parte do impacto inicial, mas perdem parte da força quando utilizados repetidamente.

Modo história

O título ganhou um novo sistema para os goleiros e promete tornar os gols mais desafiadores.
O título ganhou um novo sistema para os goleiros e promete tornar os gols mais desafiadores. (foto: Reprodução/Bandai Namco)

O modo história acompanha Tsubasa desde sua passagem pelos clubes no Brasil até o Campeonato Mundial Sub-20, colocando o jogador ao lado de um personagem criado especificamente para a campanha.

Os desafios opcionais estão entre os elementos mais interessantes da campanha. Eles incentivam o uso de diferentes jogadores e habilidades e ajudam na evolução do personagem criado. É uma maneira eficiente de fazer com que o jogador experimente recursos que poderiam ser ignorados em uma campanha linear.

O maior problema do modo história, porém, está no ritmo. As partidas são frequentemente interrompidas por diálogos, cutscenes e acontecimentos roteirizados. As transições para telas de carregamento e os cortes para telas pretas quebram a continuidade das partidas e fazem com que a experiência de jogar futebol seja constantemente interrompida.

A decisão de bloquear grande parte das seleções também prejudica a variedade. Para liberar quase todas as equipes, é necessário avançar pela campanha ou cumprir determinadas rotas. Isso significa que, durante as primeiras horas, as opções disponíveis para outros modos ficam bastante limitadas.

Um anime jogável

O jogo conta com diversas mecânicas durante a partida, com algumas resultando em cenas ao longo da partida.
O jogo conta com diversas mecânicas durante a partida, com algumas resultando em cenas ao longo da partida. (foto: Reprodução/Bandai Namco)

Visualmente, Captain Tsubasa 2: World Fighters consegue reproduzir boa parte do que torna a franquia reconhecível. Os superchutes e as ações especiais mantêm a estética do anime e dão às partidas o espetáculo esperado de Super Campeões.

As animações são provavelmente o elemento que melhor traduz a obra original para os videogames. Cada grande jogada pode se transformar em uma sequência cinematográfica, mantendo o exagero que faz parte da identidade da franquia.

Os estádios, por outro lado, não acompanham o mesmo nível de energia. O ambiente parece estático durante as partidas e não transmite a mesma sensação de espetáculo criada pelos jogadores e pelas animações. O contraste deixa o campo menos vivo do que poderia ser.

Considerações finais

 

O jogo conta com uma campanha com um personagem personalizado que pode ser utilizado também no online.
O jogo conta com uma campanha com um personagem personalizado que pode ser utilizado também no online. (foto: Reprodução/Bandai Namco)

Captain Tsubasa 2: World Fighters entende bem o que precisa fazer para transformar Super Campeões em um jogo de futebol diferente dos simuladores tradicionais. As habilidades especiais, as defesas direcionais, as Miracle Actions e as animações reproduzem o exagero do anime e dão identidade ao título.

O problema está na quantidade de conteúdo e nas limitações que aparecem quando o encanto inicial passa. A profundidade mecânica é pequena, a campanha interrompe constantemente as partidas, a dificuldade não exige muito do jogador e boa parte das seleções permanece bloqueada por várias horas.

O resultado é um jogo que consegue entregar o espetáculo de Super Campeões, mas não oferece estrutura suficiente para sustentar essa experiência por muito tempo. Para quem procura reproduzir no videogame os chutes impossíveis e as jogadas exageradas do anime, a proposta funciona. Como jogo de futebol completo, porém, a falta de modos, conteúdo e refinamento técnico acaba pesando contra a experiência.

Nota: 6,5/10

Captain Tsubasa 2: World Fighters está disponível PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch. 

*Este jogo foi enviado pela Bandai Namco Brasil para PC.

  • O jogo conta com diversas mecânicas durante a partida, com algumas resultando em cenas ao longo da partida.
    O jogo conta com diversas mecânicas durante a partida, com algumas resultando em cenas ao longo da partida. Foto: Reprodução/Bandai Namco
  • O título ganhou um novo sistema para os goleiros e promete tornar os gols mais desafiadores.
    O título ganhou um novo sistema para os goleiros e promete tornar os gols mais desafiadores. Foto: Reprodução/Bandai Namco
  • O jogo conta com uma campanha com um personagem personalizado que pode ser utilizado também no online.
    O jogo conta com uma campanha com um personagem personalizado que pode ser utilizado também no online. Foto: Reprodução/Bandai Namco
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postado em 23/09/2026 11:50
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