
Uma disputa entre vizinhos por causa da construção de um muro na divisa de dois terrenos pode ter motivado o assassinato de Leonardo de Oliveira Campos, 42 anos, e Rayane Lins Farias Campos, 38, no Condomínio Bosque Imperial, na Ponte Alta Norte. Juntos há 16 anos, os dois deixam uma filha de apenas 6 anos. Segundo moradores, o casal ainda não residia no condomínio, mas construía um imóvel no local. O principal suspeito do duplo homicídio é o vizinho Evandro Gabriel Ferreira, 60, preso nessa sexta-feira (17/7).
Na casa de Evandro, identificado como empresário, os investigadores encontraram um revólver escondido dentro da estrutura de um ventilador. Diversas munições também estavam armazenadas no mesmo local, enquanto um coldre foi localizado em um pequeno armário da residência.
Todo o material foi apreendido e será submetido à perícia para verificar se a arma foi utilizada no assassinato do casal.
Segundo o delegado Paulo Fontini, o suspeito possuía registro de arma de fogo. No entanto, ainda não era possível confirmar se ele também tinha a posse vigente do armamento no momento da prisão. O delegado também informou que Evandro nega ter cometido o duplo homicídio.
Evandro permanece preso na 20ª Delegacia de Polícia (Gama) e passará por audiência de custódia na manhã de hoje. Testemunhas relataram ao Correio que Evandro chegou à delegacia desorientado, apresentando sinais de confusão.
Ele possui extensa ficha criminal. Conforme registros da PCDF, tem envolvimento em três casos de homicídio. Dois deles ocorreram em 2000 e 2003, na forma tentada. Em 2008, ele foi autuado pela morte do próprio sobrinho, Alex Johne Vieira, de 23 anos. O sistema da corporação aponta condenação no processo, embora não detalhe a pena aplicada nem o desfecho definitivo da ação.
Também constam em seu histórico ocorrências por violência doméstica, enquadradas na Lei Maria da Penha, registradas em 2018 e 2022, além de porte ilegal de arma de fogo e ameaças.
O crime
De acordo com relatos de moradores, Leonardo e Rayane eram proprietários de um lote ao lado da residência de Evandro. A convivência entre eles era marcada por frequentes desentendimentos envolvendo a divisa dos terrenos. Leonardo, inclusive, teria ingressado com uma ação judicial contra o vizinho em razão do conflito sobre os limites das propriedades.
Disparos de arma de fogo foram ouvidos por volta das 16h da última quinta-feira, conforme relato dos vizinhos. O casal foi encontrado no terreno do imóvel, sem vida, pelo pai de Rayane, que acionou a polícia na manhã dessa sexta. Familiares estavam estranhando a falta de notícias.
Atiradores de elite
A prisão de Evandro, por volta das 13h, mobilizou agentes do Departamento de Operações Especiais (DOE) da PCDF e foi marcada por um grande aparato policial. “Enquanto realizávamos um treinamento, recebemos a informação do crime, e o suspeito estava armado dentro da casa, sem atender o chamado dos policiais”, explicou Edson Medina, delegado responsável pela divisão.
Durante a operação, policiais isolaram toda a área ao redor da residência do suspeito, enquanto atiradores de elite permaneceram posicionados sobre o telhado de um imóvel vizinho, para garantir a segurança da abordagem e evitar qualquer possível reação.
A atuação de dois atiradores de elite chamou a atenção de quem acompanhava o caso. O delegado afirmou que esse é um procedimento padrão, utilizado quando uma situação é definida como crise. “Quando uma ocorrência foge do padrão ordinário de uma atuação policial, temos de preparar essas alternativas para conseguir fazer o manejo do caso”, afirmou.
Como não foi necessária a atuação letal dos snipers, Medina comentou que esses operadores atuaram para proporcionar uma visão privilegiada de dentro da casa. “Eles ficam preparados para agir caso seja necessário. Quando não há essa necessidade, eles utilizam as lunetas das armas para enxergar toda a cena e fornecer informações para mim, o gerente, para que possamos tomar a melhor decisão possível”, acrescentou Medina.
“As duas equipes em solo conseguiram estabelecer um corredor de acesso. Ao ouvir a equipe entrando, Evandro desceu as escadas. Nesse momento, as equipes o encontraram e realizaram a captura, levando-o para fora da casa”, afirmou o delegado, que disse que Evandro não apresentou resistência à prisão.
Vestindo bermuda jeans, chinelos e um par de óculos apoiado sobre a testa, Evandro deixou a casa algemado e escoltado.
Dor e comoção
A chegada do Instituto de Medicina Legal (IML) ao condomínio foi marcada por forte comoção. Familiares e amigos acompanharam, emocionados, a retirada dos corpos de Leonardo e Rayane. Em meio ao desespero, uma parente da vítima lamentou a tragédia. “Mataram uma família e destruíram a nossa.”
O irmão de Rayane, tomado pela dor, se ajoelhou e caiu em prantos, permanecendo no chão enquanto os peritos realizavam o trabalho de remoção dos corpos.
Momentos depois, revoltado, ele arremessou dois tijolos contra a casa do vizinho apontado como autor do crime. Os objetos atingiram apenas a parede do imóvel, e a situação foi rapidamente controlada pelos policiais.
A reportagem tentou contato com familiares tanto das vítimas quanto do suspeito, mas eles preferiram não se manifestar.
Os advogados também foram procurados. Até o fechamento desta edição, porém, ainda não havia um defensor oficialmente constituído para representar Evandro.
Perdas
Rayane era coordenadora do Cadastro Único (CadÚnico) de Santo Antônio do Descoberto (GO). Servidora pública, atuava na gestão do programa responsável pelo cadastramento de famílias em situação de vulnerabilidade social. O marido, Leonardo, trabalhava como coordenador de vendas da Brasal Refrigerantes.
A Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto lamentou a morte da servidora Rayane. Em nota publicada nas redes sociais, a administração municipal manifestou solidariedade aos familiares e amigos da servidora. “A Prefeitura Municipal manifesta profundo pesar pelo falecimento da servidora Rayane Lins Farias Campos. Manifestamos nossa solidariedade aos familiares e amigos neste momento de dor”, informou. Em razão da morte de Rayane, a prefeitura também suspendeu, nessa sexta, as atividades da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Outros casos
Em pouco mais de um ano, o DF registrou, pelo menos, outras três brigas entre vizinhos. Os casos aconteceram em Samambaia, Vicente Pires e Riacho Fundo II. Uma pessoa morreu e três ficaram feridas.
O caso mais grave aconteceu em 6 de fevereiro de 2025, em Samambaia, quando Francisco Evaldo de Moura, à época com 50 anos, atirou na direção do vizinho Adriano de Jesus, 50, e do filho da vítima, de 20. Adriano morreu no local após ser atingido por três disparos. O filho dele conseguiu escapar. O assassinato foi motivado por uma briga por causa de carros estacionados em uma área estreita da rua. Francisco ainda aguarda julgamento após o último adiamento do caso, que aconteceu em maio.
Em 4 de setembro de 2025, no Caub 2, no Riacho Fundo II, uma discussão entre dois vizinhos, também por vagas de estacionamento, feriu uma mulher e uma criança. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), um dos homens queria tirar o carro da garagem, mas não conseguiu por conta do carro do vizinho que estava estacionado em frente à casa. Uma discussão teve início, e o homem que queria tirar o carro da garagem sacou uma arma e começou a atirar em direção ao vizinho, que correu para sua residência, se armou e revidou, iniciando o tiroteio. A esposa e o filho do homem que começou os disparos foram atingidos.
O caso mais recente aconteceu na Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires, no dia 18 de maio deste ano e também foi motivado por desentendimentos em relação à vaga de estacionamento. Lilson Rodrigues do Nascimento, 46, atirou contra Diego Gonçalves Camargo depois que os dois se desentenderam por causa de vagas de estacionamento estreitas no condomínio onde moravam.
Segundo familiares de Diego, dois dias antes dos tiros, Lilson reclamou de uma obra que acontecia na casa da vítima. Mesmo após uma conversa apaziguadora entre a esposa do autor e da vítima, Diego saiu de casa e, quando voltou, viu Lilson se aproximando armado. O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) denunciou o autor dos disparos por tentativa de homicídio por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. A audiência de instrução e o julgamento foram marcados para 28 de setembro deste ano, às 14h, na 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras.
Saiba Mais
Em menos de 1 ano, outras três brigas entre vizinhos
Em pouco mais de um ano, o DF registrou, pelo menos, outras três brigas entre vizinhos. Os casos aconteceram em Samambaia, Vicente Pires e Riacho Fundo II. Uma pessoa morreu e três ficaram feridas.
O caso mais grave aconteceu em 6 de fevereiro de 2025, em Samambaia, quando Francisco Evaldo de Moura, à época com 50 anos, atirou na direção do vizinho Adriano de Jesus, 50, e do filho da vítima, de 20. Adriano morreu no local após ser atingido por três disparos. O filho dele conseguiu escapar. O assassinato foi motivado por uma briga por causa de carros estacionados em uma área estreita da rua. Francisco ainda aguarda julgamento após o último adiamento do caso, que aconteceu em maio.
Em 4 de setembro de 2025, no Caub 2, no Riacho Fundo II, uma discussão entre dois vizinhos, também por vagas de estacionamento, feriu uma mulher e uma criança. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), um dos homens queria tirar o carro da garagem, mas não conseguiu por conta do carro do vizinho que estava estacionado em frente à casa. Uma discussão teve início, e o homem que queria tirar o carro da garagem sacou uma arma e começou a atirar em direção ao vizinho, que correu para sua residência, se armou e revidou, iniciando o tiroteio. A esposa e o filho do homem que começou os disparos foram atingidos.
O caso mais recente aconteceu na Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires, no dia 18 de maio deste ano e também foi motivado por desentendimentos em relação à vaga de estacionamento. Lilson Rodrigues do Nascimento, 46, atirou contra Diego Gonçalves Camargo depois que os dois se desentenderam por causa de vagas de estacionamento estreitas no condomínio onde moravam.
Segundo familiares de Diego, dois dias antes dos tiros, Lilson reclamou de uma obra que acontecia na casa da vítima. Mesmo após uma conversa apaziguadora entre a esposa do autor e da vítima, Diego saiu de casa e, quando voltou, viu Lilson se aproximando armado. O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) denunciou o autor dos disparos por tentativa de homicídio por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. A audiência de instrução e o julgamento foram marcados para 28 de setembro deste ano, às 14h, na 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras.

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF