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Muito além da mensalidade: saiba como calcular o custo real da escola

Pais precisam observar reajustes, descontos, multas e cobranças extras, e colocar na ponta do lápis gastos com material, uniforme, transporte, alimentação e outras atividades

Giovanna Rodrigues
postado em 27/09/2026 05:49
Juliana se planeja mensalmente pensando em gastos com o ensino dos filhos Heitor, 10, e Pedro, 8 -  (crédito: Arquivo pessoal)
Juliana se planeja mensalmente pensando em gastos com o ensino dos filhos Heitor, 10, e Pedro, 8 - (crédito: Arquivo pessoal)

Escolher uma escola particular envolve muito mais do que comparar o valor das mensalidades. Proposta pedagógica, localização, horário das aulas, estrutura oferecida e adaptação da instituição às necessidades da criança também entram na decisão. Mas, para que a escolha seja sustentável ao longo do ano, a família precisa olhar com atenção para outro ponto: o custo total da educação.

A mensalidade é apenas uma parte dessa conta. Matrícula ou rematrícula, material didático, uniforme, transporte, alimentação, passeios, festas, atividades extracurriculares e eventuais serviços adicionais podem representar uma parcela significativa das despesas. Quando esses valores não são previstos, o orçamento familiar pode sofrer impactos inesperados, especialmente nos meses de início do ano letivo.

Para o professor Marilson Dantas, da Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (Face/UnB), é necessário observar o conjunto de serviços oferecidos e calcular quanto a instituição custará ao longo de um ano. "Uma escola pode ter mensalidade mais alta, mas oferecer alimentação, atividades, estrutura ou uma carga horária maior. Outra pode apresentar um valor inicial mais baixo, mas cobrar separadamente por vários serviços", alerta. Por isso, a família deve levantar todos os gastos previsíveis com a educação e, depois, avaliar o impacto dessa soma sobre a renda disponível. 

A mesma orientação é feita pelo especialista em finanças Hulisses Dias, formado pela Universidade de Sorbonne. Para ele, o primeiro passo é abandonar o "achismo" e analisar a renda líquida mensal da família, considerando quanto pode ser destinado à educação sem comprometer despesas essenciais, como moradia, saúde e investimentos.

Dias afirma que os gastos com educação podem representar entre 20% e 30% do orçamento total da família. O percentual, porém, não deve ser tratado como uma regra universal: cada casa tem uma realidade, despesas fixas e prioridades diferentes.

Despesas adicionais

Na hora de fazer as contas, alguns gastos acabam ficando fora do planejamento. O material escolar costuma aparecer logo no início do ano, mas despesas menores, recorrentes ou imprevisíveis, podem pesar. A pedagoga Juliana Melo, é mãe de Heitor, 10 anos, e Pedro, 8, ambos estudando em escola particular. Ela conta que costuma organizar o valor das mensalidades mês a mês, mas precisa reservar espaço para as despesas que surgem durante o ano. "É uniforme que rasga, é um casaco que some, é um tênis que fica pequeno do nada, é uniforme extra de futsal. Essas coisas vão acontecendo", relata.

Segundo Juliana, o lanche é uma das despesas mais difíceis de prever. Os passeios e eventos também exigem atenção, pois são gastos que nem sempre são informados previamente. O transporte para atividades fora da escola é outro item que pode passar despercebido. Caso a criança faça esporte, reforço escolar ou outra atividade, a família precisa considerar mensalidade, deslocamento e quem ficará responsável por levar e buscar.

Para Dias, a melhor maneira de evitar sustos é calcular as despesas sazonais e dividir o total por 12. Assim, a família pode separar mensalmente uma quantia para gastos que não aparecem todos os meses. "Preparando-se assim, quando a despesa chegar, o dinheiro já estará separado e não desequilibrará o orçamento daquele mês."

A lógica também vale para o transporte. Quem leva a criança de carro deve considerar não apenas o combustível, mas também estacionamento e desgaste do veículo. No caso de van escolar ou transporte público, é importante calcular o custo previsto para todo o ano letivo. 

Hullisses também explica que a alimentação deve ser levada em conta, mesmo que seja incluída nas compras do mês. "Levar o lanche de casa ou comprar a alimentação na cantina pode gerar custos bastante diferentes", justifica. 

 

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