
O jornalista Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22/9). Zuenir construiu uma trajetória marcada pela cobertura de episódios políticos e temas sociais relevantes do país, levando muitas dessas histórias para os livros.
Imortal da Academia de Brasileira de Letras, ele era o sétimo ocupante da cadeira n°32, tendo sido eleito no dia 30 de outubro de 2014. Com uma carreira de mais de seis décadas, Zuenir passou por veículos como O Cruzeiro, Visão, Jornal do Brasil, IstoÉ e O Globo.
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Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir teve diferentes trabalhados antes de encontrar seu caminho profissional. Acompanhou seu pai como pintor de paredes, foi office-boy, jogador de basquete, arquivista e professor universitário, após cursar Letras Neolatinas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Teve como professores nomes marcantes como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.
Ser próximo de professores abriu portas para o início da carreira. Celso Cunha, professor da Faculdade de Jornalismo, o convidou para dar aulas de português, e logo depois Hélcio Martins o indicou para um emprego no arquivo da Tribuna da Imprensa, passando depois por grandes jornais e revistas do país.
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Durante esse período, ocupou diferentes funções, como editor internacional, chefe de reportagem, diretor de redação e editor-chefe de sucursal. Em 1960 e 1961, estudou no Centro de Formação dos Jornalistas de Paris, após conquistar uma bolsa de estudos.
Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro 1968 - o ano que não terminou, obra que se tornou uma das mais conhecidas de sua trajetória. A obra serviu de inspiração para a minissérie Os anos rebeldes, da TV Globo, e ao filme francês O homem que disse não.
No início de 1989, Ventura foi ao Acre como repórter especial para investigar o assassinato de Chico Mendes. Da cobertura surgiu uma série de reportagens premiadas e uma reviravolta em sua vida pessoal.
Em entrevistas e relatos escritos, o jornalista contou que acabou assumindo a tutela de Genésio, que era a principal testemunha do caso. O menino de 13 anos, permanecia sob proteção policial, mas continuava ameaçado de morte pelos responsáveis pelo crime. Segundo Zuenir, havia um plano para matar o garoto, e após buscar soluções para garantir sua segurança, levou o garoto para viver consigo e sua família.
Anos depois, em 1994, outro mergulho jornalístico deu origem a Cidade Partida, livro vencedor do Prêmio Jabuti. A obra analisa a violência, a desigualdade e a profunda divisão social no Rio de Janeiro a partir das experiências do jornalista em Vigário Geral, cenário da chacina que matou 21 pessoas em 1993.
Nos anos seguintes, publicou títulos como O Rio de J. Carlos, Inveja - Mal Secreto, Chico Mendes - Crime e Castigo e Crônicas de um fim de século. O último livro foi o romance Sagrada Família.
Além do Jabuti, Zuenir venceu dois dos maiores prêmios de jornalismo do Brasil, o Prêmio Esso e o Vladimir Herzog. Em 2018, recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos.
Na área acadêmica, Zuenir manteve uma relação com o ensino. Foi professor da UFRJ e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Em 2026, sua trajetória foi retratada no documentário Mestre Zu, dirigido por Zelito Vianna, filme que reúne depoimentos de amigos e colegas para reconstruir a carreira do jornalista.
Zuenir deixa a esposa, Mary, e os filhos Elisa e Mauro.
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