
Aos 14 anos, o brasiliense Erik de Castro deparou-se, na biblioteca do pai, com o livro Senta a Pua!, do Brigadeiro Rui Moreira Lima. Ali, o jovem que já sonhava com as telas teve um estalo: "Isso dá filme". O palpite precoce não apenas se concretizou como deu origem a uma das mais importantes jornadas de resgate histórico do cinema nacional: uma trilogia documental dedicada à participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, cobrindo céu, terra e mar.
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O incentivo definitivo veio de casa. Ao compartilhar o desejo de filmar a Aeronáutica, seu pai, o ex-militar Haroldo de Castro, foi categórico: "Não é só um filme. São três". A provocação desenhou o escopo do projeto de resgate que consumiu 15 anos de trabalho do diretor, entre o início das filmagens de Senta a Pua!, em 1997, e o lançamento de O Brasil na Batalha do Atlântico, em 2012, somando-se ao longa A Cobra Fumou, focado no Exército.
A produção detalha os sacrifícios de jovens, de 18 a 27 anos, que doaram a juventude ao conflito. Erik ressalta o contraste humano entre as frentes. Na Força Aérea, o combate era face a face no ardor do céu, contra a artilharia alemã. Na Marinha, o desafio era o pavor psicológico do "inimigo invisível" nos oceanos, o temível submarino nazista. "Um esforço de guerra em qualquer das três Forças é algo inimaginável para quem vive a vida civil", pontua o cineasta.
Para o diretor, o cinema documental cumpre o papel vital de tocar corações e mentes para perpetuar essa memória às futuras gerações. Sobretudo porque o sentimento que imperava entre os veteranos era o de abandono pelo próprio país. "O Almirante Monnerat, na abertura do filme da Marinha, define bem isso ao decretar que o documentário deveria se chamar Esqueceram de Nós. O sentimento deles foi de gratidão, um verdadeiro 'antes tarde do que nunca'", relembra Erik.
Para reviver os bastidores e as ricas memórias acumuladas em quase duas décadas de convivência e estreita amizade com os pracinhas, Erik de Castro participa, nesta sexta-feira, da transmissão ao vivo "A FEB e o Cinema". Sem roteiros rígidos, o diretor promete deixar fluir as melhores e mais emocionantes histórias de bastidores que moldaram sua carreira e sua profunda admiração pelos heróis nacionais.
Serviço
Live “A FEB e o Cinema – Histórias que não podem ser esquecidas” com o cineasta Erik de Castro
Amanhã (3/7), às 19h30. Transmissão ao vivo no instagram @fatosdasguerrasmundiais
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