Luto no jornalismo

Luis Turiba ganhou prêmio Esso de Jornalismo pelo Correio Braziliense

Poeta e jornalista, Luis Turiba morreu aos 76 anos e teve uma carreira marcada por conquistas, incluindo dois Prêmios Esso de Jornalismo

O poeta e jornalista Luis Turiba, morto nesta quarta-feira (26/8), aos 76 anos, foi duas vezes ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, em Brasília. Batizado Luiz Arthur Toribio, começou a carreira no jornalismo aos 23 anos, com estágios em notórios jornais brasileiro, seguindo para as redações do Diário de Notícias, do O Globo e, em Brasília, nos jornais Gazeta Mercantil, Jornal de Brasília e também no Correio Braziliense.

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Com a carreira já bem alavancada, em 1980 Turiba recebeu o primeiro Esso por uma matéria no Jornal de Brasília, na qual contava detalhes de um encontro entre seu estagiário Renato Manfredini, que viria a ser Renato Russo, da banda Legião Urbana, com o então todo-poderoso ministro da Agricultura Delfim Neto. 

Já seu segundo Prêmio Esso, na categoria Regional Centro-Oeste, veio enquanto trabalhava no Correio Braziliense, graças a uma cobertura coletiva chamada A Máfia do Condomínio, publicada em 1995, que investigou a legalização irregular de áreas públicas para a construção de condomínios residenciais. 

A série de reportagens expôs um dos problemas urbanísticos mais graves e duradouros de Brasília: a grilagem de terras públicas e a expansão desenfreada de condomínios irregulares no Distrito Federal na década de 1990.

Enquanto desmantelava esquemas criminosos nas páginas de política e cidades, Turiba era um dos maiores nomes da poesia marginal de Brasília da época. Para Turiba, escrever poesia era exercício de concisão, habilidade que ele adquiriu graças aos 32 anos de jornalismo. "Por ser jornalista, meus poemas têm visão muito jornalística, de cena, de objetividade, de refletir um cotidiano. Quase que cinematográficos", define em entrevista ao Correio em 2018.

Sua trajetória literária começou oficialmente em 1977, com a publicação do livreto de poesias Kiprokó. Mais tarde, em 1998, sua produção artística ganhou notoriedade ao conquistar o Prêmio Candango de Literatura, concedido pelo Governo do Distrito Federal, pelo lançamento do livro-CD Cadê.

Turiba morreu em casa, em decorrência de complicações de saúde, incluindo um quadro pulmonar grave decorrente de sequelas da covid-19 longa e insuficiência cardíaca, condição que já o havia levado a realizar uma cirurgia de ponte de safena aos 53 anos. Ele deixa cinco filhos, além de netos. O velório de Turiba será na quinta-feira (27/8), a partir de 14h, em Salvador. A cremação será às 16h30, no Cemitério Jardim da Saudade.

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