
Mesmo antes do fim do prazo de registro das candidaturas, que se encerra no dia 15, a realização de debates eleitorais deu a largada na campanha deste ano, especialmente em relação aos estados. Na noite de deste domingo (9/8), a Band promoveu uma série de debates em 12 unidades da Federação e no Distrito Federal. Em São Paulo, colégio eleitoral decisivo para a escolha de presidente da República e também para a composição do Congresso Nacional, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) participou do embate com o ex-governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição.
O encontro dos dois foi marcado por discussões em torno de temas nacionais, como as sanções dos Estados Unidos, operações contra o tráfico de drogas e embates sobre segurança pública e economia. Tarcísio defendeu o papel do governo de São Paulo na segurança pública e disse que combate as facções criminosas. "Temos o menor indicador de latrocínio da história. Temos o menor indicador de roubo de carga. Sempre se falou da operação do PCC no setor de combustíveis. Eu fiz operação aqui no setor de combustíveis. Sempre se falou da participação do PCC no setor de transportes. Nós fizemos mais de 500 operações com o MP, com a PF. Não paramos de combater o crime. Não vamos nos esconder atrás da estatística. Me dói saber que o cidadão de bem tem o celular roubado e a gente quer evitar isso. Nós aumentamos o efetivo policial, maior aumento dos últimos quatro mandatos", disse.
Haddad, por sua vez, acusou Tarcísio de sucatear a área e de ter se arrependido de nomear Guilherme Derrite para gerir a segurança pública. "Coronéis da PM integrando o crime organizado. Imagina um coronel da PM passando dados de um promotor de Justiça para o crime. O que você fez na polícia, o Derrite bagunçou. Você tem que assumir a responsabilidade. Você deve estar arrependido mesmo. Por que é muito grave você colocar para fora da corporação as pessoas mais preparadas para nos ajudar. A corporação hoje está envergonhada das decisões que o seu secretário de segurança tomou", disse.
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O candidato petista ainda acusou Tarcísio de não agradecer às parcerias do governo federal para combater o crime organizado e a pobreza. Ao citar a prisão de traficantes na Favela do Moinho, Tarcísio afirmou que Haddad subiu em um palanque com uma traficante. "Não estamos permitindo barricadas em Paraisópolis. Nós desmobilizamos o Moinho, tiramos o traficante. Temos cenas lamentáveis, como, por exemplo, do doutor Fernando Haddad com a traficante que comandava a favela do Moinho no palco", disse o candidato do Republicanos. Haddad, então, respondeu acusando Tarcísio de conhecer profundamente o tráfico de drogas. "Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece. Se você sabia quem era a traficante, por que não foi lá prender? Então, você respeita e abaixa a bola. Não acho que estamos bem na segurança pública, pois está faltando comando", respondeu Haddad.
O debate também girou em torno das sanções dos Estados Unidos. Haddad lembrou que Tarcísio usou um boné em referência ao governo norte-americano e disse que ele não defendeu o país em meio a taxação do governo de Donald Trump. Tarcísio reconheceu que a imposição de tarifas é ruim para a economia. "As tarifas impostas pelos EUA prejudicam muito o Brasil e o estado de SP. Prejudica fábricas, prejudica empregos. No plano estadual, fizemos a calendarização de créditos acumulados no ICMS. Antecipamos esse pagamento, ampliamos a linha de crédito para ajudar neste momento de crise", afirmou.
União com Lula
Na Bahia, estado que tem forte peso no resultado das eleições gerais, participaram do debate os candidatos ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSol). No debate, foi possível notar dobradinha contra ACM Neto protagonizada entre o candidato do PSol e o postulante à reeleição do PT. Em pergunta feita ao candidato do União Brasil, Mansur resgatou uma fala de 2005 em que o então deputado federal ACM Neto defendeu "dar uma surra" em Lula, que à época cumpria seu primeiro mandato, para questionar quem o candidato oposicionista vai apoiar no pleito deste ano.
Neto, então, disse defender a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) e alfinetou Jerônimo, ao registrar problemas na saúde e segurança pública. Na área da saúde, o candidato do União Brasil questionou se Jerônimo sentia tristeza ao registrar demora no andamento da fila de regulação para atendimento hospitalar. "Não lhe toca saber que tantas pessoas morrem no seu estado? Quem está morrendo na fila da regulação são os mais pobres. O que o senhor tem a dizer sobre isso?", disse. Em resposta, Jerônimo destacou políticas públicas feitas em seu governo e nos 20 anos do PT à frente do comando da Bahia. "Em 20 anos, quantos hospitais seu grupo político fez na Bahia? Olha a herança, uma herança malvada, perversa", disse Jerônimo, ao lembrar dos governos liderados por aliados do ex-senador e avô de ACM Neto, Antônio Carlos Magalhães.
Em seguida, Neto voltou a atacar a fila da regulação na Bahia e criticou a afirmação que Jerônimo fez de que ninguém morre esperando atendimento na Bahia. "Mais um governo do senhor significa mais gente morrendo na fila de regulação", manifestou-se. Em outro momento do debate, Jerônimo Rodrigues apontou o fato de ter origem indígena para questionar ACM Neto pela forma como seria tratado pelo candidato do União Brasil. "Você me trata assim por causa da minha origem", protestou. Como resposta, Neto disse que Jerônimo tentou se fazer de vítima ao evitar tratar de temas relevantes à eleição. "E a ponte entre Salvador e Itaparica?", questionou o candidato à reeleição na Bahia.
No Ceará, o debate girou em torno de Elmano de Freitas (PT) e do ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Na rodada de perguntas, Elmano rebateu as críticas de Ciro sobre ausência de obras e investimentos. "Você tem que perguntar as suas críticas aos seus novos amigos do PL, porque o governo Bolsonaro não mandou dinheiro", declarou o governador. Ciro acusou Elmano de usar o presidente Lula como "muleta". "A defesa cega que vocês fazem de bajulação do Lula, eu entendo, você está precisando da muleta dele, está tudo certo, mas a nossa tarefa é exigir as coisas para o Ceará", disse.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o debate na Band teve a ausência do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), líder nas pesquisas eleitorais, com 48,6% das intenções de voto, segundo levantamento publicado no final de julho, pelo Instituto Paraná Pesquisas. Com a falta do candidato do PSD, o debate da Band para governador do Rio de Janeiro contou com as participações dos candidatos Douglas Ruas (PL), William Siri (PSol), André Marinho (Novo) Rafael Luz (Missão), Coronel Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU), Juliete Pantoja (UP), Wilson Witzel (DC) e Luan Monteiro (PCO).
Paes foi alvo de três candidatos: chamado de "homem geleia" por André Marinho (Novo), "agressor de mulheres" por Douglas Ruas (PL) e "aliado de milícia" pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Em uma dobradinha, Ruas acusou Paes de ter uma "trajetória de violência contra as mulheres".
Entre os presentes no evento televisivo, o psolista William Siri questionou Douglas Ruas sobre se, diante de uma suposta ligação dele com facções criminosas, a política de segurança do candidato do PL seria o de "negociação com o crime". Em resposta, Ruas negou ser próximo de grupos criminosos, e defendeu maior empenho na segurança para "garantir que nossos policiais cumpram sua missão" de combater facções.
Os debates ocorreram no DF, em São Paulo, Rio Grande do Sul, Piauí, Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas, Bahia, Paraná, Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão e Goiás. Em Minas Gerais, o debate acabou adiado por conta da indefinição do cenário eleitoral. O senador Cleitinho (Republicanos) havia retirado a candidatura, mas voltou atrás na última semana, e a participação dele no pleito foi confirmada pelo partido.
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Quem não foi
No Amazonas, o governador Roberto Cidade (União) não compareceu, alegando questões jurídicas.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes informou de última hora que não iria.
No Paraná, Sérgio Moro também decidiu faltar.
Em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB) decidiu que não compareceria

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