Mais do que aprender a decodificar palavras, ler contribui para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. O contato com diferentes histórias amplia o vocabulário, estimula a imaginação, favorece a atenção e ajuda na construção do pensamento crítico.
Para a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, o incentivo à leitura é peça importante na evolução da criança. "A leitura é fundamental para o desenvolvimento infantil e adolescente porque vai muito além da alfabetização. Ela amplia o vocabulário, favorece a compreensão, a atenção, a imaginação e o pensamento crítico", justifica.
Na escola, diferentes estratégias podem aproximar os estudantes dos livros. No Marista João Paulo II, a professora de língua portuguesa Renata Alves utiliza a plataforma digital Árvore de Livros com turmas do 4º e 5º anos. A ferramenta transforma o avanço das leituras em uma espécie de jogo: os alunos recebem moedas e gotinhas que podem ser usadas para construir árvores e reflorestar ambientes virtuais relacionados às obras.
O incentivo também passa pela biblioteca, pelos livros físicos e pelo diário de leitura. No projeto Li, Lendo e Lerei, os estudantes registram as obras e compartilham indicações mensalmente. A professora procura respeitar os gêneros preferidos de cada um e usa os próprios interesses para apresentar novos títulos. A cada 10 obras registradas no diário, eles também recebem um bottom temático, que serve como recompensa e incentivo para os estudantes.
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Extensão de casa
Silvia defende que quadrinhos, aventura, mistério, fantasia e esportes podem ser portas de entrada para a leitura. Em casa, o exemplo da família e a leitura compartilhada também são importantes. Na escola, rodas de leitura, contação de histórias, clubes e momentos de escolha livre podem tornar a atividade mais prazerosa.
A redução do uso de celulares no ambiente escolar pode abrir espaço para a leitura, mas não é suficiente para criar o hábito. "Retirar o celular, por si só, não cria o hábito de ler. A escola precisa aproveitar essa oportunidade para tornar o livro interessante", pondera Silvia.
Renata, por sua vez, ressalta que tecnologia e leitura não precisam ser opostas. Plataformas digitais, PDFs e dispositivos como o Kindle também podem facilitar o acesso aos livros. "É diferente, mas é leitura. Isso que é importante." Ao mesmo tempo, ela percebe que o ambiente digital pode estimular o consumo de conteúdos mais curtos.
Entre os estudantes que desenvolveram o hábito desde cedo está Carolina Fernandes, 10 anos, do 4º ano, que já leu 50 obras só em 2026. O interesse começou aos 5 anos, quando ela queria entender o que estava escrito nos livros que via em casa. Na escola, Carolina participa das atividades de leitura e gosta dos momentos em que os alunos podem escolher e compartilhar livros. "Quando eles dão esse diário de leitura, eu gosto de fazer porque a gente ganha bottons e escreve o que aprende nos livros", conta.
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