Literatura

Inteligência artificial inspira novo livro da jornalista Maria Félix Fontele

"Labirintos do caos" reúne 14 contos que exploram os dilemas humanos em futuros marcados pela tecnologia

Livro será lançado em 10 de junho, em Brasília -  (crédito: Divulgação)
Livro será lançado em 10 de junho, em Brasília - (crédito: Divulgação)

A relação entre humanidade e tecnologia, os impactos da inteligência artificial e os limites entre o natural e o artificial são alguns dos temas centrais de Labirintos do caos, novo livro da jornalista e escritora Maria Félix Fontele. A obra será lançada na quarta-feira (10/6), às 18h30, no Caferante, na 203 Sul, em Brasília.

Publicado pela Mondru Editora, o livro reúne 14 contos de ficção especulativa que transportam o leitor para futuros possíveis até 2050, mas profundamente conectados às inquietações do presente. Em cenários marcados por rápidas transformações sociais, ambientais e tecnológicas, personagens comuns enfrentam dilemas éticos, afetivos e existenciais.

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A origem da obra remonta ao período da pandemia de covid-19. Segundo a autora, o primeiro conto surgiu quando o isolamento social ampliava a presença da virtualidade na vida cotidiana. “Quando escrevi o primeiro conto (O misterioso das noites virtuais), ainda não pensava em escrever um livro. Esse conto surgiu quando a virtualidade ganhava força, pois ninguém se atrevia a sair de casa. Era apenas um conto, mas que me deu asas para escrever outras histórias, todas elas com aspectos futuristas”, conta Maria Félix. 

A escritora explica que, embora a tecnologia esteja presente em todas as narrativas, seu interesse principal está nas reações humanas diante das mudanças aceleradas do mundo contemporâneo: “É um livro que nasceu com o desejo de encarar o futuro não como espetáculo, mas como vertigem humana.”

Em As memórias que ficaram na lata do lixo, por exemplo, uma mulher decide apagar lembranças do passado por meio de um procedimento tecnológico, rompendo com a própria história familiar. Já em O segredo, um personagem precisa revelar à família um relacionamento construído a partir de recursos tecnológicos. 

“Optei por escrever histórias de pessoas bem comuns inseridas em um universo ambíguo, onde não existe resposta confortável. O chip para esquecimento calibra a memória ou faz a pessoa esquecer de vez sua história? A ficção entra de maneira sorrateira em tempos de pós-verdade”, observa Maria. “Mesmo quando entram em ação robôs, chips e circuitos, a atenção vai para o sentimento das pessoas, num tenso atrito entre o humano e a máquina, a natureza e o artificial.”

Ao longo da obra, a autora explora a ideia de caos não como sinônimo de desordem, mas como um processo de transformação. “Ao falar de caos, penso no imprevisível, no desconexo evoluindo para algo maior e estruturado, assim como é o processo inesgotável de criação. O caos nem sempre é desordem. Às vezes é aquilo que ainda está obscuro, mas já se move diante de nós”, explica. “Na abertura do livro, trago uma frase de José Saramago: ‘O caos é uma ordem por decifrar’. E isso perpassa todos os contos.”

A perspectiva é crítica, mas não necessariamente pessimista. “São, na realidade, 14 maneiras de refletir sobre o futuro próximo nesse tempo de transição entre presente e futuro, enquanto a memória vacila, os afetos se confundem, a tecnologia avança e o ser humano tenta entender até onde pode ir sem se perder de si”, afirma a escritora. Ao final, a principal provocação da obra é clara: o problema não é a tecnologia em si, mas o que estamos nos tornando por causa dela.

O livro conta com projeto gráfico assinado por Jeferson Barbosa e Gabriele Oliveira. Cada conto é acompanhado por ilustrações que ajudam a introduzir o universo narrativo de cada história. A publicação também traz texto de apresentação do escritor e professor Luigi Ricciardi, doutor em Literatura pela Universidade Federal do Amapá.

Jornalista de formação, Maria Félix Fontele acumula trajetória na comunicação pública e privada. Formada pela Universidade Federal de Goiás, atuou em veículos de imprensa, assessorias e órgãos governamentais do Distrito Federal. Antes de Labirintos do caos, publicou os livros Versos que me habitam (2018) e O barulho, o silêncio e a solidão de Deus (2020).

Serviço

Lançamento de "Labirintos do caos"

Quarta-feira (10/6), às 18h30, no Caferante (CLS 203). Entrada gratuita. Preço de R$50 pela edição física.

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EB
postado em 08/06/2026 17:03
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