
Por Daniele Felix*
Febre nas redes sociais, as pulseiras de peso prometem tonificar os braços sem que o esforço feito na atividade física seja tão exagerado. Com um visual moderno e colorido que passa longe das caneleiras pesadas dos anos 1980, o acessório de metal virou o item preferido para quem posta sobre vida saudável na internet. Hoje, é comum ver vídeos de usuários aplicando maquiagem ou arrumando o cabelo enquanto carregam a carga nos pulsos, na esperança de estimular os músculos durante a rotina.
A promessa de bons resultados atrai, principalmente, o público feminino. Em avaliações de lojas online, consumidoras relatam sentir a musculatura trabalhar em tarefas simples, como lavar roupas. No entanto, especialistas fazem um alerta importante: usar o acessório no dia a dia não gera hipertrofia e ainda pode causar lesões.
O personal trainer João Pedro Carvalho desaconselha o uso contínuo nas atividades rotineiras. Segundo ele, cargas que não ultrapassam dois quilos não são suficientes para hipertrofiar o músculo, mas conseguem sobrecarregar as articulações. O resultado pode ser uma dolorosa tendinite. Além do risco de inflamação nos tendões, há o impacto na postura.
Carregar peso nas extremidades do corpo durante caminhadas ou tarefas domésticas altera o padrão de movimento natural. Esse "efeito de pêndulo" força a coluna cervical e os ombros, transformando um hábito aparentemente inofensivo em gatilho para dores crônicas. Segundo a fisioterapeuta e instrutora de pilates Laísa Araújo, elas podem ser usadas por iniciantes, mas é necessário fazer exercícios com acompanhamento para diminuir o risco de lesão.
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Quando o acessório funciona?
O uso das pulseiras não precisa ser abolido, mas deve ser direcionado. Para quem é sedentário, o acessório pode elevar, ligeiramente, o gasto calórico diário, embora não promova a queima significativa de gordura nem o ganho de massa magra.
De acordo com João Pedro, para existir ganho muscular de fato, o treino precisa de carga adequada, boa amplitude de movimento, volume e progressão constante — algo que a pulseira sozinha não entrega. Já em modalidades como o pilates, o acessório encontra espaço ideal. Embora não seja indispensável, ele ajuda a intensificar os exercícios e trabalhar a resistência muscular.
A fisioterapeuta Laísa Araújo destaca, também, a aplicação terapêutica dos pesos de pulso em pacientes geriátricos ou no tratamento neurofuncional. Nesses casos, o acessório é utilizado de forma contínua para estabilizar tremores decorrentes do Mal de Parkinson ou para auxiliar idosos em exercícios funcionais. Para essa finalidade, os modelos priorizam o conforto e a segurança, contando com tiras largas de velcro e estrutura reforçada para não escapar do braço.
A experiência na prática
Na rotina de treinos programados, muitas alunas aprovam o equipamento. A terapeuta Paula Bertol, 33 anos, descobriu as pulseiras acompanhando treinos virtuais de uma instrutora americana. Ela começou usando halteres improvisados, como garrafas d'água, até decidir investir no acessório. "Senti que facilitou muito a minha vida. Gosto de usar quando estou na esteira para dar um gás a mais e emendo com exercícios de mobilidade", conta Paula.
Ela destaca a importância de começar com cargas baixas, visto que iniciou com 500 gramas e notou evolução no desempenho. Quando tentou migrar para a opção de dois quilos, sentiu o corpo sobrecarregado e precisou recuar. A gerente comercial Karol Santana, 25, teve o primeiro contato com as pulseiras durante as aulas de Hot Yoga. Desde então, passou a incorporá-las no pilates, no barré e no ballet fitness.
"Os pesos ajudam bastante no controle dos movimentos e na ativação do abdômen. Como essas modalidades trabalham o corpo de forma integrada — braços, pernas, postura e equilíbrio ao mesmo tempo —, a resistência da pulseira exige mais estabilidade e melhora a consciência corporal", explica Karol. Ela ressalta que não sente dores nas articulações, mas reforça a necessidade de respeitar os limites do próprio corpo, especialmente ao perceber que a musculatura está fatigada durante algum treino. Sendo assim, o ideal é remover o peso para evitar desconfortos ou possíveis lesões.
Outras alternativas BOX
Para as pessoas que não podem investir em uma rotina de musculação, o personal trainer João Pedro Carvalho sugere hábitos simples, como as caminhadas. São atividades acessíveis, que não demandam muito tempo e com pouco impacto nas articulações. “30 minutos de caminhada gastam entre 120 e 180 calorias, enquanto um trote leve de 30 minutos pode gastar entre 250 e 400 calorias”, reforça o profissional.
O educador físico Luiz Fernando Lukas indica, ainda, a prática de danças, nado, corrida e pedalada, além de exercícios simples em casa como abdominais, agachamentos, flexões e prancha algumas vezes na semana. Caso a procura seja por fugir do exercício, o profissional recomenda apenas pequenas ações de movimento para evitar sedentarismo. “O ideal é evitar passar muitas horas seguidas sentado (a) e aproveitar todas as oportunidades para se movimentar”, propõe o educador.
*Estagiária sob a supervisão de Eduardo Fernandes
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Mariana Morais
Revista do Correio
Diversão e Arte