ELEIÇÕES 2026

"Não tenho preocupação com o Alfredo Gaspar", diz Valdemar Costa Neto

O presidente nacional do PL diz não temer investigação sobre o vice de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência e confirma apoio do partido  à candidatura do deputado

"A Michelle Bolsonaro terá um papel fundamental na campanha. Ela está se organizando para ser candidata ao Senado e estruturou o PL Mulher em todo o país" - (crédito: Beto Barata/ PL)

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao Correio que não tem "nenhuma preocupação" com a permanência de Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, apesar da investigação preliminar em análise no Supremo Tribunal Federal e na Procuradoria-Geral da República. Na entrevista, o dirigente reiterou confiança na inocência do deputado e revelou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teria sido uma "excelente vice", mas optou por disputar uma vaga no Senado Federal. 

Em relação à escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro, o senhor acredita que foi uma escolha consciente ou ocorreu de última hora, como sugerem os bastidores? O senhor mencionou que a decisão foi tomada há seis meses, mas, naquela época, nem se sabia se o candidato seria o próprio Flávio.

No momento em que a candidatura do Flávio foi lançada, eu e o Rogério Marinho já havíamos pensado nessa possibilidade, mas não avançamos de imediato. Nossa principal estratégia de campanha contra o PT será expor o que fizeram contra os aposentados no Brasil. Quando o programa eleitoral começar na TV, apresentaremos Alfredo Gaspar, que foi o relator na CPI e pediu medidas que acabamos perdendo por falta de maioria. Mostraremos quem votou contra e quem votou a favor dos aposentados, pois esse é o fato que mais atingiu o governo petista. O Rogério Marinho foi muito inteligente nessa articulação.

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Então, foi o próprio Rogério Marinho quem decidiu essa indicação?

A decisão final é minha, pois sou o presidente e comando o diretório do partido. No entanto, a ideia partiu do Rogério Marinho, que foi brilhante. Quando ele me apresentou a proposta, percebi que esse seria o nosso tema central contra o PT. Muitos aposentados ainda votam no Lula por falta de acesso à informação e à internet, mas, ao assistirem ao programa eleitoral, verão o que consideramos o maior crime da história do país.

Se Alfredo Gaspar já havia sido escolhido há seis meses, por que continuaram insistindo no nome de Tereza Cristina?

O nome da Tereza Cristina é excelente para qualquer chapa, inclusive como candidata à Presidência, pela competência e unanimidade. Como não houve uma composição direta com o PT (como adversário), precisávamos manter opções. Ela conquistou as pessoas pelo seu trabalho e é uma figura maravilhosa na política.

O PL buscava uma vice feminina para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino. O fato de a chapa ser formada apenas por integrantes do próprio partido representa um fracasso estratégico, considerando a resistência de Flávio com esse eleitorado?

A Michelle Bolsonaro terá um papel fundamental na campanha. Ela está se organizando para ser candidata ao Senado e estruturou o PL Mulher em todo o país. Inicialmente, nós queríamos a Michelle, mas houve um problema inicial entre os dois que já foi superado. Agora, ela optou pela candidatura ao Senado. Michelle seria uma vice maravilhosa! Além disso, embora o PP e o Republicanos não tenham integrado formalmente a chapa, Tereza Cristina e Damares Alves estarão à frente da campanha.

A escolha de Alfredo Gaspar ocorre em um momento em que há uma notícia-crime contra ele em análise no STF e na PGR. O PL discutiu os impactos dessa investigação ou cogitou um plano alternativo caso ela avance?

Não há preocupação. Quando esse assunto surgiu na CPI, após ele pedir a prisão do filho de Lula, nós pesquisamos e verificamos que ele já realizou o exame de DNA. As provas foram enviadas ao Supremo e não há risco algum; ele é um homem de bem.

Por que o senhor acredita que esse assunto ressurgiu agora?

A base governista busca atacar o Flávio e o nosso vice. Como pretendemos focar nos escândalos que envolveram os aposentados, eles tentam encontrar defeitos em nós. O líder do PT, Lindbergh Farias, foi irresponsável em suas declarações na CPI e terá que se retratar, pois as acusações não são verdadeiras. O DNA já foi realizado e está no Supremo.

O senhor acredita que a dificuldade em atrair aliados como o Republicanos e o PP pode afetar a competitividade de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno?

Acredito que não. Cerca de 80% a 90% dos integrantes desses partidos vão apoiar o Flávio, pois não desejam o retorno do PT. Respeitamos a decisão institucional deles, que são nossos antigos parceiros, e seguiremos em frente.

Caso a Procuradoria-Geral da República peça a abertura de um inquérito contra Alfredo Gaspar durante a campanha, qual será o critério do PL para decidir a permanência? E quanto às acusações sobre emendas?

Ele permanecerá candidato. A PGR terá acesso às provas, como o DNA, que esclarecem os fatos.

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postado em 09/08/2026 06:08
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