
A eleição de 2026 é considerada por muitos especialistas como inédita por diversos pontos, como a possibilidade de um presidente exercer um quarto mandato, a falta de debate entre os dois principais candidatos, um novo recorde de abstenção e inteligência artificial recebendo regramento de uso nas campanhas. Até aqui, o que tem enfraquecido o pleito é justamente a ausência de confrontos entre os candidatos.
"A ausência enfraquece porque o debate tem uma função que o podcast, a entrevista, a própria rede social não consegue substituir. Colocar o candidato diante do contraditório é um ponto de desconforto quando você está ali ao vivo com as mesmas regras, no mesmo parâmetro para todo mundo. E em uma situação de embate, a postura é outra. Não dá para dizer que faltou informação para o eleitor. O que faltou foi o confronto", explicou o cientista político Henrique Hellas. Para ele, quem saiu perdendo foram os candidatos menores, com menos espaço, e os eleitores ao terem menos oportunidade de comparação direta de nomes e propostas.
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No quesito comparação entre os dois principais candidatos, Filipe Brandão, especialista em direcionamento de imagem comportamental, estratégia de marca e posicionamento de mercado, destaca que o principal desafio de Lula e Flávio Bolsonaro é ir além do reconhecimento. "Do ponto de vista de imagem, um dos principais desafios de Lula é justamente o peso da própria trajetória. Quanto mais consolidada é uma marca política, mais difícil pode ser gerar sensação de novidade. Flávio Bolsonaro vive um desafio quase inverso, entrou em uma campanha presidencial carregando uma marca extremamente conhecida, mas que não foi construída originalmente apenas por ele. O risco de imagem é que o eleitor reconheça primeiro o sobrenome Bolsonaro e só depois tente entender quem é Flávio", pontuou.
Saiba Mais
Quando se fala sobre abstenção, a projeção tem sido de recorde em comparação a 2022. O professor de direito eleitoral do CEUB Alessandro Costa explica que pesquisas apontam um aumento do número de eleitores que não devem ir às urnas. "Para 2026, uma previsão de 22%, o que corresponderia, atualizando os dados de eleitores cadastrados de 2022 para cá, seriam cerca de 35 milhões de pessoas", explica. Os motivos envolvem pouco interesse nas eleições, escândalos de corrupção como a fraude do INSS e o Banco Master, além da alta rejeição dos dois nomes mais competitivos, com índices de mais de 50%. O envelhecimento do eleitorado também contribui, uma vez que brasileiros com mais de 70 anos não são obrigados a votar.
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