Podcast do Correio

Márcia Abrahão: "Minhas pautas são educação, ciência e a força das mulheres"

A ex-reitora da UnB e candidata a deputada federal pelo PT detalhou suas propostas para o Congresso Nacional, fez duras críticas à gestão do Banco de Brasília e defendeu políticas de inclusão, transição energética e valorização da ciência.

Candidata a deputada Federal Márcia Abrahão detalha suas propostas ao Podcast do Correio  -  (crédito: Reprodução/Correio Braziliense )
Candidata a deputada Federal Márcia Abrahão detalha suas propostas ao Podcast do Correio - (crédito: Reprodução/Correio Braziliense )

A ex-reitora da Universidade de Brasília (UnB) e candidata a deputada federal Márcia Abrahão (PT) participou do Podcast do Correio. Em entrevista aos jornalistas Ana Maria Campos e Ronayre Nunes, a geóloga e professora aposentada relembrou sua trajetória acadêmica e administrativa, criticou o desmonte da ciência e do ensino superior durante governos anteriores e detalhou suas principais bandeiras rumo à Câmara dos Deputados.

Como foi a gestão da Universidade durante o governo Bolsonaro? 

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Gerir a UnB nessa época foi um grande desafio, pois enfrentamos uma combinação de asfixia financeira e ataques diretos à ciência e à nossa autonomia. Já em 2019, sofremos um corte de 30% no orçamento, e em 2021 tivemos zero de investimento repassado pelo governo federal para compras básicas de livros e equipamentos. Paralelamente, fomos alvos de diversos ataques institucionais, fomos rotulados pejorativamente de 'Universidade da Balbúrdia' e fomos tratados com até certa agressividade por ministros da educação que desqualificaram a ciência produzida na Universidade, questionando a capacidade técnica. Tivemos também um desrespeito à autonomia universitária, com a quebra da tradição de nomear os reitores mais votados, e enfrentamos a pandemia sem o suporte orçamentário adequado para adaptar a instituição ao ensino remoto e ao retorno presencial. Mesmo diante desse cenário adverso, a comunidade da UnB resistiu e manteve a excelência acadêmica.

Se eleita deputada federal, qual será o seu foco principal de trabalho no Congresso Nacional?

Minhas bandeiras políticas são baseadas nas minhas experiências, então tudo é fomentado na educação, ciência e tecnologia. Minha prioridade máxima será a construção da Bancada da Ciência, articulando um orçamento permanente para a educação e para a pesquisa científica, com a meta de alcançar 2% do PIB para a educação até 2030. Também levo como marca a defesa dos Direitos das Mulheres, replicando nacionalmente o que fiz na UnB com creches, salas de amamentação e apoio às meninas nas ciências exatas. Complemento minhas bandeiras com a valorização do Serviço Público, a criação de políticas públicas para a Pessoa Idosa e a pauta do meio ambiente, usando minha formação em geologia para atuar fortemente na transição energética e na preservação ambiental.

A senhora sempre negava a intenção de disputar cargos eletivos. O que a fez mudar de ideia para aceitar o convite?

Eu não tinha a pretensão de me candidatar. Estava me dividindo entre a reitoria da UnB, a presidência da Andifes e a família, e meu plano era me aposentar. Mas, após vivenciar momentos dramáticos na educação, como esses cortes de recursos, os ataques à autonomia universitária e a desqualificação da ciência, percebi que não podia me omitir. Recebi convites de vários partidos, mas optei pelo PT inspirada por figuras como Arlete Sampaio, Chico Vigilante e Érika Kokay. Aceitei o desafio para defender a democracia, ajudar na reconstrução do país e dar continuidade ao trabalho de representação feminina no Congresso.

Qual é a sua avaliação sobre o cenário atual do Banco de Brasília (BRB) e as denúncias sobre a instituição?

Primeiramente, eu afirmo categoricamente que o BRB foi roubado para atender interesses de terceiros. O BRB é um patrimônio fundamental para o Distrito Federal, criado para apoiar o desenvolvimento local, os pequenos agricultores e os servidores. O rombo estimado é bilionário e falta transparência: o governo local se recusa a publicar balanços financeiros sob o argumento de risco de quebra. A solução exige auditorias rigorosas, responsabilização dos envolvidos e uma capitalização equilibrada, que recupere a instituição sem penalizar os investimentos em saúde, educação e na valorização dos servidores públicos do DF.

Como foi a experiência de ser a primeira mulher reitora da UnB e como isso se reflete na sua pauta política?

Foi um enorme desafio e uma grande responsabilidade. Tive que demonstrar capacidade técnica constantemente em espaços historicamente masculinos. Na reitoria, fiz questão de manter equipes paritárias e implementar políticas concretas de cuidados, como fraldários, salas de amamentação e a criação da primeira creche pública da universidade. Também adaptamos os prazos acadêmicos para mães na pós-graduação. Como parlamentar, a defesa dos direitos das mulheres, o combate à violência de gênero e o incentivo às meninas nas ciências exatas serão prioridades centrais.

 

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postado em 29/09/2026 12:15
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