ELEIÇÕES

Voto na Rocinha: o que pensam os moradores da maior favela do Brasil

Comunidade vai às urnas dividida entre candidatos, mas unida na desconfiança; insegurança e alto custo de vida dominam as preocupações

Ações de campanha com panfletos políticos marcam as ruas da Rocinha, refletindo o cenário eleitoral da comunidade -  (crédito: Tercio Teixeira/AFP)
Ações de campanha com panfletos políticos marcam as ruas da Rocinha, refletindo o cenário eleitoral da comunidade - (crédito: Tercio Teixeira/AFP)

Moradores da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro, enfrentaram longas filas para votar neste domingo (4/10). Cansados da insegurança e da dificuldade para fechar as contas, muitos expressam desconfiança sobre a capacidade das eleições mudarem sua realidade.

A comunidade, com cerca de 100 mil habitantes, se divide entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). "Está uma pouca vergonha esse país", afirma o aposentado Antonio Machado, de 70 anos. "O político só te procura nessa época de eleição. Mas depois ele não sabe se você existe", lamenta.

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Para Machado, assim como para outros moradores, a insegurança causada por grupos armados é um problema constante, resultando em frequentes e letais incursões policiais. "Você não tem segurança na rua. Nem dentro da sua casa você está seguro. Você está dentro da sua casa, entra bala perdida", comenta.

Propostas e desconfianças

A segurança é uma das principais preocupações dos eleitores. Flávio Bolsonaro elogiou as políticas de segurança de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e promete restabelecer o controle do Estado em áreas dominadas por facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), buscando classificá-las como organizações terroristas.

Lula, por sua vez, prometeu "recuperar o território" e "asfixiar" a logística dos grupos armados. Para a biomédica Fabricia de Melo, de 27 anos, a violência é um problema que se arrasta há anos. Ela vê Lula como um mal menor: "Não que seria a melhor das opções, porém, é a opção que a gente tem no momento".

A abordagem policial é outro ponto de tensão. O ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, incentivou a intervenção policial em bairros afetados pela criminalidade. "Eu como pessoa preta, eu não confio na polícia. Eu tenho medo da polícia. Porque também quando eles entram, invadem casas, agridem pessoas", diz De Melo. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a polícia matou, em média, 17 pessoas por dia no Brasil entre 2019 e 2025.

Custo de vida pesa na decisão

Apesar de Lula ser admirado por programas sociais que tiraram milhões da pobreza em seus mandatos anteriores, a paciência de parte do eleitorado está se esgotando. "Não é um governo que me agrada muito, não fez nada", diz o pedreiro Maicon Santana, de 22 anos.

O alto preço dos produtos básicos também influencia o voto. João Batista, trabalhador do setor de tecnologia que votou em Flávio Bolsonaro, critica a situação econômica. "Pra mim, esquerda não dá mais", afirma.

Na reta final da campanha, Lula apresentou medidas como o aumento de benefícios sociais e a proibição de apostas esportivas on-line. Raissa Gonçalves, de 21 anos, avalia o governo com ressalvas. "Eu acho que ele fez uma boa parte pela população, mas também deixa a desejar, porque muitas das coisas que ele prometeu na eleição passada que não cumpriu nessa".

Com informações da AFP

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 04/10/2026 16:11 / atualizado em 04/10/2026 16:11
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