
Ao analisar as pesquisas mais recentes, ao menos 13 estados e o Distrito Federal têm chances de eleger os governadores hoje, ao término do primeiro turno das eleições. Para conquistar o governo estadual, o candidato precisa alcançar 50% mais 1 dos votos válidos, ou seja, descontando os brancos e nulos.
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Esse grupo inclui: Amapá, Pará e Roraima no Norte; Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco e Sergipe no Nordeste; Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul no Centro-Oeste; São Paulo e Minas Gerais no Sudeste; e Santa Catarina no Sul.
A Paraíba se destaca pela liderança com folga do governador Luca Ribeiro (PP), que disputa a reeleição. Segundo a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta sexta, ele pontua 45%, o que equivale a 20 pontos percentuais a mais que o principal adversário, o senador Efraim Filho (PL), que alcança 24%.
O caso é também semelhante em Mato Grosso do Sul, onde o governador Eduardo Riedel lidera com 51% das intenções de voto, contra seu principal adversário, Fábio Trad, que pontuou 12% na Quaest divulgada em 25 de setembro.
A maioria dos governadores que devem ser eleitos nesse primeiro turno é do campo adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tal cenário pode ser favorável para a campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, à medida que tais governadores poderiam "colocar suas estruturas políticas e quadros partidários a serviço da campanha presidencial", avalia Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium.
É o caso de São Paulo, o principal colégio eleitoral do Brasil. A Quaest divulgada ontem apontou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 60% dos votos válidos na disputa pelo comando do estado, contra 36% de Fernando Haddad (PT). Com isso, ele vence já no primeiro turno.
"Se acontecer de realmente encerrar a disputa em São Paulo no domingo, eu vou estar à disposição do Flávio para ajudá-lo muito no segundo turno. Aqui em São Paulo e até fora do estado", disse Tarcísio na sexta-feira.
No entanto, vale destacar que um encerramento no primeiro turno tende a reduzir o incentivo local para um segundo turno nacional. "Quando a eleição para governador termina antes, o eleitor tem um voto a menos no dia 25, ou seja, uma razão a menos para sair de casa. Isso pode desmotivar eleitores que votam mais pela rejeição do que pela aprovação", explica Gustavo Ribeiro, mestre em ciência política pela Sorbonne.
Por isso, uma corrida estadual também seguir para o segundo turno pode ser favorável à campanha nacional, pois cria uma espécie de "campanha casada" entre a disputa estadual e a presidencial. "Um segundo turno estadual mantém funcionando a estrutura de campanha, incluindo prefeitos, deputados, militância, propaganda e mobilização territorial, que permanecerão ativos nas ruas", explica Gabiati. "Numa eleição tão apertada, o engajamento maior ou menor dos aliados locais de Lula e Flávio pode ser determinante para o resultado final", pontua.
Nordeste
Alagoas, Ceará, Bahia são unidades da Federação em que a disputa está acirrada e com cenário indefinido. Com dois candidatos mais competitivos, os votos tendem a se concentrar e podem gerar uma vitória ainda no primeiro turno. Esse cenário pode aumentar para 17 estados a elegerem seu governador em 4 de outubro.
Em Alagoas, a pesquisa Real Time Big Data desta sexta apontou Renan Filho (MDB) — com 49% — e JHC (PSDB) — com 46% — tecnicamente empatados no primeiro e no segundo turno. No Ceará, a pesquisa Atlas/Focus desta quarta-feira mostrou Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) também empatados tecnicamente, com 49% e 47,6%.
Na Bahia, a Paraná Pesquisas divulgada neste sábado mostrou ACM Neto (União Brasil) com 46,4% no primeiro turno, contra 44,6% do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Ou seja, estão tecnicamente empatados.
Nesses casos, ainda não é possível cravar um encerramento do pleito estadual no primeiro ou no segundo turno, tendo em vista outras variáveis possíveis, como abstenção, mudanças de última hora e a ocorrência do voto útil, além do voto dos indecisos. A Quaest de 23 de setembro, por exemplo, apontou que 45% ainda estão indecisos no voto para governador no Ceará.
Centro-Oeste e Sul
As pesquisas de intenção de voto apontam que a região Centro-Oeste deve reeleger governadores aliados do candidato Flávio Bolsonaro (PL). No Distrito Federal, Celina Leão (PP) deve ser reeleita ainda no primeiro turno. Em Goiás, será Daniel Vilela (MDB).
Em Mato Grosso, com mais chances da disputa ir para o segundo turno, as pesquisas mostram que Otaviano Pivetta (Republicanos) deve ser reeleito. Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), provavelmente no primeiro turno.
Além do Centro-Oeste, a Região Sul também deve eleger apenas aliados do bolsonarista para o governo dos estados. Em Santa Catarina, em especial, o atual governador Jorginho Mello (PL) deve ser reeleito ainda no primeiro turno e é aliado de Flávio. No Paraná e no Rio Grande do Sul, o bolsonarista também deve emplacar aliados, com Sérgio Moro (PL) e Luciano Zucco (PL), respectivamente.
Nas demais regiões do Brasil, Flávio também concentra aliados. É o caso do Norte, em que quatro estados devem eleger governadores aliados ao bolsonarista: Mailza Assis (PP) no Acre; Dr. Furlan no Amapá; Marcos Rogério em Rondônia; e Arthur Henrique em Roraima. Nessa região, Lula tem o apoio declarado apenas de um candidato que lidera as pesquisas: Omar Aziz (PSD), no Amazonas.
No Sudeste, Flávio também deve ter aliados em dois estados: Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais; e Tarcísio de Freitas em São Paulo. O Rio de Janeiro, que elegeu governadores mais aliados à direita nos últimos anos, pode ser o estado em que Lula deve emplacar um aliado: Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas.
No Nordeste, reduto lulista, a tendência é de que a maioria dos novos governadores seja alinhada a esse espectro político. Na Paraíba, as pesquisas apontam que lideram os cenários Lucas Ribeiro (PP); no Piauí, Rafael Fontes (PT); no Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT); em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD); e Pernambuco (PE), Raquel Lyra (PSD).
Saiba Mais
Porém, é no Nordeste que há estados com cenários mais indefinidos. Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco podem eleger aliados de Lula ou candidatos que contam com o apoio do PL, mas que evitam se vincular nacionalmente a Flávio Bolsonaro.
Ao desconsiderar esses estados, a tendência é que, ao final do primeiro e segundo turno, Flávio tenha aliados em 13 estados e Lula em seis. O cenário repete o conservadorismo de 2022, que teve 14 dos governadores eleitos declarando apoio a Jair Bolsonaro (PL), distribuídos em partidos de direita ou centro-direita. Em 2022, o número de governadores reeleitos chegou a 17. Nestas eleições de 2026, a tendência é que sejam ao menos 12 estados.
O cenário reitera a força das máquinas estaduais na campanha. No entanto, o especialista Leandro Gabiati aponta que este fator, isolado, não garante uma reeleição. Segundo ele, a avaliação que o eleitor faz da gestão vigente pode impulsionar votos diferentes nas urnas.
"É uma combinação entre vantagem de quem disputa a reeleição, uma avaliação positiva do governo, capilaridade política e dificuldade da oposição de apresentar uma alternativa competitiva. Já quando a gestão é mal avaliada ou surge um adversário forte, a vantagem do incumbente pode desaparecer", explica.
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