EDUCAÇÃO

Mãe do menino Miguel se forma em direito e homenageia o filho na colação

Mirtes Renata é entrou no salão carregando uma foto do filho, seis anos após a morte do menino

Giovanna Rodrigues
postado em 01/09/2026 13:00
Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, se forma em direito -  (crédito: Reprodução/Instagram)
Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, se forma em direito - (crédito: Reprodução/Instagram)

A mãe do menino Miguel, Mirtes Renata, se formou em direito e participou da cerimônia de formatura. Durante a festa, ela emocionou ao homenagear o filho, que morreu após cair do 9° andar de um prédio de luxo, em Recife. 

O caso completou seis anos em junho. A ex-patroa de Mirtes, Sari Corte Real, foi condenada a 7 anos de prisão pela morte do menino, mas o processo ainda não foi concluído e ela responde em liberdade. 

A formatura ocorreu no sábado (29/8), em uma casa de festas no Recife. As imagens, divulgadas por Mirtes nas redes sociais, mostram a nova bacharela descendo as escadas para entrar no salão, carregando uma foto de Miguel, acompanhada da mãe Marta, a irmã Fabiana Patricia e duas amigas, ao som de Maria, Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

No telão do evento foram exibidas fotos de Miguel. A homenagem emocionou convidados e colegas

"Antes mesmo da formatura, eu já vinha bem sentida, já imaginando esse momento, porque era um momento que eu sonhava para o meu filho, de ser o baile de formatura dele, de descer com ele pelas escadas. Então, no momento, eu decidi: 'meu filho vai estar comigo'. Então, levei a foto. E no telão, era para ser minha foto, mas eu pedi que não, que fosse do meu filho", afirmou Mirtes, em entrevista à TV Globo.

Mirtes, que agora trabalha como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), concluiu a graduação em junho, tirando nota máxima no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com uma monografia sobre escravidão contemporânea. 

Mirtes disse também que o filho foi a principal motivação para seguir em frente e concluir a graduação. Ela contou que decidiu cursar direito para compreender melhor os trâmites do processo relacionado à morte de Miguel. "Foi uma caminhada muito difícil, marcada por muita dor, por muitos desafios. Muitas vezes eu pensei que não iria conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o propósito dessa caminhada, o propósito de eu continuar", disse.


Relembre o caso 

Miguel Otavio Santana da Silva, de 5 anos, morreu no dia 2 de junho de 2020, após cair no 9° andar do Condomínio Pier Maurício de Nassau, no Bairro de São José. Mirtes tinha descido ao térreo para passear com a cadela dos patrões, enquanto a então patroa, Sari Corte Real, responsável por cuidar do menino naquele momento, pintava as unhas com uma manicure. 

O garoto ficou no apartamento com Sari, localizado no 5° andar e, num determinado momento, ambos foram ao elevador. As imagens de segurança mostram Sari apertando um botão do elevador e deixando a porta fechar com o menino dentro. 

O laudo pericial concluiu que Sari apertou o botão que levava a para a cobertura do edifício; o vídeo mostra ainda, o equipamento parando no 9° e Miguel saindo da cabine. 

Perdido, Miguel caminhou até o vão onde fica o maquinário dos aparelhos de ar-condicionado e acabou caindo no térreo. Ele morreu durante o socorro. Sari foi presa em flagrante e autuada por homicídio culposo, mas pagou a fiança de R$20 mil e foi liberada. 

Em 2021, Mirtes Renata começou a cursar direito para entender o caso processual. Com a repercussão da história, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) criou o Instituto Menino Miguel, voltado para discussões sobre infância, família e envelhecimento.

Em maio de 2022, Sari foi condenada a oito anos e seis meses de prisão, mas em novembro do ano seguinte a pena foi reduzida a sete anos. Além do processo criminal, Sari e o marido Sérgio Hacker, respondem a uma ação trabalhista por convocar as ex-funcionárias Mirtes Renata Santana e Maria Marta, avó de Miguel, para trabalhar durante a pandemia e por pagar os salários delas com dinheiro da prefeitura de Tamandaré;

O processo, que condenou o casal a pagar uma indenização de R$ 1 milhão à família do menino, foi suspenso pelo STJ em setembro de 2024. A família do menino também entrou com uma ação cível contra Sari por danos morais. 

Sari, condenada a sete anos de prisão, segue em liberdade ao processo que tramita há mais de seis anos. 

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