Diário de Anne Frank

Museu do Holocauso rebate jovem que chamou relato de Anne Frank de vitimista

Jovem chamou o livro de "vitimista" durante a Bienal do livro em São Paulo e gerou críticas de leitores e historiadores

Museu do Holocausto rebate critica a Diário de Anne Frank  -  (crédito: Reprodução/ Anne Frank House )
Museu do Holocausto rebate critica a Diário de Anne Frank - (crédito: Reprodução/ Anne Frank House )

O Museu do Holocausto, em Curitiba, e a Federação Isrelista se pronunciaram em repúdio nas redes sociais nesta quarta-feira (16/9) sobre a recente polêmica envolvendo o livro “O Diario de Anne Frank”, quando uma frequentadora da 28° Bienal Internacional do Livro de São Paulo classificou o livro como “vitimista”. 

Na nota emitida, as entidades afirmam que o diário da jovem “é o registro de uma adolescente submetida á perseguição nazista. Narrar o sofrimento não significa fazer dele uma identidade”. 

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A polêmica começou quando uma influenciadora entrevistou a jovem que frequentava a Bienal, perguntando qual o melhor e o pior livro que ela havia lido durante o evento. Em resposta, ela classificou a obra biográfica da adolescente judia como o pior livro, justificando a escolha ao declarar a obra como “vitimista”. 

A afirmação gerou críticas de leitores, historiadores e criadores de conteúdo, que apontaram a falta de conhecimento sobre o contexto histórico da obra e de empatia diante do relato. 

Na publicação, o Museu do Holocausto afirmou também que o diário precisa ser considerado a partir das circunstâncias em que foi escrito. A instituição afirmou que relatos de vítimas não precisam apresentar uma narrativa de superação ou uma imagem idealizada de quem passou por situações de perseguição. 

“A vítima não deve ao leitor uma narrativa confortável. Às vezes, esperamos que uma vítima seja sempre serena, corajosa e inspiradora. Mas um diário pode não ter uma lição de superação. Nele cabem medo, raiva, tédio, contradições , desejos, conflitos familiares e vontade de viver”. 

Anne Frank era uma jovem judia de 13 anos que ficou escondida por cerca de dois anos durante a ocupação nazista em Amsterdã, na Holanda. O diário foi escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944. Poucos dias depois, o esconderijo foi descoberto pela policia nazista após uma denúncia anônima. Anne foi presa e deportada para campos de concentração, e morreu em Bergen-Belsen, em 1945, aos 15 anos. O livro se tornou um dos maiores documentos históricos e símbolos contra a intolerância no mundo. 

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postado em 18/09/2026 08:55
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