
A Polícia Federal (PF) encontrou uma sala secreta em um hangar no Aeroporto de Brasília usado por empresas de transporte aéreo do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.
A porta da sala secreta, que é blindada, ficava escondida atrás de um painel de madeira, que imitava uma parede. A suspeita da PF é de que o local era usado por Willer para guardar bens, incluindo dinheiro vivo.
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Dentro da sala, havia estantes, uma mala vazia e uma máquina de contar dinheiro. A existência da sala foi revelada nesta quarta-feira (21/10) pelo jornal Estado de São Paulo. Segundo a PF, o achado justificaria o "aprofundamento das investigações".
Uma denúncia anônima levou a PF ao local durante uma operação de busca e apreensão, em agosto deste ano, quando a Polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Willer no âmbito da Operação Sem Desconto que apura a fraude milionária no INSS.
Willer Tomaz consta como um dos investigados da investigação, suspeito de fornecer uma estrutura de "hub financeiro, patrimonial e logístico" para alvos do esquema. Na época da apreensão, os policiais recuperaram outra máquina de contar dinheiro, na casa do advogado, e apreenderam quatro aviões de empresas de Tomaz.
Um segundo inquérito investiga Willer por crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com utilização de casas de apostas. O senador Flávio Bolsonaro (PL) também é investigado neste inquérito. Os dois são amigos de longa data e já fizeram diversas viagens juntos para o exterior.
A PF descobriu durante a apuração, mensagens e uma planilha que mostram que Willer pagou cerca de R$12 mil para uma empresa especializada retirar da internet links de reportagens que o relacionavam ao candidato do PL.
No celular do advogado, a policia encontrou e-mails que mostravam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como usuário master de uma conta bancaria da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de tomaz.
Devido ao foro especial do senador Flávio, o caso foi para o Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de outubro. A Procuradoria-Geral da República analisou os indícios e se manifestou pela abertura da investigação.
Esse é o segundo inquérito no STF em que Flávio é um dos investigados. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, foi aberto em julho e apura o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Flávio e o advogado Willer Tomaz são amigos mas afirmam veemente que não têm negócios juntos.
Em nota ao Correio, a defesa de Willer Tomaz confirmou a existência da sala-cofre e seus equipamentos no hangar e afirmou que se trata de uma estrutura operacional destinada ao atendimento de empresas de transporte de valores, clientes de empresas de aviação do advogado.
A defesa ressaltou ainda que a existência de ambientes protegidos, malotes e máquinas contadoras de cédulas é compatível com a atividade de transporte aéreo e não é indício de irregularidade.
A nota afirma ainda que “é fantasiosa e beira o ridículo a insinuação de que essas instalações seriam utilizadas para armazenar ou contar dinheiro de origem ilícita”. E afirma ainda que “atribuir conotação criminosa a essas instalações, sem qualquer prova, é uma tentativa irresponsável de fabricar suspeitas onde não existem fatos”.
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