MÚSICA

Chico Buarque faz 82 anos; relembre história, sucessos e curiosidades

Chico consolidou nome com composições que atravessaram gerações, se tornando um dos maiores nomes da música brasileira

Nesta sexta-feira, dia 19, Chico Buarque completa 82 anos. Além de ser um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira, o artista se consolidou ao longo de seis década como uma das vozes mais influentes da cultura nacional, transitando entre a música, a literatura, o teatro e a reflexão sobre o Brasil.

Suas obras atravessaram diferentes períodos da história do País, dialogaram com questões políticas, sociais e afetivas e conquistaram admiradores de várias gerações. Das canções entoadas em festivais de música aos romances premiados internacionalmente, Chico construiu um legado raro, que permanece atual e relevante.

Kleber/CB - Chico Buarque faz 82 anos

Nascido no Rio de Janeiro em 1944, Francisco Buarque de Hollanda cresceu cercado por arte e intelectualidade. Filho do historiador Sérgio Buarque e da pianista Maria Amélia Cesário, teve contato desde cedo com a literatura, a música e os debates culturais que moldaram sua trajetória. 

Chico tinha 15 anos quando criou sua primeira música, Canção dos Olhos. Porém, ele considera Tem Mais Samba, de 1964, feita para o musical Balanço de Orfeu, de Luiz Vergueiro, sua composição de estreia. No mesmo ano, pela primeira vez uma composição dele foi gravada: Marcha para um dia de sol, lançada em compacto pela cantora Maricenne Costa. 

O reconhecimento nacional veio em 1966, quando ganhou o Festival de MPB com A banda. A canção transformou o jovem compositor em um fenômeno e marcou o início da carreira.  Nos anos seguintes, Chico ampliou seu repertório artístico e apresentou ao público composições que se tornaram clássicas. 

Canções como Construção, considerada uma das obras-primas da música brasileira, revolucionaram a forma de narrar histórias por meio de canções. Já Apesar de Você e Cálice se transformaram em símbolos da resistência cultural durante a ditadura militar no Brasil. 

Outras músicas, como João e Maria, O Que Será, Meu Caro Amigo, Folhetim, Olhos nos Olhos e Roda Viva, ajudaram a consolidar uma obra marcada pela sofisticação poética, pela sensibilidade e pela capacidade de retratar o cotidiano brasileiro. Sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos, entre solos, em parceria com outros músicos e compactos. Escreveu também trilhas para teatro, cinema e novelas. 

A aclamação também viria com a literatura, com a qual ganhou três vezes o Prêmio Jabuti, o mais importante do Brasil, além de ter vencido o Camões, o mais relevante da língua portuguesa, e o Oceanos. Embora tenha publicado em 1974 a novela Fazenda Modelo, ele se assumiu escritor com o romance Estorvo, lançado em 1991, e, desde então, alterna seus lançamentos entre a música e a os livros. 

O primeiro álbum lançado foi Chico Buarque de Hollanda, em 1966. Produzido por Manoel Barenbein , traz sucessos como A Rita, Pedro Pedreiro e Olê Olá. A capa traz uma foto do artista sorrindo ao lado de outra em que ele está sério, imagem essa, que seria transformada em um meme que ultrapassou as fronteiras do Brasil. 

O cantor e compositor possui um campo de futebol em um terreno que comprou em 1978 e onde bate ponto duas vezes por semana ao lado de amigos. Em 1980, quem participou de uma pelada por lá foi o ídolo Bob Marley, em vinda ao Brasil, além de Junior Marvin (guitarrista dos Wailers, banda de Bob), Jacob Miller (vocalista do Inner Circle), Chris Blackwell (diretor da Island Records, gravadora de Bob) e a esposa de Blackwell, Nathalie. 

Nomes brasileiros como Toquinho, Alceu Valença, Moraes Moreira, Evandro Mesquita, o produtor Marco Mazzola e o jogador Paulo César Caju foram outros nomes que participaram da histórica partida. 

Com uma produção que reúne canções, peças teatrais e romances premiados, Chico Buarque construiu uma obra que atravessa gerações e permanece atual. Aos 82 anos, segue sendo uma referência para artistas e admiradores, mantendo vivo um repertório que continua presente na memória cultural do Brasil.

Mais do que cantor, compositor ou escritor, Chico se consolidou como um dos grandes intérpretes da sociedade brasileira por meio da arte, com trabalhos que seguem dialogando com diferentes momentos da história do país.

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