
A arte como uma prática de inclusão social na área de saúde mental é um dos objetivos da exposição Delirar a Vida | Refazer o Mundo, em cartaz no Museu Nacional da República e fruto do projeto Desalinhos e Costuras — Arte e Loucura. Com curadoria da psicanalista Tânia Rivera, a exposição reúne obras de quatro artistas, além da projeção de 130 obras em nove monitores espalhados pelo espaço. "É uma exposição que busca ativar o campo da arte como um campo de inclusão social, mas não só isso, também como um campo de problematização e até de suspensão de delimitações excludentes e opressoras", explica Tânia.
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O projeto recebeu mais de 430 inscrições e os artistas escolhidos para a exposição, realizada com verbas do Fundo de Apoio à Cultura e coordenada por Yasmim Adorno, têm origens variadas. "Temos pessoas diagnosticadas no campo da saúde mental, com transtornos psiquiátricos, mas também pessoas que não têm um diagnóstico preciso, artistas que fazem parte de alguma instituição ou ateliê na área de saúde mental, mas também artistas que não são pacientes psiquiátricos, porque o que a gente quer é tentar fazer da arte um dispositivo de inclusão das pessoas que têm reconhecidamente um transtorno, mas num campo de questionamento dessas etiquetas", avisa a curadora. No edital de chamamento, a condição era que as obras tivessem sido realizadas em contextos de saúde mental.
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Esta é a segunda edição do Desalinhos e Costuras — Arte e Loucura, que reúne também três coletivos atuantes na área de arte e saúde mental em Brasília — o Bloco do Rivotrio, Maluco Voador e Cia Atravessa a Porta. Os dois últimos nasceram no CAPSII do Paranoá em 2012 e trabalham com música, teatro, cinema e performance. A temática do delírio, que guia o título da exposição, é uma provocação da curadora. "Delírio não como um sintoma psiquiátrico, mas como uma potência de invenção do mundo que a arte traz", diz. "A arte é o lugar cultural por excelência do delírio e da reinvenção de modos de estarmos juntos."
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Com uma produção conectada ao ativismo antimanicomial, a gaúcha Sol leva ao museu trabalho ancorado na poesia, na música e na performance, enquanto Evandro Câmara, de Porto Velho (RO), apresenta pinturas nascidas de suas próprias vivências às margens do Rio Madeira. Do Rio de Janeiro, Altair Algudás reflete sobre desigualdades sociais em obras que incorporam poesia e literatura e Igor Alves, de Belo Horizonte (MG), traz o bordado como prática desenvolvida no Centro de Convivência Oeste. Única participante de Brasília, Vanessa Liberato combina memória e território em produção que mescla pintura, performance, escrita e vídeo.
Serviço
Delirar a Vida | Refazer o Mundo
Exposição que faz parte do projeto Desalinhos e Costuras — Arte e Loucura. Curadoria: Tânia Rivera. Com os artistas premiados Evandro Câmara, Sol, Vanesa Liberato, Igor Alves e Altair Algudás. Visitação até 8 de novembro, diariamente, das 9h às 18h30, no Museu Nacional da República
Diversão e Arte
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