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Saltando um nível: como preparar o aluno para o ensino fundamental 2

A transição do ensino fundamental 1 para o 2 é um momento desafiador tanto para o aluno quanto para a família. Saiba como fazer essa adaptação da melhor forma

Daniele Felix*
postado em 27/09/2026 00:00
 Maria Emanuela com os pais, Francis e Carolina: uso da caneta é apenas um dos marcos da transição -  (crédito:  Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Maria Emanuela com os pais, Francis e Carolina: uso da caneta é apenas um dos marcos da transição - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Desde a infância até a fase adulta, é preciso lidar com uma série de mudanças na vida escolar. Uma das mais importantes é a transição dos anos iniciais aos anos finais do ensino fundamental. Novos — e vários — professores, uma dinâmica completamente diferente de organização dos horários e as transformações no próprio desenvolvimento da criança. É exatamente por esse momento desafiador que a estudante do 5º ano do ensino fundamental 1 Maria Emanuela, 10 anos, está passando.

A aluna do colégio La Salle relata que algumas partes do processo começaram a ser desenvolvidas com os alunos ainda no 5º ano. "A gente faz algumas provas e algumas redações e já usa caneta", exemplifica. A experiência descrita por Emanuela é reforçada por Camilla Benevides, supervisora pedagógica do colégio, que explica como é feito o processo de adaptação dos alunos desde o início do 5º ano.

"Os alunos começam a fazer instrumentos avaliativos com maior dificuldade, passam a escrever mais, a participar de mais olimpíadas do conhecimento, a participar de mais escritas para livros literários e para projetos literários de uma forma geral", detalha. Ainda segundo a educadora, os alunos são incentivados a participar de mais projetos de monitoria, o que também ajuda com a adaptação a todas as mudanças.

Para a coordenadora pedagógica da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) Rosemary dos Santos Menezes, a melhor adaptação do aluno nessa nova fase depende de uma ação conjunta entre a escola e os responsáveis. "Embora separados por tempo e espaço, essas partes precisam se articular para que, em cooperação, trabalhem em prol da adaptação estudantil", justifica.

A criação de um meio acessível entre responsável e escola é fundamental para que a ação de educar e auxiliar o estudante seja feita de forma conjunta. "O orientador educacional, em articulação com os demais setores da instituição, poderá fazer o intercâmbio de informações, oferecendo orientações, ferramentas e acompanhamentos voltados ao êxito estudantil e à parceria familiar no processo de ensino e aprendizagem", enfatiza.

Para os pais de Maria Emanuela, a instituição onde a filha estuda faz esse papel muito bem. "Além de ter as atividades em si, o conteúdo é conversado primeiro com as crianças e, depois, a escola convoca os pais para explicar", explica Francis Farias, pai de Emanuela. Para eles, um grande diferencial no processo é a possibilidade de, na escola, a educação ser complementar à que é passada em casa. "Um ponto muito importante para nós é que a escola tem valores muito semelhantes aos nossos, então não tem aquela quebra do que são os valores dentro de casa e os dentro do colégio. Além do conteúdo, tem essa parte que gera uma comunhão", acredita.

Acompanhamento

Segundo Rosemary, o ideal para que os estudantes não se percam no momento da transição e consigam acompanhar o ritmo é que o corpo docente, em parceria com a família, crie um fluxo contínuo para que a mudança não seja algo abrupto. "Os orientadores educacionais, em articulação com os professores, desenvolvem práticas ao acolhimento do estudante, envolvendo desde rodas de conversa sobre auto-organização, rotina e hábitos de estudos até encontros com a família sobre a avaliação e o regimento escolar", descreve a coordenadora.

Esse método é descrito também pela supervisora Camila. "É uma mudança muito grande, então falamos de todas as etapas, dia após dia. Chegando ao segundo semestre, isso se intensifica. Eles usam mais caneta, passam a conhecer como funciona o preenchimento de um cartão-resposta", detalha.

"É importante lembrar que a transição não é um momento pontual, mas, sim, uma ação processual, institucional, que inicia quando o estudante ingressa na escola", acrescenta Rosemary Menezes. Os pais de Maria Emanuela também sentem que a escola cumpre com o objetivo. "Percebemos que é uma coisa gradativa. Mesmo ela estando no ensino fundamental 1, a gente nota a diferença do ano passado para esse", ressalta Francis.

Carolina Farias, mãe de Emanuela, acredita que a filha passou, desde o ano passado, a sentir uma necessidade maior de se esforçar e se colocar mais à frente como condutora do próprio estudo. "O colégio vai inspirando a autonomia e preparando. No ano passado, era tudo bem mastigadinho; este ano, a Maria já vai sentindo que tem que ser mais protagonista e correr atrás", explica.

Ao mesmo tempo em que os pais consideram a mudança uma nova aventura a ser vivida por Maria Emanuela, acreditam que, com o apoio que tem da escola, a estudante vai se dar bem na nova fase. "Eu pretendo passar para a Maria sempre essa confiança de que ela é capaz, porque ela já viveu outros desafios. Nós somos missionários católicos e, por isso, a Maria já viveu outras realidades de mudança. Ela nasceu no Chile, mudou para o Brasil, então eu acredito que agora é mais uma transição que ela vai viver", ressalta Carolina.

* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

 


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