Neste ano, Wagner Moura e Bad Bunny dividem um mesmo lugar de destaque no imaginário pop global. Um chega à temporada de prêmios como indicado ao Oscar, enquanto o outro sai do Grammy com o troféu mais cobiçado da noite. O que nem todo mundo recorda é que, antes desse momento de consagração, o brasileiro e o porto-riquenho já haviam se encontrado profissionalmente em um set de gravação.
Após o impacto mundial de Narcos, série da Netflix em que Moura deu vida a Pablo Escobar, a plataforma expandiu o universo da produção com Narcos: México, focada nas dinâmicas do narcotráfico mexicano. Foi ali que, em 2021, Bad Bunny entrou em cena como Arturo “Kitty” Páez, jovem rico que se envolve com os chamados “Narco Juniors”, grupo ligado ao Cartel de Tijuana. O papel marcou a primeira grande incursão do músico na atuação, depois de aparições pontuais na TV e personagens menores no cinema.
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Embora não ocupasse o centro da narrativa, Kitty Páez seguia a tradição da franquia ao apresentar um personagem ambíguo, atravessado por privilégios, violência e contradições morais. Nos bastidores desses episódios, Moura não estava mais diante das câmeras, mas atrás delas. Na terceira temporada da série, ele dirigiu o terceiro e o quarto episódios, aqueles que contam com a participação de Bad Bunny. A função, no entanto, não era inédita para Moura, que já havia comandado o longa Marighella dois anos antes.
Esse encontro ganha novos contornos à luz do momento atual. Em 2026, Moura disputa o Oscar de Melhor Ator por O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho que se consolidou como um dos títulos mais comentados da temporada. Bad Bunny, por sua vez, entrou para a história do Grammy ao vencer Álbum do Ano com DeBÍ TiRAR MáS FOToS — a primeira vez que um disco inteiramente em espanhol conquista o prêmio.
Apesar das linguagens distintas, as duas obras dialogam ao colocar em primeiro plano temas ligados à identidade e à memória latino-americana. O Agente Secreto revisita as marcas da ditadura militar brasileira, enquanto DeBÍ TiRAR MáS FOToS aposta numa afirmação direta da cultura e da experiência porto-riquenha. Em entrevistas recentes, tanto Moura quanto Bad Bunny associaram seus trabalhos ao clima político dos Estados Unidos, citando violência institucional, autoritarismo e políticas anti-imigração.
No discurso de agradecimento no Grammy, Bad Bunny foi explícito: “Fora ICE [Immigration and Customs Enforcement, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos]!”, declarou. “Não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens. Somos humanos e somos americanos.”
Moura também abordou o tema em entrevista à Variety, ainda que de forma indireta, ao comentar o assassinato da ativista Renee Good, em Minneapolis. “Foi um daqueles momentos meio ‘que p*rra é essa?’ que deveria acordar as pessoas.”
Na mesma conversa, o ator e diretor explicou as motivações políticas por trás de O Agente Secreto: “Este é um filme que nasceu do que Kleber e eu sentimos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. Como nos sentíamos em relação ao nosso papel como artistas”. E completou, dirigindo-se ao público norte-americano: “Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem o que é isso, como é essa sensação ou o quanto isso é ruim. Isso acontece lentamente. E se você não reage às pequenas coisas, é aí que elas assumem o controle.”
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