OSCAR 2026

De recordes a reencontros: os marcos do Oscar 2026

Vitórias históricas, momentos inesperados, nostalgia no palco e a força de grandes sucessos de público ajudaram a definir a 98ª edição da premiação

A 98ª cerimônia do Oscar, realizada no domingo (15/3), reuniu vitórias expressivas, marcos históricos e um clima de celebração que destacou a edição de 2026. A noite foi liderada por dois grandes títulos: Uma Batalha Após a Outra, dirigido por Paul Thomas Anderson, que conquistou seis estatuetas — incluindo a de Melhor Filme —, e Pecadores, de Ryan Coogler, que levou quatro prêmios.

A disputa entre as duas obras chamou atenção não apenas pelos resultados, mas também pelas semelhanças entre as produções. Ambos foram produzidos pela Warner Bros., apostaram em narrativas ambiciosas que mesclam gêneros e foram dirigidos por cineastas consagrados que também assinam seus roteiros. As duas histórias ainda compartilham um elemento temático: supremacistas brancos aparecem como antagonistas.

Outro fator que diferenciou esta edição foi a popularidade dos favoritos. Pecadores se tornou o filme de maior bilheteria de 2025, arrecadando cerca de US$ 370 milhões (aproximadamente R$ 1,7 bilhão) mundialmente. Já Uma Batalha Após a Outra, mesmo com um desempenho menor, atingiu cerca de US$ 210 milhões (cerca de R$ 900 milhões), valor significativamente superior ao de vencedores recentes da categoria principal. 

O streaming também teve presença relevante na cerimônia. Frankenstein, vencedor de três estatuetas, e Guerreiras do K-Pop, que levou dois prêmios, são produções da Netflix lançadas de forma limitada nos cinemas. Diferentemente de muitas produções de plataformas digitais, os dois filmes conquistaram grande audiência e mobilizaram torcidas entre os espectadores.

Outros títulos populares também apareceram entre os vencedores. Amy Madigan recebeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por interpretar a perturbadora Tia Gladys em A Hora do Mal. O blockbuster automobilístico F1, estrelado por Brad Pitt, venceu na categoria de Melhor Som, enquanto Avatar: Fogo e Cinzas conquistou o prêmio de melhores efeitos visuais. O resultado geral consolidou uma tendência rara: produções reconhecidas artisticamente que também alcançaram grande sucesso comercial.

A cerimônia também foi marcada pelo desempenho do apresentador Conan O’Brien, que conduziu a noite com humor autodepreciativo, comentários políticos pontuais e momentos de celebração da indústria. Entre os destaques do espetáculo estiveram as apresentações das canções indicadas a melhor música original: I Lied to You, de Pecadores, e Golden, de Guerreiras do K-Pop, vencedora da categoria.

A noite também teve momentos de humor e nostalgia. Uma esquete reuniu Anna Wintour e Anne Hathaway, brincando com a inspiração da personagem vivida por Meryl Streep em O Diabo Veste Prada. Outro destaque foi o reencontro do elenco da comédia Missão Madrinha de Casamento, que demonstrou que a química cômica do grupo permanece intacta 15 anos após o lançamento do filme.

Entre os marcos, Autumn Durald Arkapaw tornou-se a primeira mulher a vencer o Oscar de melhor fotografia, graças ao trabalho em Pecadores. Ao subir ao palco, ela convidou todas as mulheres presentes no Dolby Theatre a se levantarem para compartilhar o momento. Já Jessie Buckley fez história ao se tornar a primeira atriz irlandesa a conquistar o prêmio de Melhor Atriz.

A edição também apresentou uma nova categoria: Melhor Elenco, a primeira introduzida pela Academia em 24 anos. O prêmio inaugural foi para Cassandra Kulukundis, pelo trabalho em Uma Batalha Após a Outra.

A representatividade também avançou em outras categorias. Michael B. Jordan, protagonista duplo em Pecadores, tornou-se o sexto ator negro a vencer o Oscar de Melhor Ator. Já Ryan Coogler entrou para a história como o segundo roteirista negro a conquistar o prêmio de melhor roteiro original.

O segmento In Memoriam recebeu mais tempo do que o habitual e homenageou nomes marcantes da indústria. Billy Crystal prestou tributo ao cineasta Rob Reiner e à produtora Michele Singer Reiner, falecidos em dezembro. Rachel McAdams homenageou Catherine O’Hara e Diane Keaton, enquanto Barbra Streisand relembrou a amizade com Robert Redford, encerrando o tributo com um trecho da canção The Way We Were.

Apesar do tom celebratório, o tributo também gerou críticas. A cerimônia não incluiu a atriz francesa Brigitte Bardot, que morreu em 28 de dezembro do ano passado, aos 91 anos. Também foram apontadas as ausências de Eric Dane, que morreu em 19 de fevereiro aos 53 anos após lutar contra Esclerose Lateral Amiotrófica, e de James Van Der Beek, falecido em 11 de fevereiro, aos 48 anos, em decorrência de um câncer colorretal.

Mesmo com alguns problemas técnicos, pausas constrangedoras e piadas controversas, a cerimônia transcorreu sem grandes incidentes. Uma das poucas surpresas foi o empate na categoria de Melhor Curta-metragem, o que levou dois grupos de vencedores ao palco. A situação foi conduzida com humor pelo apresentador Kumail Nanjiani, encerrando uma noite que, no geral, reforçou a sensação de que o Oscar conseguiu equilibrar espetáculo, reconhecimento artístico e popularidade.

 

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