
Quando a descrição da dramaturgia da peça O Começo do fim, em cartaz neste sábado (19/9) e no domingo (20/9) no Teatro Royal Tulip, tem início pelo título, é fácil imaginar que o texto trata do final de algo, mas a atriz Isabel Fillardis garante que esse é um engano comum. A história sobre um casal que enfrenta o fim do relacionamento tem, para a atriz, outro sentido: "A gente gosta do início das coisas, do frescor, da continuidade das coisas. O fim, a gente sempre encara como acabou, deu. E, na verdade, esse espetáculo não é isso. Ele é a história desse casal — o início, o meio e a continuidade dessa história. É uma história de amor, mas com todos os seus conflitos, encontros, desencontros, desníveis, vamos dizer assim, discussões em volta dessa relação afetiva desse casal".
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Com texto de Denise Crispun e direção de Rubens Camelo, O começo do fim é uma peça sobre relacionamento, amor e rupturas. Isabel e Well Aguiar vivem o casal recém-separado que precisa aprender a se reorganizar. A guarda compartilhada do filho é uma questão central e, a partir de certo momento, o fato de ser fruto de mãe negra e pai branco também adquire importância. Relações inter-raciais e racismo estrutural vêm à tona em uma dinâmica que trata também de afetos, silêncios, recomeços e a complexidade do amor. "Em todas as cidades a que fomos, a gente vê a identificação imediata, dos casais, das mulheres, dos homens, de quem tem filhos — fruto de uma relação interracial ou não —, há uma identificação imediata", conta Isabel. "A gente sempre diz que, a qualquer momento do espetáculo, o público vai conseguir se enxergar em alguma situação."
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Well, parceiro de Isabel na montagem da peça e na vida, conta que os dois pensaram muito antes de levar o projeto adiante. "Mexeu muito com a gente durante o processo. Pensamos se queríamos mesmo falar isso. Mexeu nas estruturas", garante. "Mas a peça não é sobre separação, é sobre o que você pode fazer depois do término, sobre como você reconstroi uma relação, principalmente quando existe um vínculo forte que é um filho."
O ator também aponta a complexidade humana como um dos temas da peça. Não há maniqueísmos nos personagens, nem lados bons ou ruins, embora os embates façam parte da reconstrução da relação. "Somos todos anti-herois tentando melhorar com o passar do tempo. Tentamos desenhar esses personagens com todas as complexidades do humano", garante. "A peça provoca essa reflexão no sentido de finalizar o que está gangrenado, o que já é tóxico. A manutenção de algo que já não existe é como colocar mais elementos na caixa de mágoas que a gente guarda."
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Guardar as mágoas para despejá-las sobre o outro de uma vez, discordar sobre os arranjos pós-separação e não conseguir estabelecer uma comunicação efetiva são alguns dos temas abordados no espetáculo. "Claro que existem as questões, aquele momento em que a comunicação falha. É aí que entra a questão: a hora que a comunicação falha, a hora que você guarda coisas, a hora que não tem escuta. O espetáculo vai falando um pouco sobre isso", diz Isabel.
Serviço
O começo do fim
Com Isabel Fillardis e Well Aguiar. Sábado (19/9), às 18h e às 20h30, e domingo (20/9), às 16h e às 18h30, no Teatro Royal Tulip - Hotel Royal Tulip Alvorada (SHTN Trecho 1, Conjunto 1B, Bloco C). Ingressos: a partir de R$ 20, no Sympla. Não recomendado para menores de 12 anos
Diversão e Arte
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