A crise entre o Brasil e os Estados Unidos, que nas últimas semanas foi tomada por troca de hostilidades no campo diplomático, deu uma pausa nos últimos dias. Chancelarias de ambos os lados atuam para tentar conter uma escalada que poderia afastar as relações entre os dois países de uma maneira histórica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso realizado durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São Paulo, criticou, na sexta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, mas destacou que mantém diálogo com Donald Trump.
Lula relembrou os encontros que teve com o presidente dos Estados Unidos e disse que há diálogo. "Eu e o Trump já tivemos algumas reuniões. Ele sempre me tratou com muito respeito. Eu o trato com muito respeito. Quando eu me encontrei com o Trump na Malásia, eu disse ao Trump: 'Olhe Trump, nós somos dois homens de 80 anos. Eu já fiz 80 anos. Ele fez agora dia 14 de julho. Então, eu sou um pouco mais velho que você. E a gente tem que passar para o mundo a responsabilidade das duas maiores democracias do mundo, que têm uma relação diplomática com 201 anos'", afirmou.
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No entanto, em relação a Marco Rubio, afirmou que o secretário do governo Trump odeia a América Latina e o Brasil. "Ele é um anti-latino-americano ou um latino-americano frustrado, porque ele foi embora de Cuba, o avô dele, o bisavô, é de lá, ele nunca morou em Cuba. Mas ele foi embora, é um descendente de cubano de Miami, então ele odeia. Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil. E ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump", afirmou Lula.
Fontes no Palácio do Planalto, ouvidas pela reportagem, consideram que a escalada deu uma pausa, mas não terminou. O Brasil não deve aceitar, antes das eleições, a alocação do embaixador Daniel Perez, em Brasília. O nome dele foi tornado público pela Casa Branca antes do aval do governo brasileiro, algo que foge da tradição. A expectativa é de que ocorram novas hostilidades por parte do governo Trump, além das tarifas que ainda estão em vigor, assim como sanções contra autoridades brasileiras.
Uma fonte especializada, próxima ao governo brasileiro, afirmou, sob a condição de anonimato, que se espera novas ações para tentar interferir nas eleições. "Se alguém quer escalar a relação é o Marco Rubio, que tem como projeto colocar toda a América Latina na mão da extrema direita (basicamente só faltam Brasil e México de importantes, além de Cuba)", disse.
De acordo com essa mesma fonte, ao mesmo tempo que o Executivo se preocupa com o que está por vir, a avaliação é de que a campanha de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, é a mais afetada. "Isso pode ter efeito negativo na candidatura do Flávio Bolsonaro porque grande parte dos eleitores brasileiros é bastante refratária a interferências externas aqui", completou.
Soberania
O PT publicou o plano de governo prometido em caso de reeleição do presidente Lula e do vice, Geraldo Alckmin. No documento, Lula promete atuar na defesa da soberania, reforçar o arcabouço fiscal e toca em temas polêmicos, como a regulamentação das redes sociais, revisão do sistema de emendas parlamentares e democratização do orçamento público.
O nome do documento é 'Diretrizes para o programa de transformação do Brasil: um país soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo' e tem como foco mirar em um país "soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo". O plano de governo aponta que as emendas parlamentares somaram R$ 56 bilhões em 2026, alteraram as relações entre o governo e o Congresso e reduziram a eficiência no uso do dinheiro público.
A proposta é implantar um orçamento participativo. A defesa da soberania é um eixo central do programa, em meio a taxações e tensão nas relações diplomáticas com os Estados Unidos e países vizinhos, como Argentina e Paraguai. A promessa é de reforço na área militar, geopolítica, científica, tecnológica, digital, energética, mineral, ambiental, cultural, econômica e financeira, assim como reforço da indústria e desenvolvimento tecnológico.
O PT informou que essa é a primeira versão do programa, e a coligação ainda poderá fazer adendos ao texto. São destacados 13 eixos, apontando como prioridades a defesa da democracia e da soberania, a modernização do Estado, o combate às desigualdades (regionais, sociais, raciais, de gênero), a segurança pública, a defesa da vida das mulheres, a proteção à vida e ao bem-estar animal, e uma economia que siga forte e equilibrada para ampliar salto de qualidade em educação, saúde, infraestrutura.
"Manteremos uma política de controle de armas e munições, fundamental para reduzir a violência e fortalecer uma política democrática de segurança pública. Aprimoraremos os mecanismos de rastreabilidade de armas e munições e reforçaremos a capacidade de fiscalização da Polícia Federal e do Exército sobre empresas de segurança privada, defesa pessoal e registros de caçadores, atiradores e colecionadores", completa outro trecho do plano.
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