Eleições 2026

Mulheres batem recorde de eleitas para o Senado em 2026

Doze candidatas conquistaram uma das 54 vagas em disputa para a Casa; bancada feminina deverá chegar a 18 senadoras em 2027. Veja o apanhado geral das eleições femininas

 04/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Eleições 2026 colégio Mackenzie no Lago Sul votação de Michelle Bolsonaro. -  (crédito:  Minervino Júnior/CB)
04/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Eleições 2026 colégio Mackenzie no Lago Sul votação de Michelle Bolsonaro. - (crédito: Minervino Júnior/CB)

As eleições deste domingo (4/10) marcaram um avanço histórico na presença feminina no Senado Federal. Ao todo, 12 mulheres foram eleitas para as 54 cadeiras que estavam em disputa. O recorde anterior havia sido registrado em 2002, quando oito mulheres conquistaram vagas na Casa.

Com o resultado, a bancada atual feminina passará das 15 integrantes para 18 em 2027, representando 22% das cadeiras do Senado. 

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Para a cientista política Monalisa Torres, porém, o recorde precisa ser analisado com cautela antes de ser interpretado como uma mudança estrutural na participação feminina na política. Segundo ela, a disputa pelo Senado é bastante influenciada por estratégias partidárias e pela escolha de candidaturas consideradas viáveis eleitoralmente.

As 12 eleitas estão distribuídas por 11 unidades da Federação. O Distrito Federal foi o principal destaque, elegendo, pela primeira vez, duas mulheres para o Senado na mesma eleição. Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) se juntam a Damares Alves (Republicanos), que já possui mandato até 2031. Com isso, o DF terá, a partir de 2027, a primeira bancada do Senado formada exclusivamente por mulheres.

As demais eleitas foram Mara Rocha (Republicanos), pelo Acre; Marina JHC (PSDB), por Alagoas; Rayssa Furlan (Podemos), pelo Amapá; Luizianne (Rede), pelo Ceará; Gracinha Caiado (União), por Goiás; Marília Campos (PT), por Minas Gerais; Marília Arraes (PDT), por Pernambuco; Samanda de Lula (PT), pelo Rio Grande do Norte; Teresa Surita (MDB), por Roraima; e Carol de Toni (PL), por Santa Catarina.

Outro resultado de destaque foi o do Amapá. Com a eleição de Rayssa Furlan, o estado passou a ter sua primeira mulher eleita para o Senado. Com isso, o Piauí se tornou a única unidade da Federação que nunca elegeu diretamente uma mulher para a Casa.

Os novos mandatos no Senado começam em 1º de fevereiro de 2027 e terão duração de oito anos. 

Monalisa ressalta que o aumento numérico é importante, mas não necessariamente significa que houve uma transformação nas estruturas políticas. “Essa eleição do Senado passa muito mais por esses outros campos do que necessariamente por um investimento partidário, que seria sim uma mudança estrutural na produção de lideranças femininas e, portanto, na ampliação da participação feminina”, avalia.

Segundo a cientista política, a presença de mais mulheres em cargos de poder pode ter um efeito simbólico e estimular novas candidaturas. “É evidente que mais mulheres na política pode favorecer uma leitura das que ainda estão fora de que é possível, pode incentivar mais candidaturas femininas”, afirma. Ela pondera, entretanto, que será necessário acompanhar se a atuação das eleitas contribuirá efetivamente para ampliar a participação feminina.

Nos governos

O aumento da presença feminina no Senado contrasta com o resultado das eleições para os governos estaduais e do Distrito Federal. No primeiro turno, apenas uma mulher foi eleita governadora: Raquel Lyra (PSD), reeleita em Pernambuco.

Outras quatro candidatas avançaram para o segundo turno podendo ainda ampliar a presença feminina no comando: Mailza Assis (PP), no Acre; Professora Maria do Carmo (PL), no Amazonas; Celina Leão (PP), no Distrito Federal; e Professora Dorinha (União), no Tocantins.

CLDF e Câmara dos Deputados 

No Distrito Federal, a presença feminina avançou levemente na Câmara Legislativa (CLDF). Das 24 cadeiras em disputa, cinco serão ocupadas por mulheres. Foram reeleitas Jaqueline Silva (MDB) e Dayse Amarilio (PSB), e Estefane Sampaio (Republicanos), Keka Bagno (PSol) e Renata D'Aguiar (Republicanos) chegam pela primeira vez à Casa.

Já na Câmara dos Deputados, o resultado foi o oposto e nenhuma das oito vagas destinadas à unidade da Federação será ocupada por uma mulher. A bancada tem quatro deputados reeleitos e quatro novos parlamentares. 

Entre os reeleitos, um destaque foi Erika Hilton (PSOL), que garantiu sua permanência se tornando a mulher mais votada da história do Brasil para o cargo. No apanhado geral de São Paulo, ela ficou atrás apenas de Lucas Pavanato (PL). 

 

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postado em 05/10/2026 12:20
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