A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, ocorrida cerca de dois dias após a Eleição Presidencial, gerou 471 mil menções nas redes sociais entre 26 e 28 de outubro. A pesquisadora e professora da FGV/EAESP Lilian Carvalho, especialista em social listening e sócia-fundadora da DigiSales Group, elaborou o levantamento a partir de dados monitorados pela plataforma Brandwatch. O estudo identificou 165 mil autores, com 95% das postagens concentradas no X.
Nas mensagens com posição definida, 60% condenaram o parlamentar. Outros 40% apoiaram a saída dele do país ou criticaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pela determinação para recolher o passaporte do senador. As manifestações restantes não apresentaram lado explícito ou criticaram os dois lados.
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Termos mais frequentes no debate digital
A escolha das palavras refletiu a tentativa de cada grupo para impor sua versão sobre o episódio:
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A expressão “fuga de Flávio Bolsonaro” registrou 48 mil menções;
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O termo “perseguição política” alcançou 25 mil referências;
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O vocábulo “covarde” apareceu 21 mil vezes;
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A menção “7 minutos”, ligada ao tempo entre a confirmação do resultado eleitoral e o pedido de apreensão do documento, somou 20 mil ocorrências.
Segundo Lilian Carvalho, a palavra “fuga” prevaleceu sobre “exílio” porque um campo mobilizou mais usuários para propagar sua narrativa. A especialista afirma que a articulação digital se consolidou como recurso político relevante em 2026, com potencial para “virar o jogo”, mas não reflete a posição da maioria dos eleitores. Carvalho ressalta que “o volume de publicações pode dar a impressão de uma diferença muito maior entre os lados do que aquela que existe na opinião pública. Rede social mede mobilização, e não substitui uma pesquisa de opinião”.
Distribuição das publicações de maior alcance
A pesquisa detalhou o comportamento das 20 postagens mais compartilhadas durante o período analisado:
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quinze conteúdos condenaram o senador, reunindo ironias, ataques pessoais e cobranças por perda de mandato e bloqueio de bens;
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três publicações defenderam o parlamentar, priorizando questionamentos sobre o momento da ordem judicial e críticas a Alexandre de Moraes;
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duas mensagens apenas informaram sobre os acontecimentos.
Oito em cada dez menções consistiram em republicações, comprovando a relevância da circulação de conteúdos prévios na ampliação das conversas. Usuários dos dois campos políticos também compartilharam dados sem confirmação na cobertura jornalística.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
