Alemanha 7, Política 0

Alemanha 7, Política 0

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA placidofernandes.df@dabr.com.br
postado em 12/07/2014 00:00

Sessenta e quatro anos depois, é triste constatar que não aprendemos nada. Como em 1950, em 2014 a Seleção Brasileira entrou em campo já como hexa por antecipação. Frases, como ;já estamos com a taça na mão", ;somos favoritos; e ;meu governo é padrão Felipão; talvez expliquem os nervos em frangalhos da jovem equipe brasileira, salva por Julio Cesar e pela trave diante do primeiro obstáculo: a decisão nos pênaltis contra o Chile.

Agora, como em 1950, a empáfia desmilinguiu-se até restar apenas a humilhação. Pouco antes de começar a final entre Brasil e Uruguai, com a Seleção Canarinho perfilada em campo, o então prefeito do Distrito Federal do Rio de Janeiro, o general Mendes de Morais, decretou: ;Vós que daqui a alguns minutos sereis campeões do mundo (...). Cumpri minha palavra construindo este estádio. Cumpram agora o dever de vocês;. Deu no que deu.

À época, Nelson Rodrigues ; o ;reacionário;, que se fosse vivo hoje estaria sendo crucificado pela patrulha ; comparou o efeito do vexame sobre a autoestima do país a uma bomba atômica (hiperbólica e futebolística, claro). Depois do 7 x 1 para a Alemanha, então, só nos resta apelar ao Armagedom, que, numa livre tradução, a termos boleiros, equivaleria ao mais devastador de todos os vexames, o fim dos tempos para o país de chuteiras.

Se, na política, a mania de levar vantagem em tudo segue igual, no futebol, bem que o comportamento do torcedor no Brasil mudou muito de 1950 para cá. Se a dor do Maracanazo dói até hoje no peito, desta vez, boa parte dos brasileiros soube canalizar o sofrimento do Mineiratzen para o bom humor nas redes sociais. Foi com ele que reagimos ao apagão do nosso centroavante dizendo que ;Neymar deve voltar a jogar antes de Fred;; lembrando que Lula previu ;uma Copa para argentino nenhum botar defeito;; atribuindo a culpa pelo massacre alemão à ;bruxa do 7 a 1;; e propondo ;uma CPI para investigar o favorecimento dos papas (o alemão Bento e o argentino Francisco) nos resultados do Mundial;. Pois é: rir-se de si mesmo ainda é o melhor remédio. Afinal, ;aDeus é brasileiro;. É tóis!



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