Enfrentar misoginia no ambiente de trabalho é uma realidade para muitas mulheres no Brasil. Desde março de 2026, essa prática passou a ser tratada com maior rigor pela legislação. Com a aprovação do Projeto de Lei 896/2023, a misoginia foi criminalizada e equiparada ao crime de racismo, tornando-se inafiançável, imprescritível e com pena de 2 a 5 anos de reclusão. Isso significa que, além de criar um ambiente hostil, condutas que expressem ódio ou aversão às mulheres no trabalho são crimes graves.
Reconhecer e agir contra a misoginia é fundamental para garantir um espaço profissional seguro e respeitoso. O primeiro passo é saber identificar os sinais, que muitas vezes são normalizados ou disfarçados de brincadeiras. A legislação brasileira protege a trabalhadora e oferece caminhos para a denúncia e a busca por reparação.
Como identificar a misoginia no trabalho?
A misoginia pode se manifestar de formas sutis ou explícitas. Saber reconhecer os comportamentos ajuda a vítima a entender que não está exagerando e que tem o direito de reagir. Fique atenta a situações como:
- Interrupções constantes: ser frequentemente interrompida ou ter suas ideias explicadas por colegas homens, fenômeno conhecido como “manterrupting” e “mansplaining”.
- Desqualificação profissional: ter suas competências questionadas com base em estereótipos de gênero, como ser considerada “emocional demais” para um cargo de liderança.
- Assédio moral ou sexual: receber comentários inadequados sobre sua aparência, vida pessoal ou ser alvo de piadas de cunho machista.
- Diferença de oportunidades: ser preterida em promoções ou projetos importantes em favor de colegas homens com qualificações iguais ou inferiores.
O que diz a nova lei de 2026?
Em março de 2026, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL) 896/2023, um marco na luta contra a violência de gênero. A nova legislação estabelece que a misoginia — definida como a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres — é crime. Entenda os pontos principais:
- Equiparação ao racismo: A misoginia passou a ser tratada como um crime da mesma natureza que o racismo, sendo regida pela Lei 7.716/1989.
- Inafiançável e imprescritível: Assim como o racismo, o crime de misoginia não permite pagamento de fiança para liberdade provisória e pode ser julgado a qualquer tempo, sem prazo para prescrição.
- Pena: A punição prevista é de 2 a 5 anos de reclusão e multa para quem cometer o crime.
Fui vítima. O que fazer agora?
Ao identificar uma situação de misoginia, o passo mais importante é documentar tudo. Guarde e-mails, mensagens de texto, capturas de tela de conversas em aplicativos e, se possível, anote datas, horários e nomes de testemunhas que presenciaram os episódios. Essas provas são essenciais para formalizar uma denúncia.
Com as evidências reunidas, o caminho inicial é buscar os canais internos da empresa, como o departamento de Recursos Humanos ou o setor de compliance. Faça uma denúncia formal e por escrito, detalhando o ocorrido e apresentando as provas que você coletou. A empresa tem o dever de investigar e tomar providências.
Caso a organização não tome atitudes, a denúncia pode ser levada a órgãos externos. Além das medidas trabalhistas, com a nova legislação de 2026, é possível registrar uma denúncia criminal em delegacias (incluindo Delegacias da Mulher) ou no Ministério Público, já que a misoginia agora é crime equiparado ao racismo. Na esfera trabalhista, a queixa pode ser feita no Ministério Público do Trabalho (MPT) ou por meio de uma ação na Justiça do Trabalho, com o auxílio de um advogado.
A trabalhadora que sofre misoginia pode buscar reparação judicial, solicitando indenização por danos morais devido ao constrangimento e à ofensa. A empresa também tem responsabilidade e pode ser condenada por não garantir um ambiente de trabalho seguro. Em casos graves, a legislação prevê a rescisão indireta do contrato, uma espécie de “justa causa do empregador”, que garante à vítima todos os seus direitos trabalhistas.










