O segundo episódio da nova temporada do programa Escola na Rua entrou no ar nesta terça-feira (28/7). O projeto cultural, idealizado por professores da rede pública do Distrito Federal e lançado na última sexta-feira (24/7), terá os oito podcasts publicados até 18 de agosto.
Cada programa é dedicado à memória social e valorização cultural de histórias, saberes, identidades e manifestações da capital do país para além das narrativas oficiais. Os episódios do Escola na Rua estarão disponíveis nas principais plataformas de áudio e vídeo, como YouTube, Spotify e Apple Podcasts.
No segundo podcast do projeto As Raízes Profundas do Cerrado, são três convidados: Marcondes Tapuia, liderança indígena que luta pela regularização e reparação histórica do território ancestral; Renata Nogueira, antropóloga voltada à educação para as relações étnico-raciais; e Tata Ngunzetala, atuante na preservação das tradições de matrizes africanas.
“Quando se fala em Brasília, quase sempre se começa pelo Plano Piloto e pelos monumentos. O podcast parte de outra direção: escuta artistas, comunidades e exalta territórios que também construíram a história e cultura do DF, mas aparecem pouco nas narrativas oficiais”, explica Matheus Costa, um dos coordenadores do projeto.
No primeiro episódio o protagonista foi o Cerrado, mas não apenas como bioma, mas também como um território cultural e espiritual que sustenta as raízes históricas de Brasília, vivas na memória e na ancestralidade dos povos originários da região
Em Punho Cerrado, aparecem o artesão Mestre Divino Faleiros, de Brazlândia, que revela a inspiração para fabricar totens de buritis; a atriz Luciana Meireles, de Ceilândia, contando causos da personagem Maria das Alembranças; a arte-educadora Rayane Mutante, de Taguatinga, detalhando os coletivos afrodescendentes; e a professora e antropóloga Rosângela Corrêa, que aborda a sociobiodiversidade do Cerrado.
Sobre o Escola na Rua
O podcast é uma ação vinculada ao movimento Escola na Rua, iniciativa autônoma fundada em 2015 pelos professores da Secretaria de Educação do DF Matheus Costa e Luna Lambert. O projeto é voltado à transformação social para além dos muros das escolas, utilizando o território como espaço de produção de memória e conhecimento.
A primeira temporada do podcast, financiada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), deu voz a personagens da cultura imaterial das regiões de São Sebastião e Paranoá. Esta segunda temporada conta com o fomento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e reforça o objetivo de valorizar artistas, coletivos culturais e agentes territoriais.
Além do podcast, o movimento produz outro projeto, a FLIER, Feira Literária Escola de Rua, evento cultural realizado no Paranoá (DF) que valoriza a leitura, identidade local e cultura das periferias, com rodas de debates, apresentações de poesias, contação de histórias, concursos literários e até shows musicais.
O professor Matheus Costa conta que o Escola na Rua surgiu a partir da percepção de que o conhecimento escolar precisa dialogar mais com a cultura, a história e os saberes produzidos nos territórios. “O movimento passou a desenvolver ações que aproximam educação, cultura e comunidade. As memórias dos moradores e as experiências cotidianas carregam saberes que precisam dialogar com a escola”, diz ele.
“O Podcast Escola na Rua nasceu como uma extensão desse trabalho e da necessidade de registrar e fazer circular essas vozes”, acrescenta.
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