São Paulo

Em jogo fundamental, São Paulo reencontra Boca Juniors após 19 anos

Potências do continente iniciam briga por vaga na semifinal da Sul-Americana após Tricolor ganhar fôlego no Brasileirão.

Em momento de alívio após duas vitórias consecutivas no Brasileirão, o São Paulo encara nesta terça-feira (8/9) um duelo de gigantes na Copa Sul-Americana. A equipe visita o Boca Juniors, às 21h30, pelo jogo de ida das quartas de final da competição. Os clubes, que estão entre os maiores campeões do continente, voltam a se encontrar após quase duas décadas. Além disso, Dorival Júnior tem a chance de superar uma etapa do torneio três anos depois de uma eliminação que ficou engasgada. 

O último confronto entre São Paulo e Boca Juniors ocorreu em setembro de 2007, pelas oitavas de final da própria Sul-Americana. Na ocasião, o o Tricolor levou a melhor ao se classificar pelo critério do gol fora de casa, extinto pela Conmebol em 2022. Após perder por 2 a 1, na Bombonera, a equipe brasileira venceu por 1 a 0, no Morumbis, e avançou. Sob o comando de Muricy Ramalho, que seria tricampeão brasileiro consecutivo, Aloísio fez o gol do triunfo. 

No ano anterior, o São Paulo, então campeão da Libertadores, havia perdido o título da Recopa Sul-Americana para o mesmo Boca Juniors (2 a 1, na Argentina, e 2 a 2, no Brasil). Assim, o êxito em 2007 teve sabor de revanche para os são-paulinos. 

Forças continentais tem um histórico tímido de duelos

O Boca Juniors é, ao lado do compatriota Independiente, o clube sul-americano com mais títulos internacionais reconhecidos por Conmebol e Fifa. Com 18 conquistas, ele vê no retrovisor justamente o São Paulo, que acumula 12 troféus. Apesar dessa tradição vencedora, o histórico de confrontos entre as duas potências continental é modesto. Em torneios oficiais, será apenas a sétima vez que os clubes se cruzam. Curiosamente, nunca houve partidas entre eles na principal competição, a Libertadores, em que somam nove conquistas. Além de Sul-Americana e Recopa, houve duelos por Copa Mercosul, Supercopa da Libertadores e Copa de Ouro.

O São Paulo perdeu os últimos três jogos que fez contra o rival na Argentina. Além das derrotas por 2 a 1 na Recopa de 2006 e na Sul-Americana de 2007, o clube levou uma goleada de 5 a 1 na Copa Mercosul de 1999. Em 1995, o time brasileiro ocorreu a vitória mais recente do Tricolor no mítico estádio portenho, um 3 a 2 pela extinta Supercopa da Libertadores. 

Um jogo fundamental, um clássico sul-americano, acho que todos nós conhecemos um pouco da história das duas equipes, definiu o técnico do São Paulo, Dorival Júnior, às vésperas da partida desta terça. 

Dorival Júnior busca semifinais após frustração de 2023

O confronto pelas quartas de final representa um desafio especial para Dorival Júnior. Em 2023, na passagem anterior pelo São Paulo, o técnico viu frustrada a campanha na competição justamente nas quartas de final, quando a algoz foi a equatoriana LDU. No ano passado, ele comandou o Corinthians no torneio, mas não passou da fase de grupos, com a eliminação confirmada em solo argentino, após derrota para o Huracán.

A eliminação com o São Paulo, três anos atrás, aconteceu no detalhe. Após perder por 2 a 1, em Quito, o time fez 1 a 0, no Morumbis, e poderia ter definido a parada no tempo regulamentar, pois o adversário teve um jogador expulso aos três minutos do segundo tempo. Porém, nos pênaltis, o Tricolor foi eliminado após o colombiano James Rodrigues chutar para fora. 

Agora, Dorival tem nova chance de perseguir um título inédito em sua carreira. Campeão da Copa do Brasil pelo São Paulo no mesmo ano da queda na Sul-Americana, o treinador tem no currículo um título internacional, a Libertadores de 2022 pelo Flamengo, mas ainda não chegou ao topo na segunda competição mais importante do continente. 

Vitórias dão respiro no Brasileirão para focar na Sul-Americana

No sábado (5), com a vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, o São Paulo chegou a dois triunfos seguidos no Brasileirão e interrompeu uma série negativa. Antes dessa pequena série, a equipe vinha de quatro meses de jejum na competição. Com os oito pontos que abriu da zona do rebaixamento, Dorival Júnior pode canalizar energias para os dois confrontos contra o Boca Juniors. 

Entre as partidas contra os argentinos, haverá clássico contra o Palmeiras, no Nubank Parque, no sábado. Porém, o rival paulista, vice-líder do Brasileirão, também está em uma encruzilhada, já que irá ao Equador no meio de semana para encarar a LDU, pela Libertadores.

Precisávamos de um resultado aqui para dar uma acalmada no Campeonato Brasileiro, retomar o fôlego para essa competição daqui a uma semana, reconheceu Dorival após a vitória sobre o Galo. 

O mais importante agora passa a ser o jogo da terça, temos que concentrar todas as nossas forças em cima dessa partida para que possamos fazer um grande jogo. Temos que fazer nosso máximo em busca do melhor resultado possível lá fora, completou. 

Melhora do aproveitamento e premiação em foco 

Apesar das vitórias recentes, Dorival Júnior segue com seu pior aproveitamento na carreira desde 2014, quando dirigiu o Palmeiras. Desde que assumiu o São Paulo, em maio, o técnico fez 13 jogos, com quatro vitórias, cinco empates e quatro derrotas – aproveitamento de 43,59% dos pontos. Portanto, avançar para as semifinais da Sul-Americana e manter o bom momento no Brasileirão será vital para o trabalho adquirir nova estatura. 

Ademais, superar o Boca Juniors será uma motivação não apenas pelo tamanho do rival e a perspectiva de um título internacional após 14 anos (o último foi a Sul-Americana de 2012). Em crise financeira, o clube mira a premiação oferecida pela Conmebol. O campeão recebe a bolada de 10 milhões de dólares (cerca de R$ 50 milhões, na cotação atual). Portanto, ingredientes não faltam para esse clássico internacional. 

 

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