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Correio Braziliense

Em 2019, uma mulher foi vítima de feminicídio no DF a cada 13 dias

Com um caso nesta quinta-feira (12/9), número de ocorrências do crime em 2019 chega a 20. Nos 12 meses de 2018, ano com maior número de registros, foram 28 casos


postado em 12/09/2019 19:55 / atualizado em 12/09/2019 20:33

(foto: Lucas Pacífico/CB/D.A Press)
(foto: Lucas Pacífico/CB/D.A Press)
 
Os casos de feminicídio no Distrito Federal chegaram a 20 nesta quinta-feira (12/9). O que significa dizer que a cada 12,75 dias de 2019, uma mulher foi assassinada apenas pela condição de gênero. Desde a criação da lei que tipifica esse tipo de crime, em março de 2015, a maior taxa, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), foi registrada em todo o ano passado, com 28 ocorrências. A pasta divulgou, nesta quinta, um balanço atualizado sobre a violência contra a mulher e outros tipos de crimes até agosto último. Das 42 mulheres assassinadas no período, 45,2% foram vítimas de feminicídio.
 
(foto: Divulgação/SSP)
(foto: Divulgação/SSP)
 

Em 1º de setembro, o Correio publicou reportagem com os índices de violência doméstica no Distrito Federal de janeiro a junho. Os dados mais recentes da SSP-DF mostram que as ocorrências chegaram a 10.403 — 2,3% a mais que em 2018. Em 70,6% dos casos de feminicídio, os agressores não haviam sido denunciados anteriormente. Em relação aos 19 registrados até agosto, 84% ocorreram na casa das vítimas. Os demais aconteceram na rua (11%) ou no local de trabalho das mulheres assassinadas (5%). 

Os dados da secretaria mostraram ainda que os três tipos de violência mais praticados em ambiente doméstico foram moral ou psicológica (80,9%), física (62,2%) e patrimonial (24,95%). Confira as estatísticas detalhadas:
 
 
 

Relembre os casos de feminicídio em 2019:

  • 1) 5 de janeiro 
primeiro caso do ano foi registrado na Quadra 8 do Setor Oeste do Gama. O ajudante de pedreiro Thiago de Souza Joaquim, 33, matou a companheira, a dona de casa Vanilma Martins dos Santos, 30, com uma facada no tórax. O autor do crime havia saído para pescar e voltou bêbado, de madrugada. O casal teria discutido e Thiago arremessou uma faca contra Vanilma. Ele chegou a levá-la para o Hospital Regional do Gama (HRG), onde a vítima morreu. O agressor fugiu e foi preso dois dias depois.
 
  • 2) 28 de janeiro 
A dona de casa Diva Maria Maia da Silva, 69, foi assassinada com ao menos cinco tiros pelo companheiro, o autônomo aposentado Ranulfo do Carmo Filho, 72. O autor do crime também disparou três vezes contra um dos filhos do casal, Régis do Carmo Corrêa Maia, 46. Diva Maria e Ranulfo estavam juntos havia 50 anos e moravam em um apartamento na 316 Norte. Segundo vizinhos, ameaças e agressões contra a mulher eram constantes. Antes do crime, pai e filho discutiram, ao que Ranulfo foi ao quarto e voltou com um revólver. Depois de atirar contra o filho e a mulher, ele fugiu. Policiais perseguiram o assassino, que confessou o crime e foi preso.

  • 3) 31 de janeiro 
A servidora aposentada da Secretaria de Educação Veiguima Martins, 55, foi morta pelo marido, José Bandeira e Silva, 80. A vítima havia decidido dar um fim ao relacionamento com o servidor público aposentado um dia antes do crime. No entanto, José matou a companheira a facada e, depois, ateou fogo ao apartamento onde os dois viviam, na 310 Norte. Segundo a polícia, ele teria tentado simular um incêndio acidental para apagar as provas. Entretanto, inalou muita fumaça e morreu por intoxicação. Casada com José desde 2008, Veiguima relatava situações de abuso e agressão desde 2014. 

  • 4) 11 de março
A dona de casa Cevilha Moreira dos Santos, 45, foi assassinada pelo companheiro, Macsuel dos Santos Silva, 35. Ela foi encontrada morta na quitinete onde os dois moravam, na Quadra 5 de Sobradinho 1, com uma facada no peito. A vítima apresentava lesões no rosto e sinais de estrangulamento. Após matar Cevilha, Macsuel tentou deixar o local no carro da mulher, mas não conseguiu ligar o veículo e fugiu a pé. Ele não tinha antecedentes criminais e, no currículo dele, a última profissão registrada era de brigadista. A 13ª DP  (Sobradinho) está à frente das investigações. Macsuel ainda não foi encontrado. 

  • 5) 17 de março
Maria dos Santos Gaudêncio, 52, foi encontrada morta dentro de casa, no bairro Fazendinha, no Itapoã, dois dias depois de ser assassinada pelo namorado, o cabeleireiro Antônio Pereira Alves, 44. Os dois estavam juntos havia cerca de um ano. A vítima esfaqueada e apresentava lesões na cabeça, segundo a Polícia Civil. Depois de cometer o crime, o suspeito pediu demissão e enviou uma mensagem ao chefe dizendo ter ganhado na loteria. Ele foi encontrado pouco mais de uma semana depois, em Chapadinha (MA), e encaminhado à 6ª DP (Paranoá), que investigava o caso.

  • 6) 29 de março
A servidora pública aposentada da Secretaria de Educação Edileuza Gomes de Lima, 68 anos, foi assassinada por Gustavo Araújo, 44, com quem ela se relacionava pela internet. A vítima foi encontrada morta dentro de casa, com um cabo USB enrolado no pescoço, e uma sacola plástica na cabeça. O suspeito havia visitado Edileuza diversas vezes e tinha contatos de outras pessoas idosas no celular. Segundo os investigadores, Gustavo se aproveitava dessa condição das vítimas. Ele foi preso em 22 de maio, mas a polícia apura se ele recebeu apoio de outras pessoas para cometer o crime.

  • 7) 31 de março
A estudante Isabella Borges, 25, foi assassinada pelo ex-marido Matheus Galheno, 22. Ela morava com a família em uma casa no Paranoá e tinha um casal de gêmeos de um ano com o vigilante. Separados havia cerca de um mês, o casal ainda tinha uma relação próxima. Matheus ficava com as crianças durante o dia e levava Isabella para o estágio, no Plano Piloto. Na data do crime, os dois conversavam na sala. Minutos depois, a irmã de Isabella ouviu gritos e tirou uma das crianças do local. A vítima segurava a filha no momento em que foi atingida por um dos dois disparos. Matheus se matou em seguida. A 6ª DP (Paranoá) assumiu as investigações para identificar a origem da arma e se alguém ajudou Matheus.
 
  • 8) 14 de abril
Grávida de três meses do quinto filho, Luana Bezerra da Silva, 28, levou ao menos quatro facadas nas costas e uma, fatal, no pescoço. O crime ocorreu na AR 5, em Sobradinho 2. O suspeito, Luiz Filipe Alves de Sousa, 20, fugiu após o crime. O casal tinha um relacionamento de três anos e, na noite anterior ao crime, brigou em frente a uma das filhas. A mulher foi atacada pelo marido por trás, quando terminava de servir almoço para as duas filhas de Luana, uma delas era fruto do relacionamento com o suspeito. A 35ª DP (Sobradinho 2) ainda apura o caso. O autor está foragido. 

  • 9) 21 de abril
Eliane Maria Sousa de Lima, 49, morreu na casa da irmã, na Quadra 11 do Setor Leste do Gama. Ela foi esfaqueada no tórax pelo cunhado, o açougueiro Josué Pereira da Silva Filho, 47. Ele ameaçava a mulher, Paula Otacilio de Lima, 43, durante uma briga entre os dois. Eliane ficou entre o casal para defender a irmã, mas acabou ferida e morreu na hora. Agentes da 20ª Delegacia de Polícia (Gama) prenderam Josué em flagrante. Ele foi hospitalizado depois de vizinhos tentarem linchá-lo no momento em que tentava fugir. O agressor recebeu alta e foi encaminhado à carceragem da Polícia Civil. Durante a audiência de custódia, o juiz converteu a prisão em preventiva, sem prazo para ser encerrada.

  • 10) 6 de maio
A gari Jacqueline dos Santos Pereira, 37 anos, foi assassinada pelo ex-marido, o motoboy Maciel Luiz Coutinho da Silva, 39. Ele chegou de moto à casa da vítima, na Quadra Central de Santa Maria, pulou o muro e matou a gari a facadas. Os dois viveram um relacionamento durante 23 anos, com registros frequentes de violência doméstica. No bolso de Jacqueline, a polícia encontrou as medidas protetivas contra o agressor, que não aceitava o término da relação. Após fugir da cena do crime, Maciel morreu atropelado na BR-040, perto de Luziânia (GO). O casal deixou três filhos.

  • 11) 9 de maio
Em 25 de abril, o vigilante Júlio César Villanova, 55 anos, invadiu a casa da ex-mulher Cácia Regina Pereira da Silva, 47, em Sobradinho 1, e a atacou com ácido sulfúrico. Após a agressão, Júlio César tentou atirar ao menos quatro vezes contra a consultora de vendas, mas a arma falhou. Ele se matou em seguida. Cácia sofreu queimaduras de terceiro grau na face, pescoço, colo, tórax e braços. Ela passou duas semanas internada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), chegou a receber um implante de pele em 3 de maio, mas não resistiu e morreu seis dias depois por causa de uma infecção provocada pelas queimaduras. Ela deixou duas filhas, de 14 e 28 anos. Os dois estavam juntos havia 15 anos.

  • 12) 9 de maio
A ambulante Maria de Jesus do Nascimento Lima, 29 anos, foi assassinada pelo companheiro, Henrique Farley Carneiro de Almeida, 36. Depois de esfaquear a vítima na casa onde eles moravam, na invasão conhecida como Chácara Santa Luzia, em Taguatinga Sul, o agressor colocou o corpo dela em um carrinho de compras e o jogou em uma manilha de esgoto nas proximidades. O corpo foi encontrado por funcionários da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) quatro dias depois. Henrique Farley foi preso em flagrante e confessou o crime. O casal não tinha filhos e estava junto havia cerca de dois anos. 

  • 13) 20 de maio
A professora de português Debora Tereza Correa, 43 anos, foi assassinada a tiros na sede da Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiro, na 511 Norte. O ex-namorado da servidora, o policial civil Sergio Murilo dos Santos, 51, entrou armado no prédio, se identificou na recepção e seguiu até o departamento onde Debora estava. Ele a matou e, em seguida, tirou a própria vida. Os dois tiveram um breve relacionamento em 2017, mas a professora decidiu pôr um fim na relação após descobrir que o acusado era casado. Sergio Murilo não aceitava o término e, durante dois anos, perseguia e ameaçava a vítima, que tinha medidas protetivas contra o agressor.

  • 14) 12 de junho
A artesã Francisca Náidde de Oliveira Queiroz, 57 anos, foi assassinada a tiros na Quadra 1405 do Cruzeiro Novo. O autor dos disparos foi o marido dela, o pastor e sargento da Aeronáutica reformado Juenil Bonfim de Queiroz, 56. O agressor, que também era síndico do prédio, acreditava que a companheira tinha um caso com Francisco de Assis Pereira da Silva, 42, ex-morador do edifício. Ele, no entanto, estava em um relacionamento havia cinco anos com Marcelo Soares Brito, 40. Francisco também foi assassinado por Juenil, no apartamento onde o síndico morava. Marcelo testemunhou a morte do companheiro e de Francisca. O sargento reformado foi preso em flagrante.

  • 15) 23 de julho 
Joyce Oliveira Azevedo, 21 anos, foi assassinada a tiros pelo namorado, Lucas Lisboa Dutra, 23. O caso aconteceu em um matagal de Taguatinga Sul, próximo à casa onde o acusado morava de favor. A vítima chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu. Lucas fugiu, mas foi preso no dia seguinte. Aos agentes, ele confessou o crime, mas disse que “o diabo” foi responsável pelo disparo.

  • 16) 8 de agosto 
Maria Almeida do Vale, 68 anos, foi morta asfixiada pelo próprio sobrinho, no Paranoá. Ela foi encontrada sem vida, em cima da cama, com um capacete de motociclista e uma camiseta enrolada na cabeça. O acusado, Fábio Pessoa do Vale, 38, fugiu após o crime, mas foi encontrado no dia seguinte, na Rodoviária de Ouricuri (PE), e preso. De acordo com a investigação, ele matou a tia por causa de um desentendimento e fugiu com R$ 200 dela.

  • 17) 20 de agosto 
Iran Francisca dos Santos, 68 anos, foi assassinada com golpes na cabeça pelo próprio filho, Sidevan dos Santos Vasconcelos, 37. O caso aconteceu em Taguatinga Norte. Segundo investigadores da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro), o suspeito sofria de transtornos psicológicos e vivia uma rotina de internações. Ele havia fugido do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), referência na área de atendimento psiquiátrico, e voltado a morar com a mãe. Após um surto, ele assassinou a idosa. O autor está preso.

  • 18) 24 de agosto
O corpo de Talita Valadares de Lavôr, 38 anos, conhecida como Kelly, foi achado em 26 de agosto, próximo a um muro na via que liga a Via Estrutural ao Jóquei, em Vicente Pires. Uma pessoa que passava pelo local entrou em contato com a polícia. A vítima foi encontrada nua e com sinais de asfixia. Os investigadores acreditam que Talita foi morta dois dias antes e ainda procuram o autor do crime, tratado como feminicídio pela equipe da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires).

  • 19) 31 de agosto
Cristiane Mendes de Sá, 41 anos, foi morta a facadas, no meio da rua, pelo companheiro, Antônio Carlos da Silva, 46, na QR 413, em Samambaia Norte. O casal namorava havia quatro anos e, segundo a família da vítima, o relacionamento era conturbado por causa de ciúmes por parte do acusado. O pedreiro foi preso após o crime e levado para a 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte).
 
  • 20) 12 de setembro
Lilian Cristina da Silva Nunes, 25 anos, morreu após receber uma facada no coração. A vítima chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Ela estava separada do autor do crime, e os dois ainda moravam no mesmo lote, no Núcleo Colombo Cerqueira. O crime teria sido motivado por ciúmes que o ex-namorado sentia do novo relacionamento de Lilian.  
 
 

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