
Fernanda Montenegro completa 97 anos nesta sexta-feira (16/10), celebrando mais de sete décadas de uma carreira pioneira e de imenso impacto na cultura brasileira. Dona de uma trajetória que atravessa gerações, a atriz coleciona prêmios, reconhecimento internacional e até um marco no Guinness Book.
Carinhosamente apelidada como “a Dama do Teatro Brasileiro”, Fernanda se consagrou nos palcos, na televisão e no cinema. Mas foi diante dos microfones que a artista deu os primeiros passos na profissão. Nascida Arlette Pinheiro Monteiro Torres, em 16 de outubro de 1929, no bairro do Campinho, Zona Norte do Rio de Janeiro, ela iniciou a carreira em 1944, aos 15 anos, como redatora, locutora e radioatriz na Rádio MEC, atuando na radionovela Sinhá Moça Chorou.
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Foi nessa época que surgiu também o nome artístico que a acompanharia ao longo da carreira. No documentário da série Tributo, da rede Globo, a atriz contou que escolheu o nome aos 16 anos, inspirada em duas pessoas: Fernande, uma figura conhecida do Rio de Janeiro no século XIX, e um médico da família chamado Dr. Montenegro.
Anos depois, em 1951, ela deu um passo importante na carreira ao estrear no teatro com a peça 3200 Metros de Altitude. Foi durante esse trabalho que dividiu o palco com Fernando Torres, ator que se tornaria seu marido e com quem teve dois filhos: a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres.
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No mesmo ano, Fernanda foi contratada pela TV Tupi, quando o veículo ainda dava seus primeiros passos, se tornando a primeira atriz contratada da televisão brasileira. Estreou na TV Globo em 1965 no teleteatro 4 no Teatro, dando o pontapé inicial a uma longa relação com a emissora, onde se consagrou em produções que se tornaram referência da teledramaturgia brasileira.
Em 1981, estreou nas novelas, com um convite especial do autor Manoel Carlos para integrar o elenco de Baila Comigo, interpretando Silvia Toledo Fernandes, personagem criada especialmente para ela.
Pouco depois, a artista viveu uma das suas personagens mais lembradas: Charlô, de Guerra dos Sexos. Atuação essa, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Ao longo das décadas, a atriz também participou de produções como Brilhante (1981), Cambalacho (1986), Sassaricando (1987), Rainha da Sucata (1990), Esperança (2002), Passione (2010) e Babilônia (2015).
Em 1999, a atriz fez história ao se tornar a primeira brasileira a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz por sua atuação icônica como Dora, no filme Central do Brasil, dirigido por Walter Salles. Um ano depois, Fernanda conquistou o Urso de Prata do Festival de Berlim, na categoria de Melhor Atriz, pelo mesmo papel.
Já em 2013, a atriz recebeu ainda mais reconhecimento ao venceu o Emmy Internacional de Melhor Atriz pelo papel de Dona Picucha, em Doce de Mãe.
Outro momento icônico de sua carreira foi em 2022, quando assumiu a cadeira de número 17 da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a primeira atriz a integrar a instituição.
Pouco depois, em novembro de 2024, a atriz carimbou seu nome no livro dos recordes, o Guinness Book, ao reunir um público histórico de cerca de 15 mil pessoas em uma leitura filosófica de Simone de Beauvoir no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Em março deste ano, Fernanda Montenegro foi condecorada no Belmond Copacabana Palace, Rio de Janeiro, com o Golden Globes Apogeu Award, entregue anualmente a atores que geraram um impacto duradouro na indústria por suas carreiras na dramaturgia. Também no Rio, o Teatro do Copacabana Palace, reinaugurado em 2021, foi rebatizado e leva o nome da atriz.
Ainda ativa na atuação, os papéis mais recentes incluem a protagonista do filme Vitoria, de Andrucha Waddington, Velho Bandidos, dirigido por seu filho Cláudio Torres, a série Emergência 53, e o premiado Ainda Estou Aqui, onde interpretou a versão mais velha de Eunice Paiva, personagem vivida no longa por sua filha, Fernanda Torres.
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