Renato Machado, um dos nomes mais conhecidos do telejornalismo brasileiro e ex-apresentador do Bom Dia Brasil, morreu na manhã desta quinta-feira (16/7), aos 83 anos. O jornalista estava internado na Clínica São Vicente, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi informada.
Filho do médico e oficial do Exército Álvaro Dodsworth Machado e da secretária Fernanda Mattos Machado, Renato nasceu em 21 de março de 1943 no Rio de Janeiro. Tinha tudo para ser diplomata, ao menos era com isso que sua mãe sonhava. Ele se formou em Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e também foi aprovado na prova do Itamaraty. Mas boicotou o exame de vista e encerrou essa ilusão. Renato Machado iria conhecer o mundo, mas como correspondente internacional.
Antes disso, foi ator, dublador de cinema e atuou no Teatro Oficina em São Paulo. Em 29767, aprovado em um concurso da BBC, foi para Londres trabalhar com rádio. Voltou para o Rio dois anos depois e foi contratado como tradutor pelo Jornal do Brasil. Se tornou repórter do periódico, permanecendo lá por 14 anos, como editor de Internacional e da Revista Domingo.
Em 1982, foi convidado para uma vaga de repórter na TV Globo. Apareceu pela primeira vez nas telas doando sangue, em meio a uma reportagem sobre o tráfico de órgãos na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Aos poucos, aprendeu como agir diante das câmeras, graças às dicas e ao trabalho em conjunto com repórteres-cinematográficos.
Experiente em assuntos internacionais, fluente em inglês e francês, o jornalista participou da cobertura da Guerra das Malvinas, em 1982, trabalhando do Rio de Janeiro e na Argentina.
Foi enviado a vários países para reportagens especiais, como a viagem à América Central para o Globo Repórter, em 1983, quando a região estava em meio a uma guerra civil. Nesta viagem, Machado também conseguiu uma entrevista exclusiva com o então guerrilheiro, e depois presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
No final do ano de 1982, teve sua primeira experiência como correspondente internacional no escritório de Nova York. No ano seguinte, foi enviado para o escritório da capital britânica, onde permaneceu por seis anos.
Em 1986, cobriu de Upsala, na Suécia, o acidente na usina nuclear de Chernobyl. No mesmo ano, em setembro, Paris foi alvo de atentados terroristas realizados por membros do Hezbollah, grupo fundamentalista islâmico. Com o repórter-cinematográfico Paulo Pimentel, Renato foi enviado à capital francesa para cobrir a explosão em uma loja de departamento.
Renato voltou ao Brasil em 1988. Daqui cobriu a campanha pela redemocratização do Chile, as eleições presidenciais em 1989. Ainda nessa fase, participou também de coberturas como a queda do general Alfredo Stroessner, no Paraguai (1989).
Em 1990, Renato Machado deixou a Globo para ser o editor-chefe e apresentador do telejornal Noite e Dia, na TV Manchete. Naquele ano, o ditador do Iraque, Saddam Husseim, invadiu o vizinho Kuwait, estopim da primeira Guerra do Golfo. Enviado para a região, Renato Machado cobriu parte da guerra pela TV Manchete.
Em outro momento, foi a Tel-Aviv cobrir um concerto de música clássica com o maestro israelense Zubin Mehta. Inesperadamente, Saddam Husseim bombardeou Tel-Aviv, e Renato deu um furo de reportagem.
Em 1991, o jornalista retornou à Globo como repórter especial. Nos cinco anos seguintes, cobriu a América Latina como enviado do Globo Repórter e do Jornal Nacional e participou, também, das coberturas do impeachment do presidente Fernando Collor (1992) e da morte do piloto Ayrton Senna (1994).
Em 1996, assumiu o posto de âncora e editor-chefe do Bom dia Brasil. Machado foi um dos responsáveis pela reformulação do formato e da apresentação visual do telejornal. Dividiu a bancada com Leilane Neubarth, e em seguida com Renata Vasconcelos.
Em setembro de 2011, afastou-se da bancada e retomou seu posto de correspondente da Globo em Londres. Neste período, manteve uma coluna semanal no Jornal da Globo: Crônicas de Renato Machado, na qual abordava questões políticas, como a crise na Grécia (2011), a vitória socialista nas eleições francesas (2012), e os 95 anos de Nelson Mandela (2013).
Em 2016, deixou o porto e retornou ao Rio como repórter especial do Globo Repórter. Entre seus trabalhos estão o programa 'A Arte como Passaporte' (2016), que mostrou como a oportunidade de aprender música e dança pode transformar vidas de famílias pobres no Brasil. Essa reportagem foi indicada ao Prêmio Emmy Internacional na categoria Atualidade.
"Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra”, disse Renato.
Renato Machado escreveu para jornais e revistas, e colaborou com a rádio CBN . Em novembro, ele deixou a Globo.
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