Marmitex invade pista do Lago Sul

Marmitex invade pista do Lago Sul

ISA STACCIARINI
postado em 26/11/2014 00:00

Em uma das regiões mais ricas do Distrito Federal, a venda ilegal de marmitas invade a rodovia principal (DF-025) do Lago Sul. As refeições são comercializadas por mulheres, entre 17 e 21 anos, em média. O preço é considerado bastante acessível e varia de R$ 7 a R$ 8. No cardápio, diferentes tipos de carnes, como bisteca suína, frango, linguiça e carne de panela, arroz, feijão, macarrão, legumes e salada. A oferta atrai especialmente a clientela de trabalhadores da construção civil, motoristas, caminhoneiros e empregadas domésticas da região. Os moradores do bairro estão incomodados com a atividade e, a cada oito reclamações mensais levadas à Administração Regional, duas são contra o comércio irregular de quentinhas. O percentual representa 25% do total de queixas.

O administrador do Lago Sul, Tadeu Roriz, reconhece a atividade irregular. ;Tentamos, ao máximo, coibir o excesso das vendas de marmitas. Já alertamos até mesmo o Conselho Tutelar, uma vez que há suspeita de trabalho infantil;, diz ele. A Secretaria da Criança confirmou a presença de adolescentes. Desde que tomou conhecimento da denúncia, o Conselho Tutelar do Lago Sul acompanha a situação. ;Observou-se que a média de idade das jovens é de 17 a 21 anos. Não foram encontradas crianças trabalhando;, informa a nota da assessoria de imprensa da secretaria. No documento, o órgão informa ainda que encaminha as jovens para o Projeto Vira Vida, voltado à qualificação profissional, desenvolvido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi).

Suporte
O diretor da Vigilância Sanitária do DF, Manoel Silva Neto, reconhece que o problema é amplamente conhecido há pelo menos oito anos. Segundo ele, o órgão fez mais de 50 ações de fiscalização para coibir o comércio irregular. Do total de apreensões realizadas, 40% das amostras tinham bactérias patogênicas e coliformes fecais efetivamente capazes de causar doenças tóxicas e alimentar. ;Fazemos um trabalho de enxugar gelo, mas essa situação configura até mesmo um crime contra a saúde pública, porque as comidas são feitas em casas de fornecedores, às quais não temos acesso. Desconhecemos a origem do produto que, em alguns casos, está contaminado;, salientou. De acordo com Agefis, cabe à Vigilância Sanitária agir para erradicar a atividade, e aos fiscais dar o suporte.

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