RIO DE JANEIRO

Mãe e irmão de Oruam são presos em operação da Polícia Federal

Operação Backbone visava desarticular esquema de monopólio de fornecimento de internet que é uma das principais fontes de lucro do Comando Vermelho

Oruam e Márcia Nepomuceno -  (crédito: Reprodução/ Redes Sociais )
Oruam e Márcia Nepomuceno - (crédito: Reprodução/ Redes Sociais )

A mãe e o irmão do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, foram presos nesta segunda-feira (19/10) pela Polícia Federal na Operação Backbone, que investiga o monopólio de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV). Márcia Gama Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, e Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, foram alvos de mandado de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Até o momento, 19 pessoas foram presas na operação. O vereador Fabio Silva (Podemos) está entre elas.

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A ação da PF busca desarticular uma estrutura ligada ao grupo criminoso Comando Vermelho que, por meio do uso de armas e ameaças, impõe o monopólio do fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense, e utiliza empresas provedoras para lavar os recursos obtidos com a atividade.

Policiais federais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. 

Além dos mandados, também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também há suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e empresas de fachada que eram utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.

De acordo com a PF, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados pelas empresas. 

Segundo as investigações, pessoas armadas cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”. Os provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma “tarifa” pelo direito de operar no território.

Registros contábeis da própria organização criminosa indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha. A exploração desse serviço público se tornou uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para o grupo.

Segundo a PF, os lucros chegavam à família de Marcinho VP por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão e criptoativos. 

Os investigados podem responder por crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais; bem como por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que podem ser revelados no decorrer das apurações.

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postado em 19/10/2026 11:20
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