Cinema

Animação produzida no DF integra mostra gratuita de cinema em São Paulo

Ambientado no Brasil escravista, 'Amadeo e o hipotético Mundo Novo' questiona o apagamento histórico de personalidades negras e será exibido nesta sexta-feira (23/10), no Itaú Cultural

Animação brasiliense
Animação brasiliense "Amadeo e o Hipotético Mundo Novo" - (crédito: Gab Felistoque e Wil Prado)

Produzida no Distrito Federal, a animação brasileira Amadeo e o Hipotético Mundo Novo integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocupa o Itaú Cultural até sexta-feira (23/10), com sessões gratuitas. Dirigido por Brenda Lígia e Edu Felistoque, o longa será exibido nesta sexta, às 12h, com apresentação da diretora antes da sessão.

Com 104 minutos de duração e classificação indicativa livre, o filme transporta o espectador para o Brasil escravista e acompanha a trajetória de Amadeo, um jovem africano escravizado que inventa uma câmera fotográfica antes dos europeus. Por meio da invenção, ele busca registrar a realidade ao seu redor e encontrar caminhos para ajudar outras pessoas a conquistar a liberdade.

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Ao longo da história, Amadeo conhece Linda, filha de um poderoso fazendeiro. Unidos pelo interesse pela cultura e pela ciência, os dois estabelecem uma relação que atravessa as desigualdades e as contradições de uma sociedade marcada pela escravidão.

A ideia do filme nasceu da indignação com o apagamento de personalidades negras da história. “Onde estão as imagens de cientistas, inventores, escritores e políticos negros na história que nos contaram? Foram apagadas”, afirma Brenda. A produção parte da pergunta: “Como seria o hoje se tivéssemos feito a coisa certa ontem?”.

A fotografia ocupa um lugar central na narrativa, não apenas como instrumento de registro, mas também como possibilidade de revelar realidades e contribuir para a transformação social. Brenda explica que a obra também propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na sociedade contemporânea. “Se antes a fotografia era prova do fato, hoje muitas vezes promove a futilidade”, avalia.

Produção brasiliense

A obra passou por diferentes formatos até chegar às telas. Inicialmente concebido como um livro de ficção, o projeto tornou-se um filme com atores antes de ser transformado em animação. A escolha da linguagem, segundo Brenda, permitiu maior liberdade para criar cenários, personagens e figurinos. “A animação foi escolhida pela liberdade de imaginar tudo — cenários, personagens, figurino… mente solta e pincel na mão”, explica.

A realização do longa também evidencia as possibilidades e os desafios do audiovisual produzido no Distrito Federal. A produção é da Felistoque Cinema, sediada em Brasília, em parceria com a Sol de Barros Filmes, e contou com o estúdio Sagui, de Caruaru, Pernambuco, como coprodutor. A equipe reuniu profissionais de animação de diferentes regiões do país.

Segundo Brenda, o principal desafio foi encontrar, em Brasília, o número de profissionais necessário para desenvolver o projeto. “A cidade tem dezenas de animadores maravilhosos, mas precisávamos de centenas, por isso buscamos parcerias fora do eixo Rio-São Paulo”, conta. O trabalho remoto, em modelo de home studio, foi fundamental para viabilizar a produção.

O longa teve sua estreia mundial em junho de 2026, durante o Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China. Agora, a participação na mostra paulistana representa o reconhecimento da capacidade do cinema produzido na capital federal.

“É a prova de que o DF tem vocação para contar todas as histórias, em todos os gêneros”, afirma Brenda. Ela também destaca o potencial do setor audiovisual para gerar empregos, movimentar a economia local e transformar a produção artística em oportunidades para a cidade.

Além de Amadeo e o Hipotético Mundo Novo, a seleção inclui produções como Marcos e Arnaldo, de Santiago Dellape; Folclórica, de Rodrigo Aragão; e Esconderijo dos Gigantes, de Bárbara Cabeça. 

As sessões no Itaú Cultural são gratuitas, com ingressos reservados pelo site da instituição. O espaço fica na Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô.

Serviço

Amadeo e o Hipotético Mundo Novo

Sexta-feira (23/10), às 12h, no Teatro do Itaú Cultural — Avenida Paulista, 149, São Paulo. Entrada gratuita, mediante reserva de ingresso pelo site do Itaú Cultural. Classificação indicativa livre.

*Estagiária sob a supervisão de Nahima Maciel

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EB
postado em 22/10/2026 17:34
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